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Eurocopa: estável, Eriksen recebe visita de companheiros, que prometem jogar competição por ele

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O estado de saúde de Christian Eriksen, jogador da Dinamarca, segue estável desde que ele sofreu uma parada cardíaca e desmaiou durante a partida de abertura de sua equipe na Eurocopa 2020 contra a Finlândia, no último sábado (12).

Seu companheiro de equipe Pierre-Emile Hojbjerg, do Tottenham, disse que o meia enviou uma mensagem de vídeo direto do hospital para dizer que tudo está indo bem e que a Dinamarca precisa se concentrar no seu próximo jogo, contra a Bélgica, na quinta-feira (17).

"Estamos em contato com ele. Estivemos em contato com ele ontem e hoje. [Sua] condição é a mesma de ontem, estável, boa", disse Jakob Hoeyer, diretor de comunicações da associação de futebol dinamarquesa, aos repórteres nesta segunda-feira (14).

Eriksen, de 29 anos, foi levado ao hospital em Copenhague, na Dinamarca, depois de desmaiar no gramado, aos 43 minutos do primeiro tempo. Ele tinha acabado de dar um passe curto, quando caiu de cara no chão e recebeu atendimento médico urgente por cerca de 10 minutos.

A Uefa anunciou pouco tempo depois que o jogo seria suspenso, antes do mesmo ser retomado, terminando em vitória da Finlândia por 1 a 0.

O agente de Eriksen, Martin Schoots, disse que o jogador está sendo submetido a exames detalhados diariamente.

"Todos nós queremos entender o que aconteceu com ele e ele também. Os médicos estão fazendo alguns exames detalhados, vai levar tempo", disse Schoots ao jornal italiano Gazzetta dello Sport nesta segunda. "Christian não desiste. Ele e sua família querem agradecer a todos."

"Nós conversamos esta manhã [domingo]. Ele estava brincando e de bom-humor, ele estava bem", acrescentou.

Eriksen estava jogando sua 66ª partida desde que o futebol foi reiniciado pós-paralisação devido à pandemia de COVID-19.

A Uefa afirmou que tratou do assunto da maneira mais cuidadosa possível na altura.

“A Uefa tem toda a certeza de que tratou o assunto com o maior respeito, vide a situação delicada e pelos jogadores. Foi decidido reiniciar o jogo apenas depois que as duas equipes pediram para terminar o jogo no mesmo dia".

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"A necessidade dos jogadores de terem pelo menos 48 horas de descanso entre as partidas descartou outras opções", disse.

Jonas Baer-Hoffman, secretário-geral do sindicato internacional dos jogadores, FIFPRO, disse que a decisão de retomar a partida não deveria ter sido tomada imediatamente após o incidente.

“Teria sido melhor cancelar o jogo naquela noite. Demore um pouco, respire, olhe com um pouco mais de distância, veja quais são as opções para continuar com o jogo ou não, e se o jogo não pode ser retomado, então eu acho que também não seria muito importante em comparação com o que aconteceu lá com Christian ", disse ele à Reuters.

"Os jogadores provavelmente não tiveram uma opção real em termos de tomar uma boa decisão, que estava equilibrada naquele momento, como eles estavam mentalmente", acrescentou.

"Há muitas lições que precisam ser tiradas disso", disse, acrescentando que eles estão realizando uma revisão junto à Uefa.

As mensagens de apoio chegaram de dentro e fora do campo, e Schoots disse que elas ajudaram Eriksen em sua recuperação.

"Ele estava feliz porque entendia quanto amor ele tinha ao seu redor", disse Schoots. “Ele recebeu mensagens de todo o mundo".

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“Ele ficou particularmente impressionado com quem joga na Inter de Milão; não só com seus companheiros, que ouviu por meio de mensagens, mas também com a torcida. Metade do mundo nos contatou, todos estão preocupados. Agora ele só precisa descansar. A esposa e os pais estão com ele. Mas, de qualquer forma, ele quer apoiar seus companheiros de equipe contra a Bélgica".

Os demais jogadores da Dinamarca disseram que vão jogar os próximos jogos na Euro em homenagem ao companheiro de equipe.

"Ainda estamos na disputa. Agora, temos que tentar ver se conseguimos ser campeões e fazer isso por Christian e por todos os torcedores que estiveram conosco e estavam tão impotentes quanto nós", disse o goleiro da Dinamarca, Kasper Schmeichel, à emissora de televisão DR.

"Não tenho dúvidas de que esta equipe tem unidade, força para se juntar, sair e fazer algo especial".

Schmeichel disse que também tinha visitado Eriksen no hospital: "Foi muito bom vê-lo sorrir e rir, sendo ele mesmo, te fazendo sentir que ele está ali. Foi uma grande experiência e algo que me ajudou muito."

Schmeichel e outros jogadores falaram com a imprensa pela primeira vez desde a partida contra a Finlândia.

"Todos nós jogamos pelo Christian. Isso é certo", disse Pierre-Emile Hojbjerg, também ao DR.

Hojbjerg acrescentou que poder ver o sorriso de Eriksen lhe deu "energia" e que a equipe jogará pelo meia contra a Bélgica.

Enquanto isso, o ex-meio-campista do Bolton, Fabrice Muamba, disse que o colapso de Eriksen trouxe de volta memórias dolorosas da sua própria parada cardíaca e que o maior desafio do dinamarquês para se recuperar do incidente será no âmbito mental.

Muamba, que desmaiou em campo numa partida da Copa da Inglaterra em 2012, disse que demorou mais de um ano para aceitar o ocorrido, que o obrigou a se aposentar cedo, aos 24 anos.

“É muito cedo para saber sobre sua saúde física, mas posso falar da batalha mental que, em muitos aspectos, é a parte mais difícil da jornada que temos pela frente”, escreveu Muamba em sua coluna para o The Times.

"Meu conselho é dar um passo para trás e aproveitar de todo o tempo que for preciso, porque isso definitivamente o afetará mentalmente, juntamente com a sua família.

"Essa preocupação passa pela cabeça, não importa o que os médicos digam. Não é fácil superar."

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Eriksen é estabilizado e está consciente após cair desacordado em jogo da Eurocopa

Por volta das 14h55 (de Brasília), a Uefa informou no telão do estádio que "Eriksen está estável e acordado". O jogo acabou recomeçando às 15h30.

Muamba ainda disse que os companheiros de equipe de Eriksen, que o protegeram da multidão e das câmeras enquanto ele recebia uma massagem cardíaca em campo, também vão precisar de apoio.

"Eles não sabiam se seu amigo sobreviveria", disse Muamba. "Achei incrível a forma como os jogadores da Dinamarca o cercaram - para protegê-lo."

Sanjay Sharma, de St. George's, da Universidade de Londres, e que foi cardiologista de Eriksen no Tottenham, seu ex-clube, disse em um relatório da Reuters que o craque do Inter de Milão terá que decidir se deseja voltar a jogar, mas que as leis federais rígidas na Itália podem impedí-lo disto.

"Na Itália, as leis são muito, muito rígidas e entendo que seria contra a lei ele praticar esportes a nível profissional na Itália", disse Sharma.

“Outros países são um pouco mais liberais e respeitam a autonomia do atleta, então na melhor das hipóteses ele consegue colocar um desfibrilador e pode jogar em alguns países.

"Mas na maioria das situações como esta, é uma situação de fim de carreira".