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Funcionária que denunciou Caboclo por assédio depõe na CBF e gera comoção entre funcionários

A funcionária que denunciou o presidente afastado da CBF Rogério Caboclo por assédios sexual e moral voltou à sede da entidade após mais de dois meses. A moça que trabalhava diretamente no gabinete do cartola esteve no prédio na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, na última segunda-feira (14) para depor na Comissão de Ética da confederação - órgão interno que conduz o caso.

A presença da funcionária afastada - ela pediu licença alegando problemas de saúde em meio ao assédio sofrido - gerou comoção entre colegas e muita emoção da mesma. Segundo diversos relatos ouvidos pela reportagem do ESPN.com.br, a moça não conseguiu segurar as lágrimas em seu retorno ao local. Não foram poucos os abraços recebidos por ela.

Ainda de acordo com as pessoas que conversaram com a reportagem, todos procuravam passar força para a mulher e ressaltavam sua coragem e importância para o futuro da confederação.

Responsável pela denúncia entregue à Comissão de Ética no início do mês, ela foi ouvida pela Câmara de Investigação e reforçou tudo que fora relatado na peça de 12 páginas apresentada inicialmente.

Evitando maior exposição, a moça procurou não demorar no local e, apesar de todo o contato e carinho com os colegas, deixou a CBF assim que terminou de prestar esclarecimentos ao órgão que investiga o caso.

Se entre os colegas a sensação era de afeto e acolhimento à funcionária, na alta cúpula um clima era de total apreensão. Alguns diretores evitaram qualquer contato com a mulher tão logo souberam da presença no prédio. Segundo relatos, era nítido o clima de constrangimentos daqueles que sabiam do caso há alguns meses e esperaram a vítima agir sem que nada fizessem antes.

O clima de pressão entre os diretores, inclusive, é potencializado a cada chamado da Câmara de Investigação da Comissão de Ética para ouvi-los. Muitos não escondem o receio de alguma punição pela omissão diante dos fatos relatados a eles desde março deste ano.

A Comissão de Ética, no entanto, foca seus esforços na aceleração da produção do relatório final sobre a situação do investigado Rogério Caboclo.

O presidente afastado tem até o final deste mês para apresentar sua defesa no órgão. O fato de a funcionária ter apresentados provas diretas sobre a acusação de assédio, no entanto, deve acelerar a tomada de decisão, uma vez que dificilmente os responsáveis cobrarão novas evidências sobre o assédio praticado.

Após o relatório final produzido pela Câmara de Investigação, o caso será definido pela Câmara de Julgamento da Comissão de Ética da CBF. Não há um prazo estabelecido para tal resolução, mas as pessoas envolvidas acreditam em uma rápida sentença.

Do ponto de vista político, o alto comando da entidade também pressiona para que o caso não se arraste. A ideia é acelerar o processo de transição da presidência tão logo a decisão saia. A ampla maioria dos cartolas não acredita que Caboclo escape de um afastamento definitivo do comando da CBF. Com isso, o presidente em exercício, teria 30 dias para convocar uma nova eleição - entre os vice-presidentes - para definir aquele que conduzirá a entidade até abril de 2023.