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Jean Carlos 'crava' Náutico no G-4 da Série B, celebra boa fase e cita ex-Palmeiras entre inspirações: 'Parava para assistir'

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Jean Carlos diz que boa campanha do Náutico não é 'surpresa' e 'crava' time no G-4 da Série B: 'A gente tem que sonhar' (0:56)

Atleta conversou com exclusividade com o ESPN.com.br (0:56)

Vestindo a camisa 10 do Náutico, o meia Jean Carlos foi eleito o melhor jogador do mês de junho e sem dúvidas é um dos grandes destaques desta Série B. Em 13 rodadas disputadas até aqui, ele já marcou sete gols e ainda contribuiu com quatro assistências no Timbu, que até o momento não perdeu e segue isolado na liderança da competição com 29 pontos.

Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, antes do confronto deste sábado (24) contra o Brusque, nos Aflitos, pela rodda 14, Jean Carlos celebrou a boa fase, revelou os segredos do momento do Náutico na temporada e ainda falou sobre as suas expectativas até o fim da competição. E na sua opinião, o que a sua equipe está fazendo não é surpresa para ninguém no clube pernambucano.

"A gente acreditava demais. Internamente, a gente sabia que iria começar e fazer um grande campeonato. A gente gosta demais de não perder, a gente vende muito caro o resultado, então internamente a gente sabia que poderia alcançar sim estes objetivos", disse.

Sobre a boa fase, o meia, que ganhou o apelido de Jean Mágico da torcida do Náutico, confirmou que vive o melhor momento da carreira.

"Sem dúvidas (é a melhor fase da minha carreira). Acho que ano passado eu também vivi um bom momento em relação a gols e assistências, só que em si, nós do grupo, o nosso time, não passamos por um bom momento. Passamos por uma situação ruim, onde tivemos que brigar para permanecer (na Série B) e, graças a Deus, este ano estamos podendo colher os frutos. Nós fomos campeões estaduais, estamos com uma campanha muito boa na Série B, e sem dúvidas é o melhor momento da minha carreira", revelou.

Com oito pontos de vantagem sobre o Avaí, que neste momento é o primeiro clube fora do G-4, o Náutico somou pontos em todos os jogos que disputou até aqui e também vem se distanciando do segundo colocado, Coritiba, que está quatro pontos atrás. Sobre as perspectivas do Timbu até o final da competição, Jean Carlos disse que acredita na permanência do clube na zona de acesso até o fim da disputa.

"Estamos no começo do campeonato, estamos com esta confiança, estamos construindo uma coisa legal, mas com certeza coloco o Náutico entre os favoritos porque a gente tem que sonhar. Quando começou o campeonato tinha 20 times, os 20 times podem sonhar, a gente era um deles e estamos construindo a todo jogo. Não pela soberba, mas pela confiança no trabalho que nós temos, eu coloco sim o Náutico aí para cravar este G-4. Pelo trabalho que a gente tem feito e pela confiança que nós temos no nosso trabalho", disse.

O camisa 10 também citou a importância do experiente técnico Hélio dos Anjos, de 63 anos, para este bom momento que o Náutico vem vivendo. Segundo o meia, além de ser um treinador pulso firme na hora de cobrar os seus jogadores, ele também seu lado engraçado e é visto como um pai no time.

"O Hélio é uma figura, tanto ele quanto o Guilherme (dos Anjos) são mais dois pais ali, que a gente arrumou dentro do clube. Acho que o Hélio tem uma parcela gigante nesta mudança do clube, nesta mudança do nosso time. É um cara que cobra na hora que tem que cobrar e a gente aceita esta cobrança porque a gente sabe que ele está nos cobrando porque temos a oferecer, por tudo o que já mostramos e estamos mostrando. Na hora que ele tem que ser duro ele é, mas na de elogiar, que é algo que ele sempre faz no vestiário, ele também elogia, mas sempre mantendo os pés no chão porque ainda não conquistamos nada ainda. Ele nos dá esta confiança, muito grande, para entrarmos dentro e campo e pensar apenas em jogar futebol", disse.

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Jean Carlos vê Hélio dos Anjos como um pai no Náutico e brinca sobre lado 'personagem' do treinador: 'A gente ri demais'

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"Demais (dá muitos puxões de orelha). É nos treinos, nos jogos, ele não tem problema nenhum em apontar dedo e cobrar. A gente aceita demais isso porque a gente sabe que isto nos ajuda, é para o nosso bem. No dia a dia, quando não agrada ele nos treinamentos, ele para, dá sim a dura dele, cobra, para o melhor, e isso tem nos ajudado demais. Nos jogos é a mesma coisa", prosseguiu.

"Ele sempre faz piada das coisas que acontecem com ele, ele sempre brinca e a gente respeita muito. Sempre fica entre nós, com todo o respeito, comentando, brincando com as coisas que ele fala, na preleção, nos treinos. Ele sempre tem uma história legal, engraçada, e a gente ri demais depois, mas claro que com todo o respeito, mas ele é uma figura. Cada dia tem uma história legal e engraçada das piadas que ele faz com a gente", concluiu.

Além de Hélio, Jean também elogiou bastante um outro companheiro seu de Náutico: o atacante Kieza.

