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Felipe Nunes conta como saiu da 4ª divisão para o Grêmio e revela como surgiu história de 'Garoto do YouTube'

Quando tinha apenas 21 anos, Felipe Nunes deu um salto enorme em sua carreira. Após ser destaque da Independente de Limeira na Série B do Paulistão (na prática a quarta divisão), o meia transferiu-se de graça para o Grêmio no final de 2011.

À época foi muito comentado que ele havia sido contratado após a diretoria do time gaúcho ter se encantado com um vídeo no YouTube dos seus melhores momentos na equipe do interior paulista.

Quase uma década depois de ir para Porto Alegre, Felipe garante que a história não foi bem assim...

“A gente tinha acabado de conseguir o acesso para a Série A3 do Paulista e houve uma reunião para eu ir jogar no Rio Branco de Americana-SP. Um dos empresários que estava lá era o Jorge Machado, que tinha um rapaz que captava jogadores e me acompanhava. Eu disse que não ia para o Rio Branco porque tinha um empresário chamado Marcelo Lipatín [ex-atacante do Grêmio], que cuidava da minha carreira. O Jorge ligou para o Lipatín, e eles fizeram negócio na hora”, contou ao ESPN.com.br.

Felipe foi um dos três jogadores que o empresário Jorge Machado levou ao clube gaúcho à época. Os outros dois foram o atacante Kleber Gladiador (ex-Palmeiras) e o zagueiro Douglas Grolli (ex-Chapecoense).

“Eles estavam captando jogadores jovens para o Grêmio. Eu era uma opção porque o braço direito do Jorge Machado já tinha me visto jogar e falava bem de mim”, contou.

“Abriu-se as portas do Grêmio, mas não foi por causa do vídeo. Só depois que ele ficou pronto e foi publicado no YouTube. Falam como se o material tivesse ido e eu tivesse sido contratado por isso. Mas não foi bem assim. Por causa disso, virei ‘o garoto do YouTube’ e o vídeo viralizou mesmo (risos). Mas todos os jogadores possuem um material”, explicou.

Apesar da alta expectativa, Felipe garante que não recebeu uma pressão a mais por causa do famoso vídeo.

“Fui muito bem recebido pela torcida e pelos companheiros em Porto Alegre. Era um jogador jovem e precisava mostrar minha qualidade e lutar pelo espaço”.

“Meu melhor momento foi quando dei um passe para o Werley fazer um gol contra o Ypiranga pelo Gauchão. Pude mostrar minha qualidade, driblei e fiz todas as jogadas que costumo fazer”, contou.

No time tricolor, porém, ele não teve muitas oportunidades. Foram apenas seis jogos oficiais, quatro no Estadual e dois na Copa do Brasil, em todos eles vindo do banco de reservas.

“Estava vindo numa sequência boa com o [técnico] Vanderlei Luxemburgo, que acreditava muito em mim e conversa bastante. Ele não queria que eu usasse chuteira colorida, sempre me dava uns toques. Eu estava entrando nos jogos, mas lesionei a coxa antes do jogo contra o Bahia pela Copa do Brasil. Depois disso, perdi espaço porque chegaram vários jogadores como Elano, Rondinelly e o Zé Roberto. Eu somente treinava e viajava para os jogos, mas não entrava”, lamentou.

Do Grêmio para a Tailândia

Em 2021, o meia pediu para ser emprestado para obter mais minutos em campo. Depois disso, nunca mais atuou pelo Grêmio até o fim de seu contrato, em 2015. Antes disso, ele rodou por Figueirense, Portuguesa e Capivariano.

“Foi um passo precipitado porque saí da Série A do Brasileiro para a Série B em um time com problemas financeiros. Infelizmente, as coisas não foram do jeito que eu gostara, mas só tenho que agradecer ao Grêmio”, contou.

Felipe ainda atuou por Botafogo-SP, Bragantino, Passo Fundo e Anápolis antes de mudar-se para o FC Shukura Kobuleti, da Geórgia.

“Passei a rodar por vários times, mas nunca fiquei desempregado muito tempo, sempre emendei um clube no outro. Na Geórgia foi muito bom porque depois de tantos anos consegui uma sequência de jogos. No Brasil, trocam-se muito os treinadores e os times contratam muitos jogadores”, analisou.

Depois, ele defendeu o Jeddah Club, da Arábia Saudita, antes de voltar ao Brasil para jogar o Paranaese pelo Rio Branco.

“O [ex-meia de Coritiba e Grêmio] Tcheco era o treinador e me deu a camisa 10. Joguei muito bem, e fizemos uma campanha histórica. Depois, fui para o para Azuriz-PR e subimos para primeira divisão do Estadual. O clube tem muita estrutura e irá dar o que falar porque um dos investidores é o Marcelo, do Real Madrid”.

No ano passado, ele transferiu para o Songkhla FC, que caiu para a terceira divisão na última temporada.

"Gosto muito da vida no país. Fui muito bem recebido pelas pessoas aqui. é um país muito seguro para se viver. Uma vez perdi minha carteira com passaporte e dinheiro, mas na mesma hora me devolveram. É um time com bastante torcida como o Santa Cruz no Brasil. A minha ideia é permanecer na Tailândia depois que renovei meu contrato”, contei.