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Por que o ataque do Manchester City, que faz mais de dois gols por jogo, preocupa tanto Guardiola

Não parecem existir muitos problemas com o Manchester City, mas o treinador Pep Guardiola tem a expressão de um homem com a sensação de que tudo pode desmoronar a qualquer momento. Os campeões da Premier League da temporada passada começaram esta campanha com 17 gols em seis jogos em todas as competições e estão três pontos atrás dos rivais Chelsea, Liverpool e Manchester United, com a competição mal chegando ao fim do primeiro turno.

Chelsea e Manchester City se enfrentam, neste sábado (25), às 8h30 (horário de Brasília), pela 6ª rodada da Premier League, com transmissão AO VIVO e exclusiva para clientes Star+. Ainda não é assinante? Clique aqui e saiba mais informações.

Uma vitória de 6 a 3 contra o RB Leipzig, na Champions League na semana passada, colocou o City no topo do Grupo A, após o surpreendente empate em 1 a 1 do Paris Saint-Germain com o Club Brugge. Se o City conseguir vencer no Parque dos Príncipes na semana que vem, cinco meses após uma vitória por 2 a 1 em Paris na primeira partida da semifinal da última temporada, ele colocará um pé na fase de mata-mata muito antes do esperado.

Mas Guardiola não está feliz com a situação de sua equipe neste momento, e talvez isso se deva aos três jogos cruciais que eles devem disputar durante os próximos 13 dias. As consequências dos fracassos do City em contratar Harry Kane ou Cristiano Ronaldo para substituir Sergio Aguero como a referência de seu ataque podem estar prestes a causar problemas.

Depois do que deve ser uma formalidade dentro de casa na terceira rodada da Copa da Liga Inglesa, contra o Wycombe, nesta terça-feira (20), às 15h45 (horário de Brasília), com transmissão AO VIVO pela ESPN no Star+, o City entra em uma sequência de três jogos fora de casa que podem determinar como será sua temporada.

A viagem de sábado pela Premier League para enfrentar o Chelsea é seguida desse confronto contra o PSG três dias depois. E por fim enfrenta o Liverpool de Jurgen Klopp, em Anfield, no dia 3 de outubro.

O City é mais do que capaz de vencer todos esses três jogos e eliminar a negatividade que começou a surgir desde que Guardiola acendeu um alerta, destacando a necessidade de mais torcedores irem apoiar o time depois que apenas 38.062 foram para o jogo contra o Leipzig. O empate sem gols de sábado em casa contra o Southampton contou com a presença de 52.698 torcedores, mas o resultado final, depois que o City conseguiu apenas uma finalização no gol, apenas aumentou ainda mais a frustração de Guardiola.

"Sempre quando o jogo não é bom eu me sinto mal", disse Guardiola após a partida. "[Os torcedores] vêm para assistir a um espetáculo, para ver um jogo. Quando isso não acontece, me sinto um pouco culpado porque não jogamos bem".

Publicamente, Guardiola insistiu que perder Kane e Cristiano Ronaldo não afetou a capacidade de seu time de marcar gols e ganhar jogos, mas a maioria dos treinadores de futebol são inteligentes quando se trata de escolher suas batalhas, e o ex-técnico do Barcelona e do Bayern de Munique não é ingênuo o suficiente para criticar os proprietários do City por não conseguir entregar o centroavante que seu time claramente precisa.

José Mourinho é uma raridade nesse aspecto. Ele tem deixado clara sua insatisfação em clubes anteriores com relação a contratações e o resultado final sempre termina com a sua saída do clube logo em seguida. Outros, como Klopp ou Sir Alex Ferguson durante seu tempo no United, concentram sua raiva ou aborrecimento nos árbitros ou adversários, sabendo que visar proprietários ou jogadores é muitas vezes uma receita para problemas maiores.

Ao criticar a torcida do City, Guardiola usou um representante para transmitir suas frustrações e talvez até seus medos sobre o que está por vir. Sua equipe enfrenta um teste ácido em relação às suas credenciais ao longo das próximas duas semanas e eles não estão prontos.

O City subiu da metade da tabela na última temporada para conquistar o título, acabando no topo da classificação com uma vantagem de 12 pontos, mas a disputa está muito mais forte desta vez, e Guardiola sabe que seu time não pode permitir que Chelsea, Liverpool e United abram muita vantagem facilmente. Uma derrota em Stamford Bridge no final de semana deixaria o City seis pontos atrás da equipe de Thomas Tuchel e aumentaria a pressão antes da ida ao Anfield, mas Guardiola não tem uma solução óbvia para sua falta de um centroavante.

Raheem Sterling, que começou como um falso 9 contra o Southampton, marcou apenas dois gols em suas 22 últimas partidas em todas as competições, enquanto Kevin De Bruyne ainda não marcou nesta temporada e tenta recuperar a boa forma após se recuperar de uma contusão no tornozelo. Gabriel Jesus, atualmente um dos melhores atacante do elenco, marcou apenas duas vezes em seis partidas nesta temporada - a mesma quantidade de Ferran Torres, apesar de Torres ter sido mais utilizado no papel de um camisa 9.

Ronaldo, por sua vez, mostrou o verdadeiro valor de um goleador ao marcar três gols em dois jogos do campeonato pelo United desde que rejeitou o City para voltar ao Old Trafford ao sair da Juventus no mês passado. E no Chelsea, os três gols de Romelu Lukaku em quatro jogos representam uma grande razão pela qual o clube está no topo da Premier League neste momento. Quanto ao Liverpool, Mohamed Salah continua a mostrar porque ele é indiscutivelmente o goleador mais confiável e consistente no campeonato, com quatro em cinco jogos até agora.

O City não tem um CR7, Lukaku ou Salah. Eles têm muitas ameaças em posições de ataque, é claro, mas todos os times de ponta precisam de um jogador que marque pelo menos 20 gols na liga em uma temporada, e Guardiola sabe que não tem alguém com essa característica. Entretanto, ao invés de reclamar em público, ele optou por desabafar ao destacar os torcedores do clube.

O tempo dirá se o humor de Guardiola vai mudar, mas você pode apostar que o resultado dos próximos três jogos fora de casa do City terá uma forte influência sobre seu comportamento.