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Como Guardiola e Manchester City inspiram Falcão a retomar carreira de treinador

Pep Guardiola, técnico do Manchester City, é um fã declarado da seleção brasileira que disputou a Copa do Mundo de 1982


Treinador do Manchester City, que enfrentará o PSG pela Champions League, nesta quarta-feira, Pep Guardiola nunca escondeu o carinho que sente pela seleção brasileira que disputou a Copa do Mundo de 1982, na Espanha. Aos 11 anos, o catalão se encantou com a equipe comandada por Telê Santana, que acabou eliminada pela Itália no estádio Sarriá, em Barcelona, justamente sua terra natal.

Passados quase 40 anos daquele fatídico jogo, Guardiola virou um dos maiores treinadores da atualidade e hoje é admirado até mesmo por seus heróis de infância, como Paulo Roberto Falcão. Meio-campista daquele timaço, o treinador por muito pouco não fez um estágio com o catalão no City, ano passado.

“Eu tinha organizado passar uma semana com o Guardiola e outra com Klopp no Liverpool. O Alisson abriu as portas do Liverpool e o Fernandinho no City. Só que veio a pandemia e não pude ir”, disse ao ESPN.com.br.

Falcão conta que leu os dois livros publicados sobre Guardiola e diz se identificar com a ideia do catalão de jogar bem para conseguir vencer.

"Tem times que possuem a mentalidade do 'tem que ganhar a qualquer custo'. É aquela coisa do dirigente amador. Todo mundo sabe que tem que ganhar, isso é óbvio. Mas é muito melhor você ganhar jogando bem, porque isso vai te possibilitar continuar vencendo. Senão, vira um dado estatístico", ponderou.

“Vejo os jogos de 82 e fico emocionado. Fico feliz que alguns treinadores, como o Guardiola, pensam que você precisa construir ganhando jogando bem e que emocione. Pelo menos é isso o que persigo como treinador. Claro, precisa ter condições para isso", analisou.

Durante entrevista à ESPN, em 2017, o técnico do City fez muitos elogios ao time brasileiro.

"Essa foi a seleção mais maravilhosa que já existiu. E se depois de tantos anos ainda se recordam dessa equipe é porque ela foi muito boa. Não sei se se recordam outras seleções campeãs como daquele time. Um time é bom quando passam 30, 40 anos e ainda falam dele. Isso é a melhor Champions League do mundo. O resto são números, estatísticas. Isso é bobagem. O bonito é o que você pode causar. E esse Brasil foi um espetáculo”, disse Guardiola.

A fala do treinador emocionou Falcão, que gostou da comparação entre a equipe de 1982 e o atual Manchester City na busca por um jogo mais bonito.

"Ele venceu muito e tem crédito. Claro que você vai falar de títulos, mas é jogar bem que as pessoas gostam de ver. Os torcedores não querem ir para arquibancada para sofrerem", afirmou Falcão.

Carreira como treinador

Após aposentar-se dos gramados, Falcão treinou a seleção brasileira - entre 1990 e 1991 - e lançou vários jogadores que depois foram campeões do mundo como Cafu e Mauro SIlva. Depois, comandou América-MEX, Japão, e Internacional.

Os principais títulos de Falcão como treinador são a Copa dos Campeões da CONCACAF (1992) pelo América, o Campeonato Gaúcho (2011) pelo Inter e o Campeonato Baiano (2012) pelo Bahia.

"Gosto de usar as categorias de base, desde que tenha qualidade e a personalidade. Isso você conhece no dia a dia. Eu sempre tive cuidado com a parte mental porque faço análise há mais de 20 anos. Um treinador não faz tudo, precisa ter uma comissão técnica muito porque são muitas coisas que acontecem num clube".

"Sempre gostei de tática de estudar o adversário, e o futebol italiano me ajudou muito. Tive uma cultura tática que me ajudou muito na carreira atual. Eles têm uma literatura de futebol muito grande".

Falcão conta que já passou períodos trocando ideias com nomes famosos como José Mourinho, Carlo Ancelotti (seu ex-colega de Roma) e Cesare Prandelli.

"Sempre tive a curiosidade de conversar com países diferentes. Eles adoram o futebol brasileiro e fazem muitas perguntas. Você aprender e também ensinar. Eu estou na ativa e gosto de conversar. Com a pandemia melhorando meu desejo é ir para Europa conversar".

Os últimos clubes de Falcão como treinador foram Internacional, Bahia e Sport. Apesar de estar disposto a retomar a carreira de treinador, o ex-meia não deseja aceitar qualquer oferta.

"Gosto de trabalhar onde possa sentir os objetivos do clube. Se eu noto que os objetivos estão acima do potencial, eu não aceito porque o trabalho não dura. Para o bem de todos, tive várias ofertas que não acertei. No passado, eu tive conversas com a Sampdoria, mas não acertamos. Eu virei um grande amigo do secretário geral do clube. Eu gosto de respeitar as coisas, gosto de organização. Quem trabalha no futebol precisa ser profissional. Já me falaram para ser um executivo de futebol e pensei nisso. Por enquanto, o futebol é algo que me encanta muito".