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Premier League: Carlos Vinícius, do Tottenham, fala sobre convívio com Mourinho e 'professor' Lucas em entrevista exclusiva

O ano de 2017 representou um momento decisivo na carreira de Carlos Vinícius.

“Meu contrato era de um ano, mas na minha cabeça tinha seis meses”, contou o hoje jogador do Tottenham em entrevista exclusiva a Natalie Gedra, repórter dos canais ESPN. Naquele momento, o atacante ia para a Europa atrás de uma oportunidade para resgatar sua carreira - ou poderia ser o fim dela. Então com 22 anos, ele deixava o Grêmio Anápolis e ia para o Real Sport Club, da segunda divisão portuguesa.

“Pensei em parar porque as coisas não estavam correndo bem para mim dentro do futebol, e isso me preocupava porque não estava mais conseguindo trazer o pão para dentro de casa.”

O raciocínio dos seis meses dizia respeito ao fato de haver a janela de janeiro. Um bom ou um mau começo poderia significar a extensão ou o fim de um contrato.

As fichas apostadas deram muito lucro. Um semestre em Portugal levou a um contrato de cinco anos com o Napoli, ao qual se juntaria só na campanha seguinte, após ter sido vice-artilheiro da segunda divisão nacional, com 19 gols. O Real terminou na lanterna e foi rebaixado, mas, por outro lado, a carreira de seu goleador estava em completa ascensão. “Quando assinei com o Napoli é onde voltei a sonhar”.

O Napoli pode ter dado a esperança, mas não deu uma chance sequer de o atacante atuar. Emprestado ao Rio Ave (20 jogos e 14 gols) e Monaco (16 jogos e dois gols), ele seria vendido ao Benfica por 17 milhões de euros no meio de 2019, pelo qual jogaria apenas um ano, sendo um dos três artilheiros do Campeonato Português com 18 gols, além de ter dado cinco assistências.

O desempenho chamou atenção do Tottenham, que pagou 3 milhões de euros pelo empréstimo do atacante, hoje com 25 anos – caso queiram ficar com o atleta em definitivo, os Spurs terão de desembolsar mais 42 milhões de euros.

Em três anos, Carlos Vinícius foi da quase aposentadoria precoce ao maior campeonato nacional de futebol do mundo.

“Meu objetivo aqui é simples, quanto mais rápido eu me adaptar, mais sucesso eu vou ter dentro de campo. Aqui temos não só o Kane, mas vários atacantes bons, tops mesmo. Quer que seja, cinco, três ou 90 minutos, o meu objetivo é desfrutar desses minutos que vou ter, desfrutar, trabalhar e provar esse valor para mim mesmo. Que eu tenho condição de estar aqui.”

E para conseguir esse desenvolvimento, o atacante natural de Bom Jesus das Selvas, no Maranhão, conta com um dos melhores técnicos do mundo: José Mourinho.

“Ele é do vestiário, a gente costuma falar assim. Ele sabe do que o jogador precisa, o jogador precisa dessa ligação com o treinador. Quanto mais o treinador for próximo do jogador, mais sucesso o conjunto vai ter dentro do jogo. Ele é do vestiário, é da resenha, está sempre brincando, está sempre puxando, mas na hora que é para ir para cima, ele vai para cima, porque é um treinador que quer ganhar.”

Ganhar foi algo que os Spurs conseguiram em quatro dos seus últimos cinco jogos. Em um deles - o triunfo sobre o Marine, da oitava divisão, por 5 a 0, pela Copa da Inglaterra, o brasileiro anotou um hat-trick. Porém, a missão mais difícil naquele dia veio depois do apito final, quando deu uma entrevista em inglês, algo que conseguiu depois da ajuda do 'professor' Lucas Moura.

"Em três aulas que tive com ele, já dei uma entrevista em inglês. Vamos ver como vai ser, estou acreditando nesse potencial dele como professor de inglês", disse, aos risos, Carlos Vinícius.

É assim que o atacante vai vivendo a redenção de sua carreira, sem deixar qualquer oportunidade de crescimento passar. “Todo dia a gente aprende, seja com os jogadores, seja com a comissão técnica. Eu vou levar isso aqui para o resto da minha vida, e cada dia ouvir mais. Aqui tem pessoas para me passar grandes coisas que eu venha a estar usando dentro do futebol e até mesmo fora dele”.

Aliás, o pensar no além das quatro linhas faz com que seu ídolo no futebol seja alguém que desperte sua atenção não só pelo que faz nos gramados.

“Temos muitos jogadores top mundial, mas só que eu gosto muito - sempre quando eu dou entrevista as pessoas ficam meio assim -, vejo muito aquilo que o Ricardo Oliveira é dentro e fora de campo. A forma que ele é dentro de campo, agressivo, finalizador, e fora de campo o que me chama mais atenção aquilo que ele é, o que construiu dentro do futebol, como pessoa, como pastor.”

Será que Carlos Vinícius conseguirá estar jogando depois dos 40 anos como seu ídolo, que coleciona passagens por Santos, São Paulo, Atlético-MG e que hoje defende o Coritiba? É muito cedo para se ter uma resposta. O mais importante é que uma carreira tão promissora não tenha acabado apenas aos 22 anos.