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Atlético-GO: Adson Batista diz que técnicos brasileiros estão defasados em relação aos estrangeiros

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Presidente do Atlético-GO, sobre técnicos brasileiros: 'Muitos parecem treinador de cachorro, ficam na beira do campo batendo palma e gritando 'pega'' (1:22)

Em exclusiva aos canais ESPN, Adson Batista criticou o nível dos treinadores brasileiros (1:22)

Nesta quarta-feira, o Atlético-GO recebe o Athletico-PR, às 19h15 (de Brasília), pelo jogo de volta das oitavas-de-final da Copa do Brasil.

Nas tribunas, o Dragão certamente contará com o incentivo de seu presidente, Adson Batista, que tem um incrível "recorde" como cartola e torcedor rubro-negro.

"Em 16 anos (como dirigente do clube), nunca perdi um jogo do Atlético", garantiu Adson, em uma longa entrevista concedida ao ESPN.com.br no CT do time, no final de junho, e que tem sua 3ª parte publicada nesta quarta (clique para ler a parte 1 e a parte 2).

Em mais de uma década e meia, primeiro como diretor de futebol, depois como presidente, Batista faturou oito títulos (uma Série B, uma Série C e seis Goianos), além de quatro grandes acesso (um para Série B, três para Série A). O dirigente ajudou a levar o Dragão da divisão de acesso do Estadual a uma hoje segura 9ª colocação na elite do Brasileirão, além das oitavas da Copa do Brasil.

Adson Batista também é conhecido por outro fator: não tem papas na língua.

Durante a conversa com a reportagem, ocorrida em seu escritório no CT atleticano, ele foi muito franco ao ser questionado sobre as diferenças entre os técnicos brasileiros e os estrangeiros.

Na opinião do presidente do Atlético-GO, os treinadores nacionais estão muito defasados em relação aos gringos e necessitam de uma "qualificação profunda" para estar no mesmo nível. A declaração, no entanto, gerou incomodou técnicos brasileiros (leia mais no final da matéria).

"Eu vejo que o futebol brasileiro ainda precisa evoluir muito, em todos os sentidos. Algumas coisas dentro do campo têm que evoluir muito, taticamente falando. Eu vejo alguns treinadores, e olha que já trabalhei com muitos... Tem muito técnico que é treinador de cachorro, fica ali na beira do campo batendo palma e gritando ‘pega, pega, pega’, mas não sabe nem do que está falando em termos de tática", disparou.

"Muitos treinadores dependem muito de seus auxiliares e trabalham só com nome também. Então, eu acho que precisa de uma qualificação profunda dos treinadores brasileiros. Eles estão ficando para trás. Isso é uma opinião minha", seguiu.

"Respeito todos os treinadores brasileiros, respeito a história de cada um, mas ter sido jogador de futebol não é garantia de que será um grande treinador. Tem que ter feeling, tem que ter dom e tem que estudar muito", acrescentou.

Na opinião de Adson, os famosos "estágios" feitos por vários técnicos brasileiros com famosos comandantes europeus nos últimos anos também não servem de nada.

"Eu recebo informações de que alguns treinadores estrangeiros que vieram para o Brasil são muito estudiosos e estão um passo à frente dos brasileiros. Então, nós precisamos realmente qualificar melhor para ver uma evolução", bradou.

"Não adiante o cara falar: 'Ah, eu fui lá no Manchester City, no Chelsea, e fiz um estágio lá'. Isso não adianta nada! O cara tem que fazer um curso bem feito, um negócio bem organizado, profundo, para que realmente qualifique. E não é um negócio só para ganhar dinheiro, e para falar que tem um certificado, porque não adianta nada se não tiver conceito e conteúdo nenhum", complementou.

'Não estamos passando fome'

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1:03

Presidente do Atlético-GO diz que clube não 'acusou golpe' após saídas de Mancini e Cabo e assegura: 'Pagamos bons salários, ninguém aqui está passando fome'

Adson Batista conversou com a ESPN em entrevista exclusiva e analisou a saída dos treinadores

Na entrevista, o ESPN.com.br também questionou Adson Batista sobre um grande desafio que o Atlético-GO enfrentou várias vezes nos últimos anos: como segurar um treinador que vem fazendo boa campanha no clube rubro-negro e recebe uma proposta da uma equipe considerada grande?

Só para citar os últimos anos, houve os casos, por exemplo, de Vagner Mancini, que foi para o Corinthians, e Marcelo Cabo, que preferiu o Vasco, na Série B, à segurança do Atlético na elite nacional.

