<
>

São Paulo diz que delegação foi alvo de 'atentado terrorista' e critica liberação de nove dos 14 detidos: 'Desfecho injustificável'

A crise no São Paulo ganhou um novo capítulo no último sábado (23), horas antes da partida contra o Coritiba, no Morumbi, pela 32ª rodada do Campeonato Brasileiro. Em campo, as equipes empataram por 1 a 1. A caminho do estádio, o ônibus tricolor foi alvo de uma emboscada, enquanto levava jogadores e membros da comissão técnica do CT da Barra Funda para o jogo, que começava às 19h (de Brasília).

Como consequência do ataque de pedras e rojões, 14 pessoas foram detidas pela Polícia Militar ainda no mesmo dia. Nessa segunda-feira (25), nove deles foram liberados com medidas cautelares restritivas de liberdade, o que causou indignação do clube.

Para o São Paulo, "está claro que seus atletas e sua comissão técnica foram alvos de um “atentado terrorista”, o que torna a liberação de parte deste grupo de vândalos um desfecho injustificável", como disseram em nota oficial.

O Tricolor ainda disse que estará se habilitando no processo a partir desta terça-feira (26) para cobrar rigor das autoridades na sequência das investigações e buscar punição exemplar aos envolvidos, que colocaram em risco a vida de dezenas de profissionais e da população em geral, além dos danos causados ao patrimônio.

E poderia ter sido até pior: segundo o repórter Guilherme Muniz, da CBN, o GATE (Grupo de Ações Táticas Especiais) confirmou a existência de explosivos no trajeto do ônibus. Coube aos policiais detonarem os objetivos.

Leia a nota oficial do Tricolor:

O São Paulo Futebol Clube tomou conhecimento nesta segunda-feira (25) que o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo confirmou a validade da prisão em flagrante dos 14 detidos no último sábado (23), após o ataque ao ônibus do clube a caminho do estádio do Morumbi, reconhecendo a prática dos crimes de “associação criminosa, dano e resistência”. Nessa ocasião, porém, liberou nove deles com medidas cautelares restritivas de liberdade, mantendo os outros cinco sob custódia.

O São Paulo entende que o artigo 251 do Código Penal, que tipifica o crime de “expor a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem, mediante explosão, arremesso ou simples colocação de engenho de dinamite ou substância de efeitos análogos”, não foi considerado. Igualmente, o delito previsto no artigo 16, parágrafo 1°, inciso III da Lei 10.826/03 (Estatuto do Desarmamento), "possuir, detiver, fabricar ou empregar artefato explosivo ou incendiário, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar".

Está comprovado, inclusive pela presença do GATE no local onde os indiciados foram surpreendidos, o encontro de artefatos explosivos de elevado potencial lesivo, além de pedras e pedaços de madeira. Não se pode esquecer que a fuselagem do ônibus em que a delegação se encontrava foi perfurada, com estilhaços atingindo atletas do clube.

Para o São Paulo Futebol Clube está claro que seus atletas e sua comissão técnica foram alvos de um “atentado terrorista”, o que torna a liberação de parte deste grupo de vândalos um desfecho injustificável.

O clube estará se habilitando no processo a partir desta terça-feira (26) para cobrar rigor das autoridades na sequência das investigações e buscar punição exemplar aos envolvidos, que colocaram em risco a vida de dezenas de profissionais e da população em geral, além dos danos causados ao patrimônio.

O que aconteceu no sábado

Na chegada ao Morumbi, foi possível ver uma série de buracos no veículo, um visível na parte dianteira e outros na lateral.

Também pela rede social, o Tricolor reportou que não houve feridos na delegação, e que bombas e artefatos de guerra foram apreendidos pela PM.

"O clube segue acompanhando o caso e oferecendo todo o apoio às autoridades", postou o clube, que mais tarde divulgou uma nota oficial assinada pelo presidente Julio Casares.

O fato acontece um dia depois de um grupo de torcedores protestar em frente ao centro de treinamento do São Paulo. No ato, os tricolores pediram as saídas do executivo de futebol Raí e do técnico Fernando Diniz, além de protestar contra o meia e capitão Daniel Alves.