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Delegado diz que Gabigol será ouvido em inquérito e revela bastidores do flagra: 'Jogou a culpa da aglomeração nos policiais'

Em entrevista exclusiva ao SportsCenter, da ESPN Brasil, na noite deste domingo, o delegado Osvaldo Nico Gonçalves, da Polícia Civil, revelou os bastidores do "flagra" do atacante Gabigol, do Flamengo, que foi conduzido à delegacia neste domingo, após ser pego em um cassino clandestino em São Paulo com mais de 200 pessoas, em cenas de aglomeração no meio da pandemia de COVID-19 que já matou mais de 277 mil pessoas no país.

De acordo com Nico, o centroavante tentou se esconder e demorou quase uma hora para ser localizado pelas equipes que fizeram a batida para encerrar a farra na capital paulista.

"Ele (Gabigol) saiu de baixo de uma mesa, com umas moças escondendo. Ele estava de máscara, sim, e com a cabeça coberta por uma blusa", relatou o delegado.

"(O cassino) Era um local sem ventilação, sem janelas, sem distanciamento... Um local perigosíssimo. Nós estamos combatendo festas clandestinas, tínhamos informações de uma festa, mas não que era um cassino! Quando chegamos, nos deparamos com aquela cena lá: comida e bebida à vontade e sem qualquer distanciamento entre as pessoas", seguiu.

"Quando a polícia entrou, ninguém viu o Gabigol. Depois de uns 40, 50 minutos, que começou a triagem das pessoas, que ele apareceu em um camarote. O MC Gui [N.R.: cantor que também foi flagrado no cassino clandestino] foi ao contrário, ele apareceu, falou: 'Eu estou aqui, estou errado e vou assumir a responsabilidade", completou.

Segundo Nico, o atleta flamenguista ficou "nervosinho" ao ser conduzido pela polícia à delegacia, e chegou a culpar os próprios agentes de segurança pela aglomeração no cassino.

"Ele não gostou muito (de ser conduzido), ficou meio nervosinho. Ele achava que não era motivo para a polícia estar lá. Inclusive jogou a culpa da aglomeração nos próprios policiais!", exclamou.

"Ficou muito intranquilo, porque sabia que ia ser alvo da mídia, porque chegaram vários veículos de imprensa. Ele sabia que ia ter essa exposição, ficou irritado com a polícia. Mas depois conversamos com ele, falamos que ele estava no lugar errado na hora errada e que ele seria encaminhado à delegacia", observou.

De acordo com o delegado, Gabigol será ouvido em inquéritos tanto por ter desrespeitado medidas sanitárias quanto por ter se envolvido com jogos de azar, que são proibidos no país.

"Ele (Gagibol) Foi ouvido em declarações, fizemos um termo circunstanciado. Ele burlou a legislação sanitária, artigo 268, pois estava expondo ao risco a saúde dele e dos outros, pois ele pode levar (o vírus) para a concentração e outros lugares que ele for. Ele também vai ser ouvido em inquérito policial sobre jogos de azar, pois são proibidos no Brasil", explicou.

Questionado sobre a versão do jogador, que disse que tinha apenas saído para "jantar com amigos", Nico refutou a versão.

"Cheguei a ver (a entrevista de Gabigol), sim... Mas restaurante também está proibido (em São Paulo), ele não pode ir. Então, se ele saiu para jantar, não pode dar essa desculpa, porque não pode ir ao salão do restaurante, só delivery", finalizou.