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Copa do Nordeste: Didira já vendeu pastel com caldo de cana e foi chamado de 'Iniesta do Agreste' antes de brilhar no Santa Cruz

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Didira é o maestro do meio de campo do Santa Cruz, que enfrentará o Vitória no estádio do Barradão, em Salvador, pela primeira rodada da fase de grupos da Copa do Nordeste. A equipe pernambucana busca o segundo título da competição.

O FOX Sports transmite Vitória x Santa Cruz ao vivo, neste sábado (27), a partir das 16h (horário de Brasília).

"O Vitória tem uma equipe jovem, em formação, mas que tem muita qualidade. É um clube grande. Vamos lutar muito para fazer um grande jogo para sairmos com uma vitória. Sem dúvida, a meta é fazer uma boa competição, mas temos que pensar em um passo de cada vez. O primeiro é classificar para as finais. Conseguindo isso, buscaremos os outros objetivos", disse o meia ao ESPN.com.br.

Cícero dos Santos Bezerra ganhou de sua mãe o curioso apelido de Didira ainda na infância porque estava sempre brincando com um primo chamado de Didisso.

Antes de virar jogador, ele precisou fazer diversos bicos na cidade de Arapiraca, no interior de Alagoas, para juntar um dinheirinho.

"Fiz de tudo um pouco. Fui servente de pedreiro, olhei carro, catei latinha, lavei carro... Eu brigava com meus amigos para pegar os carrões e olhar porque dava um dinheiro a mais (risos). Também fazia caldo de cana e ajudava a vender pastéis. Eu me divertia, ganhava um dinheiro. Sempre batalhei por tudo que eu queria", contou.

"Não tinha estrutura financeira, passávamos muitas dificuldades, mas procurei lutar e fazer com que isso fosse uma motivação. Minha história talvez seja a de muitos outros atletas que estão hoje aí em atividade. Sou muito grato a Deus por ter me dado forças para continuar lutando", afirmou.

Revelado pelo ASA de Arapiraca, Didira foi gandula do clube alagoano na infância, ao mesmo tempo em que dava seus primeiros chutes nas categorias de base alvinegras.

"Nos intervalos, a gente sempre brincava, fazia embaixadinhas, mostrava habilidade e chutava no gol quando os times desciam para o vestiário. A torcida ia ao delírio, gritavam 'gandula craque, põe ele no lugar de fulano, você é melhor'", conta.

Certa vez, durante um jogo entre o time de Arapiraca e o Flamengo, Didira chegou até a brigar com o lateral Léo Moura.

"Estava 1 a 1. A bola vinha num canto e eu escondia em outro, ganhando tempo para gente não ser eliminado. Até uma hora o Léo Moura gritou comigo: 'Manda a bola, não precisa fazer isso'. O cara é meu ídolo (risos)! Uma vez joguei contra ele e contei sobre a bronca que ele me deu, o Léo até pediu desculpa (risos). É um cara muito gente boa", lembra.

Nos tempos de ASA, ele chegou a receber da torcida o curioso apelido de "Iniesta do Agreste".

"Rapaz, esse apelido surgiu pelo bom Alagoano que eu fiz. Eu até nem sabia, meus companheiros que me contaram, mas achei muito legal. O Iniesta é um grande jogador, e ser comparado a ele é importante. Claro que a qualidade não é a mesma, mas velocidade pelo menos eu tenho (risos). O mais importante foi o reconhecimento da torcida", afirmou.

Após sair da equipe alagoana, ele teve uma rápida passagem pelo Atlético-MG em 2011, mas fez apenas dois jogos. Ainda rodou por ABC-RN e CSA-AL antes de chegar ao Santa Cruz, em 2020.

"Assim que terminou meu contrato no CSA, onde tinha uma história, tive a procura do Santa e foi muito fácil decidir. O Santa tem uma camisa pesada, um clube grande, que tem tudo para voltar a Série B esse ano e, na sequência, para a elite do futebol brasileiro. É um orgulho para mim estar aqui. Jogar no Santa é uma responsabilidade grande. Sou muito feliz por estar aqui", afirmou.