"O Kieza foi um dos atacantes mais inteligentes que eu já joguei. É um cara que tem uma visão de jogo, de espaço, é um cara que para tomar a bola dele é muito difícil. É bom na jogada aérea, é bom finalizador. Está sempre ali com a gente, é um cara do bem demais e está sempre nos orientando pela experiência, hoje é o capitão do nosso time. É um cara que admiro demais e sem dúvidas, se não é o melhor, é um dos melhores com quem já joguei", disse.

Em relação aos rivais do Timbu na Série B, Jean Carlos também foi perguntado sobre o motivo pelo qual clubes como Botafogo e Vasco, rebaixados na Série A da última temporada, vêm tendo dificuldades neste início da competição e respondeu.

"É uma competição difícil e acho que leva um tempo para eles entenderem que é diferente de uma Série A porque na Série B é mais pegado, tem o jogo jogado sim, como a gente vem fazendo, mas na Série B é um jogo de imposição, de briga, de disputa. Não adianta entrar só com a camisa, acredito que você tem que ir construindo jogo a jogo. Acredito que estes times vão se reerguer ao longo da competição porque pela força que têm em relação à camisa, em relação à torcida, clube, mas acredito, posso estar enganado, mas o meu ponto de vista é esse. Na Série B você tem que viver a cada jogo, brigar jogo a jogo, tanto em casa quanto fora e tem que pontuar", declarou.

Desde 2019 no Náutico, o meia vem tendo um bom desempenho pelo clube há algumas temporadas. E a boa fase nos últimos anos inclusive já despertou o interesse de clubes da elite do futebol brasileiro, como ele mesmo revelou.

"Desde quando eu cheguei esta camisa me deixou muito confortável, confiante desde quando eu vesti ela. Completei dois anos desde a minha estreia no clube e foram só alegrias aqui. Ano passado não passamos por um momento bom, mas eu estava sempre procurando dar o meu melhor e procurando ajudar o clube. Graças a Deus este ano estou podendo colher os frutos. Não é segredo, não tem por que mentir, aperecem sim (interessados), como todos sabem, está aí nas redes. É normal quando um jogador vem se destacando terem estas sondagens, propostas, mas eu estou muito tranquilo quanto a isso. Está nas mãos de Deus, o que for bom para mim, para o clube, tudo vai ser conversado. No momento estou muito feliz aqui, estou focado em levar o Náutico para a Série A e buscar este título, que é o mais importante no momento", revelou.

Passagem por grandes de São Paulo e Valdivia entre referências

Aos 29 anos, Jean Carlos nasceu no Paraná, mas começou a carreira no Palmeiras. Em 2010, ele disputou três partidas oficiais pelo profissional do clube paulista, mas não conseguiu se firmar, deixando o clube em 2013. Três anos depois, foi para o São Paulo, mas também não deu certo.

Sobre esta fase da carreira, que ainda contou com passagens por Goiás e Coritiba, ele revelou que cometeu muitos erros e foi o único culpado pelo fracasso durante este período. Entretanto, conseguiu dar a volta por cima alguns anos depois.

"O grande culpado por não ter dado certo nestes clubes sou eu. Eu levava uma vida totalmente fora de um atleta profissional. Tive algumas oportunidades, passei pelo Palmeiras, São Paulo, Goiás, Coritiba, fazia alguns jogos bons, mas não tinha este destaque, esta sequência. Não coloco culpa em ninguém, em nenhum dos clubes, o grande responsável é o atleta, a gente costuma reclamar muito, botar culpa no treinador, no diretor ou algo do tipo. Eu não, eu assumo totalmente a minha culpa. Desde que eu mudei a minha vida totalmente, passei a ser um atleta profissional e comecei a colher os frutos. Agradeço a Deus demais por isso e espero continuar podendo fazer um bom trabalho", disse.

Por último, Jean ainda lembrou do convívio com dois jogadores para lá de conhecidos pelo torcedor brasileiro e que teve o prazer de conhecer no Palmeiras: os meias Marcos Assunção e Valdivia. Sobre Assunção, ele lembra que parava nos treinos para ver o ex-jogador cobrando faltas.

"É um cara que eu parava, sentava para assistir. Era impressionante o aproveitamento de faltas que o Assunção tinha, estávamos todos os dias ali com ele. Não dava nem para chegar perto da bola. Eu sempre tive as minhas características, mas sempre parava nos treinos para ver ele cobrando as faltas, que era algo para você parar, sentar, pegar um café e ficar olhando. Era coisa de outro mundo o que aquele cara fazia nas bolas paradas", disse.

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Jean Carlos relembra tempos de Palmeiras, diz que 'parava para assistir' Marcos Assunção cobrar faltas e cita inspiração em Valdivia: 'Qualidade sensacional'

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Ele também elogiou bastante o meia chileno, quem colocou entre as suas referências nos gramados.

"É um dos meias hoje que eu sempre parei para ver jogar. Hoje já está mais para o fim de carreira, pela questão da idade, mas era um cara sensacional, a qualidade que ele tinha para segurar a bola, achar passe. É um cara que eu parava para assistir e me espelhei algumas vezes sim. Ele com a bola no pé, a visão de jogo que ele tinha. Eu, que sou mais novo, não vi igual. Podem ter outros no futebol, aí vai da opinião de cada um, mas o Valdivia era um cara fora do normal para mim", finalizou.