Em entrevista ao ESPN.com.br, Suzane Pires falou sobre maternindade e como faz com treinos, viagens, filho e a importância do apoio que recebeu na Ferroviária
A Ferroviária ganhou os dois primeiros jogos e empatou a última partida na Conmebol Libertadores feminina 2021, assim, garantiu o primeiro lugar do Grupo A e passou com folga para as quartas de final. O próximo jogo, é nesta sexta-feira (11), às 17h30, contra o Cerro Porteño, do Paraguai, partida que conta com transmissão pela ESPN no Star+.
Contratada após a conquista da última temporada, Suzane Pires não tem medo de falar sobre um assunto que, para as mulheres, às vezes, pode ser um tabu. Se materninade, fora do meio esportivo gera insegurança, imagina ser mãe quando é preciso físico de atleta.
Há dois anos, quando ainda atuava no futebol português, Suzane ficou grávida e, por conta disso, teve que diminuir a intensidade dos treinos: ‘Quando eu engravidei, o primeiro ano dele (filho) eu fiquei mais parada. E tentava fazer meus treinos, mas nunca dava para ser aquilo que eu planejei. Porque, por exemplo, ele não queria dormir o horário que eu tinha que treinar, e aí não dava certo.’
Como nunca escondeu a vontade de retornar ao Brasil, quando o filho fez um ano, ela voltou para ficar ao lado da família e, assim, conseguir voltar as práticas esportivas: ‘Tinha meus pais, minha família, meu sogro, minha sogra, todo mundo. Então, eu pude ter muita ajuda, juntamente com meu marido e foi onde eu podia começar a treinar mais, eu podia começar a, devagar, voltar a tentar voltar ao físico de atleta’.
Como treinar sozinha não é a mesma coisa que em grupo, chegar na Ferroviária foi muito importante para Suzane.
‘Eu ainda não estava bem como as meninas estavam. Elas estavam muito bem fisicamente, voltando de uma Libertadores. A Ferroviária me ajudou muito a me preparar fisicamente, um cuidado, muita paciência. Foi tudo degrau por degrau. Foi difícil no começo, até tive a lesão na panturrilha por não estar mais acostumada com aquela intensidade. Mas aí depois que engatou foi só para frente, explica a jogadora ao ESPN.com.br.
Para engatar e, hoje, conseguir disputar uma Libertadores, ela contou com a ajuda da Ferroviária e das companheiras de equipe que, agora, são ‘tias’.
‘Por causa do covid, ele não teve muito contato (com as meninas), mas sempre que ele vai me buscar nos treinos com meu marido, vê as meninas, sempre dá tchau, sempre quer conversar. Tem muitas que vem no carro brincar. Ele chama elas, fala toda hora que quer brincar com a tia Nininha, porque eu tenho muita amizade com a Ana Alice. Ele fala que quer brincar com as tias. Assim que né melhorar (a pandemia), eu vou começar a levar ele nos treinos e tenho certeza que ele vai amar isso’, conta toda sorridente.
Se o começo foi um pouco difícil por conta de tempo e treinos, agora, o filho, além de mascotinho da equipe é como um fã número um que assiste todos os jogos.
‘Meu marido coloca na TV, ele assiste e fica falando: ‘A minha mãe, minha mãe’. Quando eu jogo por Portugal, ele fica falando meu nome, porque, lá, quando eu pego na bola, eles falam ‘Suzane Pires’. E quando eu chego em casa ele fala: ‘Mamãe é minha Suzane Pires’.
Como uma bela criança lusitana e que segue os passos da mãe, apesar de viverem no Brasil, o filho torce pela seleção portuguesa: ‘Quando eu vou viajar, eu tento falar para ele uns dois dias antes, começo a conversar com ele, falar que a mãe vai pegar avião, vai jogar em Portugal. Dessa última vez, no dia que eu estava indo viajar, eu acordei e falei para ele: ‘Olha, hoje a mãe vai viajar de avião para Portugal’. Aí, ele falou assim: ‘Mamãe, o Nenê vai, porque o nenê é português’. E ele é mesmo, nasceu lá’, finaliza.