O próprio técnico atual do Dragão, Eduardo Barroca, já chegou a sair do Dragão após conquistar a Série B, em 2019, para assumir o Coritiba.

Para Adson Batista, os clubes de regiões como Sul e Sudeste pagam valores maiores aos treinadores, o que faz com que eles acabem aceitando as propostas pensando no lado financeiro.

O cartola atleticano, porém, assegura que a equipe de Goiânia paga bem - e em dia.

"Nós já vivemos isso (saída após proposta) com alguns treinadores. O próprio Eduardo Barroca, quando saiu daqui pela primeira vez, o Vagner Mancini... Eu entendo que são propostas num valor diferente, e cada um tem sua particularidade", observou.

"Com todos esses treinadores a gente conversou de maneira equilibrada. No caso do (Marcelo) Cabo, ele tinha o sonho de trabalhar na cidade dele, num grande clube. O Mancini tinha uma proposta muito interessante do Corinthians. Enquanto isso, o Atlético continua sua vida. Buscamos outro profissional com nosso perfil. E é assim que vamos trabalhar sempre. Não vamos acusar golpe", prometeu.

"É evidente que temos que entender nosso tamanho. Somos um clube emergente. Evidente que há certos momentos que chegam propostas mais tentadoras e cada um toma sua decisão. Mas o Atlético paga bons salários. Nós não estamos aqui passando fome! Mas temos um perfil, uma realidade, e a gente sempre busca entender que, acima de tudo, está nosso orçamento e nossa saúde financeira futura", encerrou.

'Aqui não contratamos ex-jogador'

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1:16

Presidente do Atlético-GO: 'Aqui não contratamos ex-jogador e nem atleta com perfil na descendente'

Adson Batista em conversa exclusiva com a ESPN mostrou que segue uma régua alta para a contratação de jogadores

O Atlético-GO se destaca desde 2020 pelo bom "custo-benefício" que consegue com seu elenco. Afinal, consegue bons resultados na Série A com uma das melhores folhas salariais do campeonato.

Para Adson, a estratégia não tem segredo. Basta montar um "time de operários", sem "ex-jogador" ou atleta "com perfil na descendente".

"Futebol é momento. Nós pegamos o Corinthians (na vitória pela Copa do Brasil) apresentando um novo treinador (Sylvinho), que estava tentando implantar um novo sistema. O Corinthians tem ótimos jogadores, tem inclusive atletas que servem para nós. Agora, o Atlético tem uma característica diferente de trabalhar. Aqui, a gente recupera muitos jogadores. Nosso ambiente é diferente. Dentro disso, nós somos um time de operários", argumentou.

"Aqui não tem ex-jogador, não tem jogador com perfil na descendente. Nós temos que correr mais que os outros e trabalhar dentro da nossa realidade. São planejamentos diferentes e que não tem como nos comparar com outros", continuou.

"Há clubes que têm elencos maravilhosos e às vezes não estão dando certo, mas daqui a pouco o jogo vira. Veja o caso do Grêmio. Eles têm um dos melhores elencos do Brasil, e hoje não se encontram bem. Daqui a pouco, a coisa engrena, porque a gente sabe que esses clubes são poderosos e têm elenco. Agora, a gente tem que saber e entender que nós estamos vivendo um bom momento e temos que tentar alongar isso o máximo que der, sem nunca perder nosso foco e seguir trabalhando dentro das nossas características", ressaltou.

"Temos que entender, acima de tudo, que o dia em que não jogamos no nosso limite, vamos perder os jogos. Temos que jogar no nosso limite sempre", finalizou.

Nota oficial da FBTF

Depois da publicação da entrevista com Adson Batista, o ESPN.com.br foi procurado pela Federação Brasileira de Treinadores de Futebol (FBTF), que repudiou as declarações do dirigente do clube goiano. Veja o posicionamento:

A FBTF afirma seu profundo respeito ao Clube Atlético – GO, sua torcida e a todos respeitados Presidentes de Clubes no Brasil.

A FALTA de EMPATIA, do RESPEITO e da ÉTICA
Fomos surpreendidos mais uma vez pelo atual Presidente do Atlético Goianiense, Sr Adson Batista, com suas afrontas ao Treinador de Futebol no Brasil. Não é incomum sua inclinação para a polêmica e a falta de trato com o ser humano. Parece-nos que falta ao Sr Adson Batista a boa educação, a boa formação, a empatia e o exercício dela.

