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Artifícios, protesto e walkie-talkie: o som ao redor da Arena Pantanal

Voltar ao estádio após um ano e vários meses se tornou uma experiência completamente estranha.

A movimentação intensa nos arredores, a longa fila para entrar, a arquibancada colorida.

A vaia, o grito, a tensão, o "gol" preso porque a bola não entrou, o gooooool solto a plenos pulmões...

A experiência de ver Colômbia x Equador pela Copa América não teve isso. A Arena Pantanal é linda, mas faltava a parte que transforma o esporte em entretenimento (e filosofia) coletivo: a torcida.

Do lado de fora, o protesto incessante de profissionais da enfermagem em busca de melhores jornadas, melhores salários... melhores condições para cuidar de quem cuida de milhões.

Do lado de dentro, era possível ouvir os gritos de "sale, sale" de Ospina e Mina após uma bola parada equatoriana.

Ao meu lado, o analista de desempenho do Equador pega o walkie-talkie para falar com um auxiliar que estava ao lado do técnico Gustavo Alfaro. Um botão apertado, mensagem enviada, sem gritos intermediários para acabar o recado, sem repetições. Estranho, né?

Mas quem disse que não havia torcida? O sistema de som da Arena Pantanal deixava um "ambiente" gravado em looping. O que transformava uma bola recuada ao goleiro, por exemplo, em uma chance nas vozes que ecoavam pelo estádio.

Berros, só dos bancos ou dos jornalistas em suas posições na arquibancada vazia. Privilegiados? Não sei dizer. Repórter tem que estar onde a notícia está. Sem torcida, a verdade pode parecer fake news.

Os meses sem assistir ao vivo a uma partida estão finalmente contados? Tomara.

O som do futebol é para e por todos.