Cuca, com 'exaustão mental', avisa diretoria do Santos que deixará clube após o Campeonato Brasileiro

Cuca já avisou à diretoria do Santos que não seguirá no clube, segundo apurou a ESPN nesta quarta-feira.

De acordo com o que soube a reportagem, nem um desfecho diferente na Conmebol Libertadores faria o técnico mudar ideia. Antes mesmo da derrota para o Palmeiras por 1 a 0, no último sábado, no Rio de Janeiro, o treinador já tinha decisão tomada: ao término do Campeonato Brasileiro atual, não será mais o técnico do Peixe.

Dias antes da decisão no Maracanã, Cuca avisou os dirigentes santistas sobre o desejo de "descansar", dar um tempo na atividade depois da intensa temporada, que incluiu a gestão de inúmeros problemas do clube, a recuperação da COVID-19 e a perda do sogro para a mesma doença.

Recentemente, o presidente do Santos, Andrés Rueda, disse que a prioridade era pela busca de um acordo com o técnico. No entendimento das lideranças santistas, Cuca conseguiu, nos quase seis meses de trabalho, resgatar o DNA competitivo do clube alvinegro.

"A vontade nossa de permanecer com o Cuca é evidente e sempre que podemos deixamos claro. Não pelo o que está acontecendo agora. É pelo perfil do Cuca. O Cuca tem o perfil que a nossa gestão quer de um treinador. Ele forma equipe, ele cria uma convivência ótima. Tem o DNA ofensivo, joga para a frente, aceita a base", explicou.

Além disso, o mandatário em coletiva de imprensa reforçou que questão salarial não seria determinante para o acordo.

"O Cuca está em uma situação na vida em que alguns técnicos não trabalham só pelo dinheiro, é mais pelo projeto. Óbvio que o dinheiro importa, não estou dizendo que não quer ser bem remunerado pelo trabalho. Mas acredito que, no caso específico do Cuca, não é só o dinheiro. Se fosse, não estaria com a gente", salientou.

Nos bastidores, no entanto, Rueda sempre soube que não seria tarefa fácil, mas acreditava na possibilidade de convencer o técnico a ficar e ainda trabalha nesse sentido.

Já pessoas ligadas ao clube e ao técnico contaram que a derrota na final, na circustância que aconteceu, com o gol no minuto seguinte a expulsão do técnico, fortaleceram essa "exaustão mental" do comandante.

Cuca ficou arrasado e tem tido dificuldades para digerir a perda do título depois de uma campanha impressionante.

Além da pendência contratual o treinador, que tem vínculo vigente até final de fevereiro, há mais problemas que precisam de atenção da diretoria.

O Santos perdeu recentemente dois de seus jogadores mais importantes, o zagueiro Lucas Veríssimo e o meio-campista Diego Pituca, vendidos para o futebol português e japonês respectivamente. Por enquanto, será preciso encontrar soluções dentro do próprio plantel, especialmente porque o Santos ainda vive a incerteza com relação ao fim do "transfer ban" da Fifa, punição por conta de inadimplências para com outros clubes.

O chileno Huachipato precisa receber do Santos cerca de US$ 3,5 milhões (R$ 18,7 milhões) na negociação envolvendo Soteldo. No acordo, o venezuelano precisa assinar um contrato com o time chileno para o Santos poder devolver os 50% dos direitos do atleta para os chilenos. Diregentes afirmam que essa situação está em "andamento".

Caso não elimine os transfer bans, mais um problema a vista: o zagueiro Luan Peres pode ficar de fora das próximas escalações da temporada. Ele tem contrato de empréstimo até o dia 15 de fevereiro e o Santos já pagou a contratação junto ao Club Brugge, da Bélgica, mas ele não pode assinar o contrato de vínculo, pois configura um novo registro.

Por fim, segundo o jornal Lance!, o Barcelona é outro clube que entrou na Fifa contra o Santos, alegando que os dirigentes alvinegros não respeitaram a prioridade dos catalães, que tinham a prioridade de contratar Gabigol, e venderam para a Internazionale de Milão, em 2016.

Em caso de condenação, a dívida gira em torno de 2,9 milhões de euros (cerca de R$ 18,7 milhões).