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Sob pressão no Benfica, Jesus tenta evitar 3ª eliminação em dia que Flamengo luta por 8º título do Brasileiro

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'Crise do Benfica não tem nada a ver comigo e com meus jogadores', se defende Jorge Jesus (1:54)

Mister concedeu entrevista coletiva na véspera de Arsenal x Benfica pela Europa League (1:54)

Depois de ganhar quase tudo o que era possível com o Flamengo em um ano, Jorge Jesus deixou a Gávea para retornar a sua "casa", o Benfica. Porém, a volta do Mister a Portugal tem sido frustrante após o técnico prometer que o time jogaria bem, e o clube fazer um alto investimento. Nesta quinta-feira, enquanto o Fla pode empilhar seu oitavo título do Brasileirão, o técnico pode sofrer sua terceira eliminação na temporada.

O Benfica enfrenta o Arsenal nesta quinta-feira, às 15h (Brasília), com transmissão do Fox Sports, na primeira fase do mata-mata da Europa League. Na ida, em Portugal, empate em 1 a 1. Se os encarnados caírem no Emirates Stadium, restará apenas uma única chance de título de Jesus nesta temporada.

A equipe já foi eliminada nos playoffs da Uefa Champions League para o PAOK, de Abel Ferreira à época, sendo rebaixado para a Europa League. Na Primeira Liga, o Benfica é apenas o quarto colocado, 15 pontos atrás do líder Sporting, estando praticamente sem chances de título. E na Taça da Liga, os encarnados foram eliminados na semifinal pelo Braga.

Se cair na Europa League, a última opção de título de Jorge Jesus neste retorno será na Taça de Portugal, onde o Benfica está na semifinal contra o modesto Estoril, tendo vencido na ida por 3 a 1.

Em coletiva na quarta-feira, Jorge Jesus, pressionado no cargo e com risco de queda, se descontrolou.

“Nós, Benfica, durante estas semanas e esses dois meses somos alvos de críticas injustas. E posso explicar por quê. Eu, como treinador do Benfica, serei sempre responsável pelos bons e maus resultados quando eu tiver alguma responsabilidade. Como eu sou treinador e não tenho a ver com essa crise do Benfica? Não tenho a ver porque eu não treinava os jogadores do Benfica. Os jogadores estiveram doentes durante dois meses”, iniciou.

“Em janeiro, o Benfica era segundo (colocado no Campeonato Português), a dois pontos do Sporting. Em janeiro, o Benfica teve 12 jogadores fora por COVID. Inclusive minha equipe técnica teve várias sessões de trabalho que não aconteceram".

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“Vou assumir sempre minha responsabilidade, como treinador, quando não houver resultados. Mas essa crise nada tem a ver comigo, porque não treinava o time, não tem nada a ver com meus jogadores. Disseram que eles não suavam a camisa? Não suavam como, se vinham de uma doença que não conseguimos controlar? Depois do jogo contra o Porto, tivemos 26 casos em uma semana. Uma comissão técnica que ficou vários dias que não deram treino. Perdemos várias sessões de treino. Não podíamos nem estar juntos para falar”, seguiu.

Flamengo e o Brasil

Em outro momento da coletiva, Jesus também relembrou o ano de 2019 com o Flamengo. Como revelou o ESPN.com.br, inclusive, o treinador já pensa em um possível retorno ao clube rubro-negro como próximo passo na carreira, caso deixa o Benfica antes do previsto.

“Eu vim para o Benfica porque acreditei no projeto do Benfica. Vocês sabem que no último ano onde trabalhei (Flamengo) só não ganhei o Mundial. Só não ganhei o Mundial. O resto ganhei tudo. Eu não, meus jogadores, o clube onde estava. Mas em relação ao que o Benfica passa, nada tem a ver com falta de qualidade do meu trabalho, do trabalho de meus jogadores, da estrutura... Parece que ninguém sabe de nada".

O Benfica não faria oposição a liberar o treinador sem cobrança de multa - que seria de 20 milhões de euros (mais de R$ 130 milhões) - caso ele decida pedir demissão. E o Flamengo é visto pelo treinador como destino ideal. Mas, claro, há obstáculos.

O primeiro, obviamente, é que há um comandante sob contrato e com chances consideráveis de ser campeão brasileiro no Ninho do Urubu. Rogério Ceni tem bom relacionamento com atletas, embora ainda encontre grande resistência em setores da torcida.

O segundo é a questão financeira: a diretoria rubro-negra não vê possibilidades de repetir o último contrato do Mister, com valores muito elevados para os padrões sul-americanos, principalmente em tempos de crise econômica.

Jorge Jesus assinou acordo com o Flamengo por 3,5 milhões de euros anuais (cerca de R$ 23 milhões), fora bonificações por conquistas. A multa rescisória era de 1 milhão de euros (R$ 6,6 milhões).

Mas, a pessoas próximas, o Mister já admitiu que tentaria se adaptar à nova realidade financeira para retornar ao Brasil. Na última semana, ele foi procurado pelo Atlético-MG, que se despediu de Jorge Sampaoli, e negou qualquer possibilidade. No futebol brasileiro, Jesus considera apenas um retorno ao Flamengo.