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Campeão olímpico com Brasil, Rogério Micale comanda ex-astros da Europa em 'Flamengo das Arábias'

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'Rei dos Clássicos' também na Arábia Saudita, Fábio Carille fala sobre sucesso em jogos decisivos (0:57)

Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, treinador abriu o jogo sobre bom momento à frente do Al-Ittihad e destaque no futebol da Arábia Saudita (0:57)

Treinador da inédita medalha de ouro do Brasil no futebol na Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro, Rogério Micale é o líder da Liga da Arábia Saudita e pode conquistar o título com o Al-Hilal.

A equipe de Riyadh, que é a maior campeã nacional com 16 conquistas, já foi comandada por Jorge Jesus e tem uma estrutura invejável. Além de ter a maior torcida do país, já venceu a Champions League Asiática e foi semifinalista do Mundial de Clubes de 2019, quando foi derrotada de virada pelo Flamengo.

"É uma loucura! Estamos vivendo uma pandemia, e não temos torcida no estádio. Vi fotos, vídeos e o carinho dos faz pela internet. Realmente não é um clube só da Arábia, tem muitos fãs no Oriente Médio. Fazendo um comparativo com o Brasil, lembra muito o Flamengo e o Corinthians. O carinho é muito grande por onde passamos, mesmo nas viagens e hotéis. É uma torcida enorme", disse, ao ESPN.com.br.

O time é muito rico e conta no elenco com nomes famosos como Giovinco (ex-Juventus), Gomis (ex-Lyon), Vietto (ex-Atlético de Madrid), Carillo (ex-Sporting) e Cuéllar (ex-Flamengo).

"Nosso time tem muita qualidade no meio de campo e no ataque. Promovemos também alguns jogadores jovens. Gosto muito da linha defensiva da Coreia do Sul e sempre tive muita vontade de trabalhar com jogadores coreanos. Depois de ter vivenciado a Olimpíada com Neymar, Marquinhos e outros, eu vejo que um elenco inteligente é muito importante para qualquer treinador", explicou.

Micale foi contratado para comandar a equipe B do Al Hilal após o falecimento do treinador Carlos Amadeu. Após a saída do romeno Razvan Lucescu, ele assumiu o time principal. Em sete jogos, ele conseguiu cinco vitórias e lidera o campeonato, com 48 pontos, ao lado do Al-Shabab.

"Estou muito feliz pela oportunidade de viver essa oportunidade. Tem sido muito bom", disse.

Sucesso na base

Natural de Salvador, Rogério Micale é formado em educação física e começou a carreira de treinador no fim dos anos 80 na Portuguesa Londrinense, no Paraná. Depois, venceu a Copa São Paulo de futebol júnior de 2008 pelo Figueirense antes de comandar o sub-20 do Atlético-MG.

“Fui campeão de várias competições e trabalhei com Bernard, Jemerson, Cleyton e muitos outros nomes. Conseguimos formar vários jogadores que fizeram sucesso dentro do clube”, contou.

Micale assumiu o time sub-20 Brasil, sendo terceiro colocado no Pan e vice-campeão do Mundial de 2020 de 2015, além de vencer a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016.

“Sofríamos uma pressão gigantesca da mídia e do torcedor, mas no fim deu certo. Tivemos um começo difícil, mas depois embalamos. Vamos levar essa conquista para o resto da vida”.

“Eu vi o pessoal ficar preso no elevador e até o ar condicionado do ônibus parar de funcionar logo depois da semifinal. Falei para o Odair Hellman para falar com os jogadores, que responderam: ‘Aqui é sangue no olho, aqui é favela! Vamos para dentro’. Mesmo sendo um time com várias estrelas, deu para ver que o time mesmo tendo muitas estrelas estava muito concentrado”.

Micale foi demitido pela CBF no começo de 2017, após o Brasil não se classificar para o Mundial Sub-20.

“Eu ganhei uma medalha de ouro e fui mandado embora no mês seguinte. Quando você ganha ainda depreciam a conquista. Depois de tantos anos querendo tanto e depreciam a forma que vencemos. Isso é cultural”, lamentou.

Depois, ele comandou os times profissionais do Atlético-MG, Figueirense e Paraná, além do sub-20 Cruzeiro, antes de ir ao Al Hilal.

“É importante ser resiliente porque temos ápices e recomeços. Precisa ter força para passar por todas as fases com equilíbrio. Nem sempre quando ganha você é tão bom quanto os outros falam, mas quando perde não é tão ruim. É preciso acreditar no que faz”.