<
>

Atlético-MG mirou Flamengo e Palmeiras e fez aposta de mais de R$ 355 milhões para ser campeão

play
Carnaval em BH! Torcida do Atlético-MG faz festa impressionante ao som de Bell Marques; VEJA! (0:17)

Após 50 anos, clube mineiro garantiu o bi do Campeonato Brasileiro | @Atletico (0:17)

Gasto do Atlético-MG para montar time campeão foi de R$ 355 milhões em dois anos e teve olhar atento para o que faziam Flamengo e Palmeiras


O Atlético-MG investiu, desde 2020, mais de R$ 355 milhões em jogadores para formar o elenco que colocou fim ao jejum de 50 anos sem o título do Campeonato Brasileiro. Uma aposta alta para ser campeão, mas também calculada, de olho no que os rivais Flamengo e Palmeiras vinham fazendo no país.

Foi observando os donos dos títulos da Série A de 2018, 2019 e 2020 que o Atlético entendeu que precisaria aumentar os investimentos e assumir o aumento na folha salarial. Um movimento que contou também com o aporte financeiro dos chamados 4Rs – os empresários Rubens e Rafael Menin MRV), Ricardo Guimarães (Banco BMG) e Renato Salvador (Materdei).

O Atlético notou que, em 2016, último ano em que figurou no G-4 do Brasileirão até 2020, tinha folha salarial equivalente à dos demais protagonistas do futebol nacional. Desde então, Palmeiras e depois Flamengo se distanciaram significativamente, algo que a cúpula atleticana entendeu ter relação direta com o sucesso em campo.

“Quando subimos a folha, no começo de 2020, se equiparando aos clubes que normalmente estão na ponta da tabela, nosso desempenho também foi para a ponta da tabela. Existe uma relação direta entre o investimento que você faz no futebol, nos salários que você paga, e o desempenho. Não há como separar”, disse o diretor financeiro Paulo Braz, no começo de 2021.

Segundo o Atlético-MG, para 2020, foram gastos R$ 253 milhões em investimentos com o elenco. Chegaram nomes como Éverson, Mariano, Junior Alonso, Zaracho e Vargas, todos titulares no jogo do título contra o Bahia, e outros que até já deixaram o clube, como Marrony, hoje no futebol da Dinamarca.

Em 2021, um novo salto na qualidade do time que passou a ser comandado por Cuca. Chegaram Hulk e Nacho Fernández como principais reforços e depois ainda Diego Costa. Até junho, antes da chegada do ex-atacante de Atlético de Madrid e Chelsea, os mineiros anunciaram ter investido mais R$ 102 milhões no mercado.

“É muito difícil um clube que não tem investimento e salários para os atletas ter um desempenho para ficar constantemente na ponta. Um ou outro pode aparecer e desaparecer, mas, constantemente, como esses clubes (Flamengo e Palmeiras), é por conta da qualidade do plantel e salário. O desafio é produzir receitas para manter o clube em alto nível”, completou Braz.

Na aposta por um time forte, o Atlético também entendeu que seria possível faturar mais. A avaliação interna é que uma equipe que disputa títulos, leva mais torcedores ao estádio; vende mais produtos; tem a chance de estar em mais competições; aumenta premiações. Com a conquista do Brasileirão, por exemplo, o clube assegurou R$ 33 milhões pagos pela CBF.

Dívida e elenco bilionário?

A decisão de ir com força ao mercado e elevar a folha salarial, tudo em meio aos impactos trazidos pela pandemia de COVID-19, também elevaram a dívida do Atlético, que ultrapassou R$ 1,2 bilhão em 2020. Para 2021, apesar do título, a expectativa é que o valor siga na casa do bilhão e passe a cair mais significativamente a partir de 2022 nos planos do clube.

Um dos pontos nos quais a direção atleticana se apoia ao falar da dívida é no patrimônio. Nisso, inclui a força do elenco montado. O CIGA (Centro de Informação do Galo), departamento de inteligência do clube, avalia que o time campeão brasileiro tem valor de mercado próximo a R$ 1 bilhão. Antes da chegada de Diego Costa, a cotação feita pelos profissionais foi de um plantel de R$ 930 milhões.

Essa cifra dificilmente vira, de fato, valores para os cofres atleticanos. É difícil imaginar, por exemplo, que o Atlético vá conseguir recuperar a “avaliação de mercado” de Hulk (35 anos), Nacho (31) ou Diego Costa (33). Mas, por outro lado, também estão entre os investimentos recentes jovens como Zaracho, de 23 anos...

O futuro

Ciente do desafio que tem pela frente, com uma dívida bilionária a pagar, o Atlético tem um plano. Que passa por um novo modelo a partir de 2022. Se investiu mais de R$ 355 milhões em dois anos, agora o clube tem uma meta de não ultrapassar R$ 50 milhões em investimentos por temporada, em valor que inclui também gastos com as categorias de base.

Há uma expectativa também alta de conseguir faturar, em média, R$ 120 milhões anualmente com venda de jogadores. O teto salarial para o elenco será de R$ 200 milhões. O Atlético também planeja ter, no futuro, 33% de seu grupo formado por atletas oriundos da base.

Se mirou Flamengo e Palmeiras para voltar a ser campeão brasileiro, para o futuro o Atlético estuda modelos de clubes europeus. Nominalmente, Benfica, Sevilla e Atalanta. As três equipes são avaliadas como competitivas no cenário nacional e continental, mesmo sem serem as de maiores investimentos de seus países. O balanço de transferências desses times é o que mais atrai: contratam jogadores jovens, os projetam e conseguem retorno esportivo e financeiro.

No plano atleticano, se tudo der certo, a dívida de R$ 1,2 bilhão cairá quase pela metade em 2023 (R$ 640 milhões na projeção do clube). Em 2026, a ideia é que o valor esteja em R$ 341 milhões. Para esse cenário, o Atlético conta ainda com a inauguração da Arena MRV e, com o novo estádio, projeta o dobro de receitas de bilheteria.

Se o planejamento se tornará realidade, só o tempo dirá. Certo, hoje, é que o Atlético investiu alto para ser campeão. E foi, livrando um peso de cinco décadas. Para o torcedor, ao menos, isso não tem preço...

play
0:17

Carnaval em BH! Torcida do Atlético-MG faz festa impressionante ao som de Bell Marques; VEJA!

Após 50 anos, clube mineiro garantiu o bi do Campeonato Brasileiro | @Atletico