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'Lá vem o fumacinha...': como vídeos de Dener ajudaram Michael a superar fama de 'peladeiro' e brilhar no Flamengo

Autor do gol do empate com o América-MG, no último domingo, Michael chegou ao Flamengo em janeiro de 2020, após ter sido considerado a revelação do Campeonato Brasileiro de 2019.

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Na época, o atacante atuava pelo Goiás e era treinado por Ney Franco, um dos principais responsáveis pela ascensão de sua carreira. Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, o técnico lembrou os tempos de Série B, quando resolveu dar uma oportunidade ao jovem de 22 anos que era chamado de ''peladeiro'' por ter despontado no futebol de várzea de Goiânia.

''Em 2018, eu cheguei ao Goiás em uma situação bem ruim da Série B. Comecei a avaliar o elenco e estava o Michael, que era pouco utilizado e quase não ia para o jogos. Ele vinha de um clube menor e tinha fama de peladeiro porque tinha vindo da várzea, mas começou em alguns momento a se destacar nos treinos e pelo carisma. Ele encostava para conversar, era o primeiro a chegar aos treinos e o último a sair querendo treinar mais'', contou Ney Franco antes de continuar:

''Comecei a ver nele alguns lampejos de um jogador diferente. Um dia fiz um trabalho de mano a mano de atacantes contra zagueiros. Era uma fila e que o atacante precisava passar pelo zagueiro e finalizar ao gol. Na vez do Michael, sempre fazia algo diferente e ele se sobressaia. Os zagueiros comentavam na vez dele: 'Po, lá vem o fumacinha'. Aquilo me chamou atenção, comecei a observá-lo e o levei para o jogo'', relembrou.

A partir de então, Michael assumiu a posição de titular e desequilibrou, sendo determinante para o acesso do Goiás para a Série A do Brasileiro de 2019.

O treinador, que hoje está sem clube após ter deixado o CSA em agosto deste ano, revelou ainda que um jogador, em especial, ajudou a inspirar Michael. Tratava-se de Dener, ex-atacante com passagens pela Portuguesa, Vasco da Gama e Grêmio, vítima de acidente de carro em 1994, antes mesmo dele nascer.

''Uma vez eu editei um material em vídeo com lances do Dener. Mostrei para ele e disse: 'Michael, embora seja posição diferente - porque o Dener jogava mais por dentro de campo - você tem essas qualidades aqui de pegar, levar para cima e achar o momento certo para driblar, passar ou chutar'. Mandei esse vídeo e ele viu aquele material. Me disse que não conhecia o Dener e ficou surpreso com as jogadas'', contou.

Ney conta que passou a fazer um trabalho dentro de fora de campo para que Michael mudasse a fama de ser um jogador "peladeiro".

"Falei muito com ele de posicionamento do lado esquerdo de campo com a bola e principalmente sem posse de bola. Hoje, ele é um homem de beirada que participa da marcação e não deixa o lateral adversário apoiar. Além disso, tem força para atacar e encarar no mano a mano".

Na primeira divisão, disputou 54 das 64 partidas do time esmeraldino na temporada, fez 16 gols e deu cinco assistências, desempenho que o consagrou com o Prêmio ESPN Bola de Prata Sportingbet e o fez virar principal alvo de grandes clubes na janela de transferências.

"Dei muita confiança e deixei claro que a posição de titular era dele. Quando ele errava, eu não reclamava ou dava esporro, eu só incentivava a continuar. Acho que o desempenho dele foi fruto do talento dele, que é mais importante, mas essa confiança do treinador gerou nele essa personalidade de tentar fazer o diferente", disse Ney.

O atacante chegou a despertar interesse em Corinthians e Palmeiras, mas os paulistas não chegaram a um acordo financeiro com o Goiás. Foi então que o Flamengo desembolsou cerca de R$ 35 milhões por 80% dos direitos econômicos para contar com Michael até 2024.

Com a camisa rubro-negra, o atleta participou das campanhas vitoriosas da Supercopa do Brasil (2020 e 2021), Brasileirão (2020) e Recopa Sul-Americana (2020).

"Não me surpreende o que ele está fazendo. Hoje, é um jogador mais aceito no meio e respeitado onde está. No começo quando chegou tinha esse papo que era peladeiro e conseguiu superar isso. Ele é um jogador tático, que sabe ler o jogo muito bem, Não tem nada de peladeiro. Ele gosta de levar para cima e fazer jogadas individuais. Hoje, está com confiança maior. No começo ele não podia errar porque se cometesse erros corria o risco de não ir para os jogos e nem ser relacionado. Agora, está com mais credito e vai evoluir ainda mais", analisou.