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Nova liga no Brasileirão? As propostas da 1ª vez que clubes se rebelaram contra a CBF

Os clubes brasileiros se uniram e fizeram uma reunião com a CBF na última terça-feira. Entre as ideias, está a intenção de criar uma “Liga” para organizar o Brasileirão e alterar as eleições na entidade. O movimento, contudo, não é novidade no futebol nacional.

A história de ‘rebeliões’ da elite das equipes brasileiras tem registros há mais de 30 anos. Em 1987, por exemplo, houve a criação de uma liga com propostas ousadas e até semelhantes. Uma delas, inclusive, falava em direito de negar jogadores para a seleção.

Tudo começou quando o presidente da CBF na época, Octávio Pinto Guimarães, afirmou que “dificilmente haveria verba para realizar um campeonato nacional”. Eram outros tempos, afinal, a entidade hoje possui enorme receita.

Em julho de 1987, então, treze agremiações fundaram o que ficou conhecido como o Clube dos Treze: Atlético-MG, Bahia, Botafogo, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Internacional, Palmeiras, Santos, São Paulo e Vasco.

Dada a situação da CBF, eles prometiam organizar o Brasileirão naquele ano, além de outras ousadas propostas.

Veja as propostas do Clube dos Treze em 1987:

  • Realização da “Copa União”, que seria o Brasileirão de 1987, com os 13 clubes

  • Realização de outra competição em 1987 com os demais clubes, classificando 19 equipes para o ano seguinte (1988). Os três primeiros jogariam a elite em 88, enquanto os outros 16 fariam a Série B nacional em 88.

  • Diminuição dos clubes no Brasileirão e nos estaduais, com terceira divisão sendo regionalizada.

  • Jogos apenas nos finais de semana a partir de 1988

  • Elaboração do calendário nacional seria responsabilidade do Clube dos Treze a partir de 88.

  • Convocação de jogadores pela CBF não seria mais obrigatória, mas opcional, precisando de prévia consulta aos clubes.

  • Direito de voto exclusivo dos clubes das séries A e B nas eleições da CBF, além do voto ser qualificado (ou seja, com pesos diferentes).

  • Formação do “Conselho Arbitral da CBF” com participação dos clubes das séries A e B

  • Os 13 abririam mão da receita da Loteria Esportiva em 1987, que iria diretamente para os clubes não privilegiados naquele ano.

A “rebelião”, contudo, não foi bem aceita por todos.

Um exemplo veio dos clubes pernambucanos, que ficaram de fora. À época, o presidente do Santa Cruz, José Neves, chamou os Treze de “traidores”. No Paraná, a via encontrada foi a Justiça, com o Coritiba conseguindo liminar para que o Brasileirão não fosse disputado sem sua presença.

O presidente interino da CBF, Nabi Abi Chedi, chegou a prometer excluir os treze clubes de filiação da entidade.

A briga se estendeu, e a CBF decidiu criar seu próprio campeonato. A entidade determinou que os dois melhores de cada competição, a da CBF e a do Clube dos Treze (as quais ela chamou de módulos) se enfrentassem num quadrangular final para definir o campeão brasileiro de 1987.

O Flamengo venceu o “módulo verde” (do Clube dos Treze), ao passo que o Sport faturou o “módulo amarelo” (da CBF).

Flamengo e Internacional (melhores do Clube dos Treze), no entanto, se recusaram a disputar o quadrangular final. Sport e Guarani (melhores da CBF) voltaram a se enfrentar, com título brasileiro chancelado pela CBF para os pernambucanos.