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Filipe Luís diz que Simeone não tem coração e revela bastidor com Mourinho: 'Não queria mais trabalhar para ele'

Apontado na Espanha como um dos pilares da reafirmação do Atlético de Madrid no cenário de elite nos últimos anos, Filipe Luís abriu o jogo sobre suas passagens pelo clube espanhol, que nesta terça-feira (23) enfrenta justamente o Chelsea, outro time em que o brasileiro atuou em solo europeu, pelas oitavas de final da Uefa Champions League.

Após faturar os títulos da Uefa Europa League, a Supercopa da Uefa, o Campeonato Espanhol e a Copa do Rei em um período de dois anos, o brasileiro decidiu mudar de ares e acertou com os Blues para atuar na Premier League em 2014. Mas o retorno a Madri no ano seguinte teve uma peça decisiva para acontecer: Diego Simeone.

Em entrevista ao jornal Daily Mail, o lateral do Flamengo revelou que recebeu uma ligação do treinador argentino o convidando para retornar ao Atlético de Madrid após Filipe Luís não se firmar como titular absoluto em Stamford Bridge.

“Simeone me disse: 'Volte, vamos ganhar de novo e preciso de um zagueiro como você'. Volte a jogar bem e ele disse: 'veja, você só joga bem comigo. Você tinha que voltar para estar bem de novo'. Ele tirou o melhor de mim. Conhecia cada centímetro da minha mente”, disse o brasileiro, destacando a dificuldade em atuar nas equipes do argentino.

“Ouça o que eu digo: não é fácil jogar para Simeone. Ele não tem coração”, disse. “Ele nunca diz: 'Que pena, pobre jogador'. Não. Ele decidirá o que precisar e apenas pensando em vencer. Quando assumiu em 2011, o time estava a quatro pontos do rebaixamento e Simeone fez deles os campeões da Europa League naquela mesma temporada. Ele os transformou no time monstruoso que são agora. Esse sucesso tem um nome: Diego Simone”, afirmou.

“Cerca de 120 jogadores passaram pelo clube desde que Diego chegou. Alguns chegaram como estrelas e não jogaram, outros chegaram sem credibilidade e se tornaram estrelas".

“Ele não perde tempo, nunca. Nunca fará uma sessão de treinos e dirá: 'Ok, vamos nos divertir hoje'. Eu era um lateral sem confiança quando ele chegou e fui o melhor lateral esquerdo do mundo um mês depois. Ele é a única pessoa que conseguiu tirar isso de mim”.

Após a repercussão da entrevista na Europa, o brasileiro usou as redes sociais para se pronunciar.

“Alguns estão muito chateados porque Atleti é o líder. Eles têm que criar polêmica com uma entrevista em que elogio Cholo, o melhor treinador que já tive, e que ele é como um pai para mim. Que pena”, escreveu.

Mesmo conseguindo realizar um sonho de praticamente qualquer jogador de futebol, que é conquistar a Premier League, a passagem de Filipe Luís pelo Chelsea não ficou marcada pelo melhor momento técnico do brasileiro. Sem conseguir produzir aquilo que apresentava na Espanha, o jogador acabou perdendo espaço no time.

Preterido por José Mourinho na equipe titular enquanto César Azpilicueta se mantinha no time, o brasileiro lembra que chegou a conversar com José Mourinho, o treinador dos Blues à época, questionando o motivo de não atuar com regularidade.

“Quando fiquei no banco para o primeiro jogo da temporada, bati na porta da sala de Mourinho e disse: 'Por que você me trouxe aqui? Por que simplesmente não me deixou no Atlético? '. Ele disse que não se sentia tão seguro defensivamente comigo na equipe como com Azpilicueta”.

“Disse que deveria conquistar meu lugar. Não podia esperar que, por causa do meu nome, seria a primeira escolha. Ele estava certo. Eu não estava jogando bem. Mas também acho que você tem que estar em campo para melhorar. Nunca me arrependi da mudança porque estava em um dos maiores clubes do mundo, mas todo mundo quer jogar”, lembrou Filipe Luís, revelando o momento exato em que decidiu deixar Londres.

Após fazer parte de praticamente toda a campanha, o brasileiro ficou de fora da final da Copa da Liga Inglesa, quando o Chelsea bateu o Tottenham por 2 a 0 e conquistou o título. Não estar em campo naquela partida marcou negativamente o brasileiro.

“Na época me senti traído, por falta de uma palavra melhor. Não queria trabalhar para Mourinho por mais uma temporada. Mas não foi culpa dele. Ganhamos a final e estou com a medalha em casa”, disse.