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Ex-técnico de Pepê lembra cobranças sobre o hoje destaque do Grêmio: 'O Dudu e o Sheik marcam lateral, você não vai marcar?'

Durante os anos em que batalhou para chegar ao futebol profissional, Pepê, do Grêmio, ouviu mais de uma vez que deveria ter como exemplo de Dudu, ídolo recente do Palmeiras, clube rival neste domingo, no Allianz Parque, às 18h (de Brasília), no jogo que vale o título da Copa do Brasil de 2020.

Um dos primeiros treinadores do jovem natural de Foz de Iguaçu-PR usava o então jogador do alviverde como referência na posição para fazer com que o gremista entendesse como deveria participar do jogo.

"Eu jogava aqui no 4-3-3 e eu sempre botei os dois atacantes de beirada para acompanhar os laterais quando a gente perdia a posse de bola para fechar a linha de quatro. Mas quando eu fiz isso aqui caia o mundo em cima de mim porque ‘Ah, o atacante vinha até em baixo marcar o lateral’. Criava aquele… Mas hoje está mais do que provado que os atacantes de beirada tem de ter uma função no 4-3-3, que é vir aqui e fazer a marcação. Muitos, gente até da imprensa, às vezes ao entrevistá-lo dizia: ‘Mas o Ivan faz você descer lá embaixo’. Na época, eu lembro que tinha o Emerson Sheik, o Dudu do Palmeiras, jogadores que desciam lá embaixo marcar o lateral", disse Ivan Mororo, ex-técnico do time paranaense, ao ESPN.com.br.

A equipe paranaense disputava em 2015 a Série D do Brasileirão com um time repleto de jovens jogadores. O treinador conta que a sugestão que deu para o futuro jogador do Grêmio não foi muito bem aceita no começo.

"Dizia pro Pepê e paro Marcelinho, que está no Marítimo, de Portugal. Eu dizia: ‘O Dudu desce, o Emerson Sheik desce, mas vocês dois não podem? Não, vocês vão descer sim e vão fechar a linha de quatro quando perdemos a posse de bola’. É uma das histórias que a gente gosta de contar. Quando eu fiz em 2016, parecia que ia cair o mundo em cima do mim. Mas graças a Deus onde eu boto a mão Deus vem junto e deu tudo certo", contou.

Pepê se destacou contra o Lajeadense-RS, com dois belos gols marcados, mas o time não conseguiu o acesso para a Série C.

No ano seguinte, foi emprestado ao Coritiba para jogar a Copa São Paulo de 2016 antes de retornar ao Foz do Iguaçu para a disputa do Estadual. O torneio paranaense foi uma verdadeira reviravolta na vida do jovem. Ele chegou a pensar em parar com o futebol. Mas uma boa participação na competição (o time chegou às quartas de final, sendo eliminado pelo Paraná) chamou a atenção do Grêmio.

Pepê trabalhou por um tempo na base gremista até ganhar a primeira chance no time profissional em 2018, quando fez 31 jogos e três gols. A partir de 2019, ele passou a ter mais espaço no elenco e virou titular absoluto em 2020.

As boas atuações despertaram o interesse do Porto, que pagou 15 milhões de euros (R$ 104 milhões). Do total, o time gaúcho ficará com10 milhões de euros (R$ 69,4 milhões). O restante pertence ao Foz do Iguaçu.

Como Pepê só se apresenta ao time português depois da final, a Copa do Brasil é a última chance do jovem deixar o Grêmio com um título de expressão antes de se aventurar na Europa.

"Hoje é mais difícil falar com ele. Até porque eu não gosto de atrapalhar muito. Hoje ele está num auge muito grande. É difícil eu ligar. Raramente eu falo com ele. Vez ou outra eu ligo e pergunto ‘Filho, tá tudo bem aí?’. E ele responde “Tá tudo bem, professor”. E aí morreu o assunto. A gente sabe que o compromisso dele no Grêmio é grande", finalizou Ivan.