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Atlético-GO: Adson Batista compara CBF à Coreia do Norte, exige Liga e nova divisão de direitos de TV

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'CBF tem jatinho e dinheiro, mas só pra ela; clubes brasileiros precisam de liga tipo Espanha ou Inglaterra', diz presidente do Atlético-GO (1:36)

Adson Batista criticou a Confederação Brasileira de Futebol em entrevista exclusiva para a ESPN (1:36)

O presidente do Atlético-GO, Adson Batista, quer mudanças profundas no futebol brasileiro. E para já.

Em uma longa entrevista concedida ao ESPN.com.br em Goiânia, no final de junho, e que tem sua 2ª parte publicada neste sábado, Adson fez muitas críticas à CBF (Confederação Brasileira de Futebol), que vive talvez o momento mais turbulento de sua história, com o atual presidente (Rogério Caboclo) afastado por denúncias de assédio sexual e moral, além de uma intervenção judicial em curso.

De acordo com o dirigente rubro-negro, a CBF não sabe usar sua enorme quantidade de receitas para ajudar os clubes e os campeonatos nacionais. A solução, a seu ver, é que os times brasileiros se organizem em uma liga similar a LaLiga ou Premier League.

"Vamos aguardar a criação da Liga, que é uma possibilidade de ter mais recursos financeiros para os clubes, com vários produtos trabalhando o futebol brasileiro no mundo. Então, a gente tem esse sonho que tudo isso possa acontecer e evoluir. Não temos nada contra a CBF, mas entendemos que ela é um projeto de poder de poucas pessoas. Lá tem jatinhos, muito dinheiro, mas só para ela", afirmou.

"A CBF investe na base, no feminino, mas os grandes clubes precisam de socorro. Acho também, é claro, que tudo tem que ser feito com critérios, se o clube atingiu metas importantes e determinadas, por exemplo. Mas tenho um sonho de que a gente possa se organizar em uma liga como na Espanha e na Inglaterra, trazendo mais investimento para o futebol brasileiro conseguir voltar a competir em um nível superior no mundo", salientou.

Segundo Adson, a Liga é um "anseio" dos clubes, já que o modelo atual do futebol brasileiro, com poder centralizado na CBF e as Federações estaduais tendo o "controle" da Confederação através dos votos, já não é mais coerente.

O cartola atleticano, aliás, compara a CBF à Coreia do Norte, país conhecido por ser um dos mais autoritários e fechados do mundo. E, de acordo com o presidente rubro-negro, é "lógico" que a entidade que comanda o futebol nacional "trabalha contra" a Liga.

"A Liga é um anseio de muito tempo dos clubes. Durante todo o tempo em que estou no futebol, e olha que faz tempo, são mais de 30 anos, a gente ouve a todo momento esse anseio. Lógico que a CBF trabalha contra. Ela tem os interesses dela, e a CBF tem um papel importante. Mas espero que a CBF não se torne de novo uma Coreia do Norte, porque ela era uma Coreia do Norte!", exclamou.

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Presidente do Atlético-GO compara CBF à Coreia do Norte e afirma: 'Lógico que ela trabalha contra uma possível Liga'

Adson Batista defendeu a criação de uma Liga e criticou a Confederação Brasileira de Futebol em entrevista exclusiva para a ESPN

"Essas últimas gestões foram um pouco mais abertas, teve uma sintonia melhor com os clubes, mas ainda tem que melhorar muito. Em vários momentos você não tem com quem falar lá. A CBF é dona do Campeonato Brasileiro, precisa ter uma comunicação melhor com os clubes. Lá você tem diretores bons, como o Gilnei (Botrel), do Financeiro, o (Manoel) Flores (de Competições), que são caras mais novos. Tem outros também. Eles precisam ser mais abertos, precisam ter uma postura diferente", analisou.

"Eu sei que a questão da Liga vai ser muito complexa, vai ter que passar por muitas barreiras, mas espero que dê certo e que a CBF cuide só da seleção brasileira, das seleções de base e da seleção feminina, dando espaço para os clubes ao menos tentarem algo diferente, que traga mais retorno financeiro. A CBF já é autossustentável, ela tem uma estrutura muito grande", seguiu.

"Eu tenho hoje uma boa relação com o presidente da Federação Goiana, mas já fui oposição. Hoje, a gente tem condição de olhar olho no olho. Ele tem evoluído, é um cara novo. Mas entendo que, entre as Federações, muitas só servem para votar lá na CBF. Não contribuem em nada para o futebol! Então, isso é algo que precisamos mudar e entender", explicou.