NEM TUDO QUE PARECE BOM, FAZ BEM!
Não nos parece inteligente a crítica sem embasamento técnico, que sem ética, sem a sensibilidade necessária, é incapaz de nos fazer refletir e buscar as soluções necessárias para o crescimento do futebol no país. A começar pela capacitação dos dirigentes, a punição aos clubes mal pagadores, da responsabilidade civil e criminal imposta a todo mal gestor que expõe clubes históricos à vergonha e à bancarrota! Resultado da incapacidade administrativa, esportiva, econômica e moral de muitos dirigentes esportivos.

A FONTE É SEMPRE MAIS VALIOSA QUE A OPINIÃO EM SI!
Quantos Treinadores “internacionais” treinaram o Atlético Goianiense na gestão do Sr Adson Batista a ponto de permitir-lhe alguma nota de atribuição ou comparação com o Treinador de Futebol no Brasil? Quais clubes internacionais dirigiu este dirigente? Quais cursos, diplomas, graduações ou certificações nacionais e internacionais possui, ou títulos de grande expressão possuem o Sr Adson Batista? Quantas vezes representou o país dentro e fora do território nacional em partidas internacionais e oficiais de futebol? Quantas vezes o Sr Adson Batista foi convocado para a Seleção Brasileira como atleta, treinador ou dirigente? Quantos clubes o Sr Adson Batista treinou no país e fora dele?

PRESIDENTE COMENTARISTA
Na agenda do Sr Adson Batista todo pós jogo é dia de coletiva! No anseio de matar a sede da imprensa, o Sr Adson Batista se coloca à disposição nos ambientes mais distintos para aplicar sua peculiar verborreia. Precisa “parecer sem propósito e inofensivo” e em tom de desabafo, quase sem vontade de responder. Porém, o palco é o microfone e a plateia é bancada pela mídia. Suas palavras? Soam como a verdade absoluta, ditas da cabine de um estádio qualquer, sem responsabilidade e qualquer comprovação de eficácia. Verdadeiras falácias.

TEORIA do BODE EXPIATÓRIO
Parece-nos que o Dirigente/Presidente, o homem de muitas faces (mas sem nenhuma formação específica dentro do futebol profissional) do Atlético Goianiense insiste em atribuir suas frustrações, decepções no universo do Futebol, direcionando-as ao Treinador. Talvez seja este o momento oportuno para que o Sr Adson Batista que aprecia migrar entre as funções dentro do Futebol profissional, “suba de nível”. Sugerimos ao Sr Adson Batista que se prepare, invista recursos do seu bolso nos cursos exigidos pela FIFA, CONMEBOL e CBF – isso se o Sr Adson atender a todos os critérios exigidos, caso contrário não poderá se formar e seguir na carreira de Treinador – que o Sr Adson Batista faça suas provas, passe em todas elas e uma vez aprovado nos níveis de Certificação C, B, A e Pró da CBF Academy , (precisará de alguns anos passando por aulas, provas e certificações) enfrente o mercado de trabalho como todo Treinador, se sujeitando as intempéries da profissão, inclusive as ofensas e a difamação.

QUESTÃO DE LÓGICA
Quem sabe o já Treinador Adson Batista, depois de conquistar alguns títulos, a confiança do torcedor e do mercado, receba alguma credibilidade? Considerando este universo, parece-nos mais simples atender ao Estatuto de um Clube, participar das eleições e ser eleito Presidente. É desinteligente dar ouvidos, atenção e credibilidade, ainda que veiculado por algum portal de comunicação, ao que o Sr Adson Batista emite como opinião, já que ele reúne pouco conhecimento e baixíssimo “know how” para que seu parecer técnico mereça qualquer crédito, mérito ou respeito.

TREINADOR DE CACHORRO
Se o trabalhador trabalha e o empregador paga por esse trabalho, sendo estas obrigações e não virtudes, qual será então o verdadeiro talento do Sr Adson Batista como gestor? Se temos no Brasil “treinadores de cachorro” à beira do campo como afirma o Sr Adson Batista, como poderíamos classificar aos Presidentes e Dirigentes de Clubes que usam o Futebol para o enriquecimento ilícito, que fazem e promovem a corrupção, que jogam na lama o nome e a reputação dos clubes, que endividam e levam clubes de futebol à bancarrota, que não honram contratos, que não pagam funcionários, que jogam no CNPJ dos clubes toda sua incapacidade de gestão, ora fraudulenta, ora temerária, acarretando em dívidas milionárias? Por fim, homens que usam o Futebol como trampolim político e autopromoção, no intuito desesperado de migrarem do ostracismo de suas carreiras medíocres e encontrar no Futebol a saída para o palco e a fortuna? Ainda que causem vexame e fraudes.

Reiteramos nosso respeito e admiração a todo bom e exemplar Dirigente Esportivo.

FBTF