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Willian conta detalhes do medo da rede social após sofrer com racismo: 'Palavras que machucam'

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Willian aponta 'erro' que precisa ser corrigido já pelo Arsenal e revela meta ousada (1:24)

Meia do Arsenal falou com exclusividade à ESPN (1:24)

Atacante do Arsenal, Willian admitiu que tem medo de ficar online após as partidas, e que considerou excluir suas contas nas redes sociais como resultado das ofensas na internet.

Em fevereiro deste ano, o jogador compartilhou com seus 9 milhões de seguidores no Instagram algumas das mensagens em que foi ofendido racialmente, se juntando a uma lista cada vez maior de a atletas que enfrentar o mesmo problema durante a temporada.

Os Gunners lançaram no mês passado seu próprio plano de ação #StopOnlineAbuse (Pare o abuso online) com o objetivo de fornecer suporte a jogadores e funcionários, além de um caminho direto para poderem relatar abusos após incidentes envolvendo Nicolas Pepe, Granit Xhaka, Eddie Nketiah, Hector Bellerin e o técnico Mikel Arteta.

A Premier League também está trabalhando com o governo do Reino Unido e outros os clubes para enfrentar o problema, mas isso não impediu Thierry Henry, ídolo do Arsenal, de fechar seus perfis devido à falta de ação.

“Quis excluir minhas contas. Já vi algumas pessoas excluindo suas mídias sociais por causa do racismo e do abuso. Mas quando você pensa, tira alguns minutos e relaxa um pouco mais [muda]. Mas a primeira reação é excluir”, disse Willian, admitindo ter sentido medo de pegar o celular após as partidas.

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“Às vezes, para ser honesto. Somos humanos. Quero entender quem essas pessoas pensam que são para falar assim conosco. Nós somos profissionais, fazemos o melhor para ajudar a equipe, queremos sempre ganhar, nunca perder”.

“Mas nós temos nossos dias ruins, às vezes não estamos nos sentindo bem, temos problemas como todo mundo, problemas pessoais, familiares. Então, às vezes você não está em um dia bom. Você tem um dia ruim e eles vêm e falam esse tipo de coisa que machuca você. É por isso que queremos parar com isso. Basta”.

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“Estava nessa situação há um mês, não me lembro exatamente. Foi muito difícil para mim porque tenho muitos prints no meu telefone e estava vendo palavras horríveis contra minha família. Depois disso disse para mim mesmo: 'Chega, tenho que tentar alguma coisa contra os racistas, o abuso online'. Estou orgulhoso porque o clube está fazendo isso e nos ajudando muito. Nunca vou parar a minha luta contra o racismo”.

Willian aderiu a apelos para que as empresas de mídia social e autoridades do futebol tomem medidas mais duras.

“Nós, como jogadores, não podemos fazer muito. Nós fazemos o que podemos. Nós relatamos, compartilhamos e falamos sobre isso. Mas queremos ação”.

“Não vemos nenhuma ação das autoridades nesse caso e temos que [encontrar] uma maneira de impedir, porque quando as pessoas dizem palavras horríveis sobre você e sua família, isso não é bom. Eles podem nos criticar em relação ao quê que fazemos dentro de campo. Não tenho problema nenhum com isso. Se quiserem me criticar, o que estou fazendo dentro de campo, se eu tiver que jogar melhor, se tiver que treinar mais, vou aceitar. Mas quando atacam você com palavras horríveis, sua família, isso não é bom. Temos que parar com isso e tentar uma maneira de impedir.

“Acho que temos que encontrar uma forma de mudar o perfil das mídias sociais. Acho que as pessoas que querem ter Instagram, Twitter, Facebook, precisam colocar sua identidade, passaporte ou o que for. E então quando essas coisas acontecerem, as autoridades podem pegá-los. Essa é a ação que queremos”.

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Willian tem sido duramente criticado por suas atuações desde que se juntou ao time do Arsenal em um contrato de três temporadas após deixar o Chelsea de graça. O brasileiro ainda não chegou a 30 partidas pelo clube, e ficou para trás na hierarquia do setor ofensivo após a ascensão dos jovens Bukayo Saka e Emile Smith Rowe, além da chegada de Martin Odegaard por empréstimo.

“Muitos altos e baixos”, disse Willian sobre as atuações inconsistente pelo Arsenal. “Sabemos disso. Sou o primeiro a reconhecer isso, não estou a fazer uma temporada boa. Nos últimos jogos que fiz estava a jogar muito melhor, mas não foi o suficiente”.

“Acho que como uma equipe temos que ficar juntos até o final, temos que ir jogo a jogo. Temos uma grande oportunidade de ganhar algo no final da temporada, então, por enquanto, temos que jogar cada partida como uma decisão”.