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Lahm: 'Se pudesse, Guardiola escalaria 11 Iniestas, mas mostrou que não é só adepto do 'tiki-taka''

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Barcelona ou Manchester City: qual é a melhor 'versão' de Guardiola? Renato Rodrigues analisa (2:50)

Trabalhos do treinador foi assunto no SportsCenter (2:50)

O ex-lateral Phillip Lahm foi convidado pelo jornal espanhol El País para escrever um artigo sobre como é trabalhar com Josep Guardiola, técnico do Manchester City, e publicou seu texto nesta quinta-feira.

Lahm foi comandado pelo catalão entre 2013 e 2016, no Bayern de Munique, e lembrou diversos episódios marcantes com Pep, além de conselhos dados pelo catalão.

Para o ex-atleta, Guardiola sempre teve suas convicções sobre futebol, mas, ao longo da carreira, foi se libertando de dogmas e aprendendo a se adaptar ao que seu clube precisava no momento.

Veja abaixo o texto de Lahm:

Tenho muitas lembranças de Pep Guardiola. Ele sempre me dizia: 'Nas partidas importantes, simplesmente escalo os 11 melhores que tenho'. Você tem que escutá-lo com cuidado. Essa frase contém a chave do futebol: a qualidade individual.

Guardiola é um treinador de ponta, que fica encantando com a habilidade e o talento de seus jogadores. Alguns treinadores querem reduzir a complexidade do futebol. Guardiola, ao contrário, quer dominar essa complexidade. Poderíamos comparar seu trabalho ao de um grande mestre do xadrez, ou ao de um maestro de orquestra, que tenta tirar o melhor de cada instrumentista.

Um grande treinador sempre sabe o que cada jogador pode fazer em uma partida e, logo, quem será sua peça-chave para cada jogo. Em seguida, ele comunica a cada jogador quais são seus pontos fortes e fracos, e também dos adversários. Ele ajusta as tarefas e funções de cada um a cada dia. Guardiola faz isso com uma paixão que nunca vi em nenhum outro técnico. E é assim que todo mundo, inclusive aquelas que têm menos minutos, aceitam que o treinador tem razão. Isso lhe dá uma autoridade absoluta.

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Depois do auge que alcançou na Espanha, o que se viu foi Guardiola sempre se adaptando. O Barça era uma equipe em que praticamente todos tocavam bem vários instrumentos. Quando ganharam a Champions em 2009 e 2011, asfixiavam seus rivais. Esse estilo era possível porque todo o clube segue a ideia de futebol total de Johan Cruyff. Guardiola se vê como um espelho dessa tradição: se ele pudesse, escalaria 11 Iniestas.

Em outros clubes, ele teve que sacrificar um pouco seu idealismo. Em Munique, deixou que os especialistas Ribéry e Robben atuassem pelos flancos, enquanto os laterais caíam para o meio quando a equipe tinha a posse de bola.

Com o equilíbrio que há na Premier League, Guardiola não conseguiria alcançar o mesmo nível de domínio que teve com Barcelona e Bayern. O City joga neste momento com um estilo mais cauto, contando com defensores atléticos e que se impõem no jogo aéreo. A equipe, por vezes, entrega a bola, recua, defende sua área, toma um ar e espera para armar o contra-ataque. O treinador aprendeu a aproveitar os gols simples, como os de escanteio e chutes de fora da área. Ele viu que esses gols também são bonitos. Hoje, ele não é só um adepto do "tiki-taka" ultraofensivo. O que Guardiola faz é desenvolver as capacidades de seus jogadores, pensando o que cada um pode fazer no ataque e na defesa.

Inclusive, Guardiola foi capaz de "inventar" posições, como fez com o excepcional Messi, convertendo o craque em uma das maravilhas do mundo sob seu comando, com a reinterpretação do que é o centroavante.

Guardiola homenageia seus jogadores e não "se coloca" no sistema, seja o esquema o 4-3-3, o 3-5-2 ou qualquer outro. Ele é um amigo dos jogadores e está a serviço deles. Por isso, todos amam Guardiola.