Família Kindermann encerra atividades após 13 anos de investimento no futebol feminino

Com o fim do investimento da família Kindermann no futebol feminino, jogadoras do Avaí/Kindermann foram todas dispensadas


Após 13 anos de investimentos no futebol feminino no Brasil, o Kindermann futebol, que participava nas competições que disputava como Avaí/Kindermann, encerrou oficialmente as atividades sob a gestão da família Kindermann. A informação foi confirmada por membros da mesma, em entrevista ao "SCC10".

Em maio deste ano, Salézio Kinderman, presidente e fundador da equipe, morreu aos 77 anos. Desde então, o futuro do clube vinha sendo questionado e, pela primeira vez, membros da família se pronunciaram sobre o assunto.

Recentemente, o Avaí/Kindermann disputou a Conmebol Libertadores feminina e foi eliminado nas quartas de final, após derrota nos pênaltis para o Independiente Santa Fe, da Colômbia, que fará a final contra o Corinthias. A partida terá transmissão ao vivo e exclusivo pelo FOX Sports e também pela ESPN no Star+.

Segundo Daniel e Valéria Kindermann, genro e filha de Salézio, todas as 18 atletas contratadas, com carteira de trabalho assinada, foram dispensadas e tiveram todos os direitos previstos em lei pagos pela família Kindermann.

“Tomamos essa decisão com a alma, coração e consciência limpa, sabendo que fizemos o que foi possível para que o time chegasse até aqui e concluísse o calendário de competições previstas para 2021. Sabemos do carinho que muitos brasileiros têm pelo Kindermann Futebol Feminino, o quanto essa história e esse legado merecem respeito. Mas esse era o sonho do Salézio Kindermann. O futebol ocupava 100% do tempo dele, ele tinha dedicação exclusiva a isso, entendia e amava esse mundo. Em respeito ao legado dele, nós como família e as atletas que permaneceram até aqui, fechamos este ciclo com a participação na Libertadores, onde encerramos como a 5ª melhor equipe. O legado nunca será apagado, mas a era Kindermann futebol, mantida pela nossa família, encerra aqui”, disseram os mombros da família sobre a decisão.

O Avaí/Kindermann encerrou oficialmente as suas atividades com todas as suas contas pagas. Além das atletas e membros da comissão técnica, que receberam tudo o que tinham direito, a equipe também negociou dívidas antigas, além de ter pago fornecedores, entre outros.

Além do Kindermann, Salézio também era proprietário de outra equipe de futebol feminino, o Napoli, que igualmente precisou fechar as portas após o seu falecimento. Além de fundador, ele também atuava na linha de frente das duas equipes, o que acabou sendo afetado diretamente depois da sua morte.

Ainda segundo Daniel e Valéria, as contas acabaram ficando altas demais e, infelizmente, ficou difícil de administrá-las depois que Salézio se foi.

“Do dia para a noite nós tivemos que assumir a responsabilidade de 65 pessoas, dois times e um custo mensal de R$ 270 mil. Sendo que esse era o hobbie do Salézio, era a paixão dele, e não nossa, da família. Nós somos hoteleiros. Nosso ramo é uma empresa de hotéis. Sabemos falar de hotel, e não de futebol feminino. E do dia para a noite, apesar de não ser nossa obrigação continuar com tudo isso, nos viramos do zero para organizar e entender como tudo funcionava. Demos o nosso melhor para que a equipe não se encerrasse no meio de uma competição e cumprisse o seu calendário de disputas. Fizemos isso não por ser nossa obrigação, porque esse era compromisso do Salézio, mas fizemos para honrar o nome e o legado dele. Demos o nosso melhor e chegou a hora de encerrar”, finalizaram.

A relação entre Avaí e Kindermann teve início em 2019. Como a vaga conquistada para todas as competições é do CNPJ do Kindermann, o Avaí não tem direito a nenhuma vaga no feminino. Em dezembro, haverá eleições no clube catarinense, que já demonstrou o interesse em assumir o time femino. Esta decisão sairá apenas posteriormente.