"Eu sei que sou um time emergente, mas tenho opinião própria e entendo que a CBF precisa evoluir muito, para parar de depender que o futebol brasileiro continue dependendo só dos jogadores negociados lá para fora, onde eles evoluem taticamente, pois técnica têm de sobra, e depois servem a seleção brasileira. A gente precisa ter os grandes jogadores aqui, sendo convocados aqui!", disse.

"Mas como teremos isso? Só com a Liga, com maior poder de investimento, para aí a gente poder brigar com os europeus, com os árabes e com os países com poder de investimento pelo mundo. Só segurando os jogadores a gente vai mantar o Campeonato Brasileiro num nível bom. E como isso vai acontecer? Com as ligas. A gente sabe que existem modelos fantásticos, nos quais os clubes realmente terão muito mais poder de investimento", assegurou.

Os polêmicos direitos de TV

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Presidente do Atlético-GO revela os 3 cartolas do futebol brasileiro em quem se inspira para tocar o clube

Adson Batista listou bons exemplos e também reforçou que aprende com os que erram em exclusiva para a ESPN

Adson Batista tem 16 anos de Atlético-GO, primeiro como diretor de futebol, depois como presidente. São oito títulos (uma Série B, uma Série C e seis Goianos), além de quatro grandes acesso (um para Série B, três para Série A). Em menos de duas décadas, o dirigente ajudou a levar o Dragão da divisão de acesso do Estadual a uma hoje 8ª colocação na elite do Campeonato Brasileiro.

Questionado sobre os cartolas em quem se inspira, ele cita três nomes.

"A gente acompanha, vai pegando experiências e buscando evoluir todo dia. Se eu parar no tempo, daqui a pouco a gente é atropelado. As coisas no futebol são muito dinâmicas. Mas, por exemplo, hoje a referência de administração é o Rodolfo Landim, no Flamengo, o (Mário Celso) Petraglia, no Athletico-PR, e o (Maurício) Galiotte, no Palmeiras. A gente sempre acompanha. E também tem vários clubes que têm problemas, mas com os quais a gente também aprende, pois têm coisas boas também", admitiu.

Uma das questões que o dirigente atleticano mais gosta de discutir é a divisão dos direitos de TV no futebol nacional.

Adson afirma que, atualmente, a situação melhorou muito para os clubes pequenos e médios, mas, na sua opinião, mais reformas devem acontecer para equilibrar o esporte no país, com inspiração no modelo adotado pela Premier League.

Fazendo uma comparação, ele afirma que ninguém gosta de ver um time muito rico "empurrando bêbado na ladeira" ou "jogando contra 'Os Trapalhões'".

"Hoje já está mais justo do que antigamente. Hoje já está tendo uma igualdade maior, na meritocracia. Eu defendo que futebol é meritocracia. Não adianta um clube ganhar muito (da televisão) e ficar empurrando bêbado na ladeira. Precisa de competitividade, de meritocracia", defendeu.

"É evidente que o pay-per-view do Atlético Goianiense não é igual ao de Flamengo e Corinthians. Mas a gente defende que tem que partir para a meritocracia. Os clubes têm muitas maneiras de arrecadar, porque têm grandes marcas, e esse dinheiro para TV e produtos pode ter divisão igual à da Inglaterra: 50% de maneira igualitária e depois vai por ranqueamento, o que é muito mais justo", ressaltou.

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Presidente do Atlético-GO disserta sobre divisão de dinheiro de TV entre clubes: 'Ninguém quer ver time empurrando bêbado na ladeira ou jogando contra 'Os Trapalhões''

Adson Batista ressaltou a importância da competitividade e da meritocracia no futebol em exclusiva para a ESPN

"Não dá para fazer como no passado, quando tinha clube que ganhava R$ 500 milhões, R$ 600 milhões, e outros pegavam R$ 22 milhões. Isso é uma piada! É fazer um futebol que vai na contramão da competitividade, do que o telespectador vai gostar, daquele que vai pagar com prazer o pacote pay-per-view", bradou.

"Tem certos momentos que alguns clubes colocam times sem condição de disputar Série A. Eu mesmo já me coloquei nessa condição. Em 2012, a gente tinha um poder de investimento muito pequeno, era muita disparidade financeira. Aí jogar contra ‘Os Trapalhões’. Você é obrigado a montar um time que não pode disputar a Série A do Brasileiro. Então, a pessoa tem que entender que a gente tem que valorizar o produto e partir para a meritocracia", observou.

"Você vê a Superliga da Europa. Não vai para a frente! Não tem rebaixamento? Isso não existe! Tem que ter rebaixamento, tem que ser sério, ninguém é bobo mais, ninguém acredita em coisas que não têm meritocracia. Espero que isso possa acontecer", finalizou.