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Do caos ao Maracanã: dez problemas que o Santos superou para ir à final da Libertadores contra o Palmeiras

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Marinho vai à loucura em comemoração de vaga na final: 'Agora até salário atrasado a gente vai receber' (0:29)

Instagram: @marinhoofficial | Atacante enlouqueceu com classificação para a final (0:29)

A vitória maiúscula por 3 a 0 na Vila Belmiro diante do sempre temido Boca Juniors garantiu o Santos como finalista da Conmebol Libertadores de 2020. A equipe da Vila Belmiro terá pela frente agora o rival Palmeiras na grande decisão, marcada para 30 de janeiro, no Estádio do Maracanã.

Mas o trajeto do Peixe até conquistar a chance de se sagrar tetracampeão da maior competição de clubes da América foi marcado pela superação de problemas. Alguns deles, que ganharam proporções muito além dos gramados.

O ESPN.com.br listou dez problemas que o Santos superou para ir à final da Conmebol Libertadores:

Impeachment de Peres

Eleito no fim de 2017, José Carlos Peres sofreu impeachment no cargo de presidente no fim de novembro, após já ter sido afastado em setembro por decisão do Conselho Deliberativo, sob o argumento de gestão temerária por irregularidades nas contas de 2019.

O dirigente foi personagem central de um relatório do Conselho Fiscal, que apontou irregularidades estatutárias em demonstrativos financeiros como uso de cartão corporativo por razões pessoais, inconsistências em comissões na transferência do atacante Bruno Henrique para o Flamengo, além da suposta contratação de um escritório de advocacia para defender, num caso pessoal Pedro Doria, que ocupava cargo no Comitê de Gestão do Santos.

Outro ponto importante no processo de saída do agora ex-presidente foi a reprovação das contas do clube por dois anos seguidos (2018 e 2019).

Após análise do Comissão de Inquérito e Sindicância, o órgão emitiu parecer em que recomendava o impeachment de José Carlos Peres, fato que foi confirmado após uma votação com os sócios do clube em 22 de novembro.

Diretoria x jogadores

A crise financeira causada pela pandemia da COVID-19 atingiu em cheio o futebol no Brasil. E o Santos sofreu com ela. Mesmo sem um acordo com o elenco, José Carlos Peres, presidente à época, reduziu em até 70% o salário de jogadores, comissão técnica e até outros funcionários do clube nos meses de abril, maio e junho. A determinação pegou atletas de surpresa por estar distante dos 30% combinados.

A crise entre elenco e diretoria se agravou no decorrer dos meses, quando o clube seguiu sem conseguir honrar integralmente os salários dos atletas. Segundo relatado nos bastidores, a distância de Peres com os jogadores deixava a situação cada vez mais insustentável.

O que amenizou a situação foi a chegada de Cuca ao clube. Segundo afirmou Marinho, o treinador se tornou 'presidente' do Santos, conduzindo os bastidores.

“O Cuca é um pai para mim. Depois que chegou no Santos, virou praticamente nosso presidente. Mudou tudo, ajeitou a casa. Temos tanta dificuldade. O clube sem dinheiro, sem contratar. A gente sem receber. O Cuca mudou muita coisa. Eu não gosto de me meter muito em política, não seria a pessoa certa para falar, mas é como falei: ele é o nosso presidente. Tinha muita coisa errada que não conseguíamos resolver. Todo mundo esperava pelo menos alguém vir falar para a gente”, disse.

Mesmo com a mudança na gestão do clube, que teve Orlando Rollo como condutor do período de transição entre José Carlos Peres e Andrés Rueda, a questão salarial ainda não está 100% resolvida. Em uma live após a classificação na Libertadores, o atacante voltou a cutucar sobre os vencimentos do elenco.

“Pô, agora a gente recebe até o salário atrasado”, disse Marinho.

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Marinho vai à loucura em comemoração de vaga na final: 'Agora até salário atrasado a gente vai receber'

Instagram: @marinhoofficial | Atacante enlouqueceu com classificação para a final

“Para mim, é uma satisfação fora do comum, porque as dificuldades aqui são muito grandes. A gente não pode contratar, a gente tem dificuldade no pagamento, a gente tem dificuldade nas premiações... E a gente está jogando aberto com os jogadores. Eles não ficam de picuinha ou de cara virada por causa disso ou daquilo”, disse Cuca em entrevista coletiva após a partida.

“Por isso a gente está chegando: porque eles estão fazendo as coisas por amor. Em qualquer outra situação os caras se rebelam, ficam bravos, falam: 'Ah, não vamos jogar, assim não dá...'. E aqui eles estão fazendo diferente”, afirmou.

Clube impedido de contratar

Uma das principais dificuldades vividas pelo Santos no trajeto da Libertadores foi o impedimento de contratar reforços. O clube foi punido três vezes em 2020 pela falta de pagamento a outras equipes por transferências realizadas. Duas delas, inclusive, seguem ativas.

Após conseguir negociar com o Hamburgo (ALE) sobre a contratação do zagueiro Cléber Reis, o Peixe conseguiu um breve período para conseguir inscrever a chegada de Laercio, defensor ex-Caxias. O clube, no entanto, segue sem poder registrar novos atletas por conta de pendências com Huachipato (CHI), por Soteldo, e Atlético Nacional (COL), por Felipe Aguilar.

Soteldo quase disse adeus

Em meio à grave crise financeira, o Santos chegou a aceitar uma proposta 7 milhões de dólares feita pelo Al Hilal, da Arábia Saudita, para negociar Yeferson Soteldo. O desejo do jogador em não se transferir para o chamado 'mundo árabe' pesou.

Mesmo com uma proposta salarial vantajosa, o venezuelano decidiu permanecer no futebol brasileiro defendo o Peixe.

Novela Lucas Veríssimo

Um dos pilares da equipe de Cuca, Veríssimo esteve muito perto de deixar o clube. E isso aconteceu algumas vezes. Após negociações frustradas com Benfica e Porto em novembro, que esbarraram nos processos de aprovação do estatuto à época, a insatisfação do zagueiro quase ganhou contornos dramáticos.

Frustrado após anova recusa do Conselho Fiscal sobre uma proposta de compra feita pelo Benfica, o jogador chegou a ser dúvida para o confronto diante do Grêmio, nas quartas de final da Libertadores. Convencido por Cuca a entrar em campo, o defensor foi uma das figuras centrais da classificação santista.

Com Andrés Rueda à frente do clube, Veríssimo tem um acordo para se transferir ao Benfica após o fim da Libertadores, em uma transferência que rendera 6,5 milhões de euros aos cofres do Santos.

Pituca quase no Japão

Autor do primeiro gol na vitória por 3 a 0, Diego Pituca foi mais um que quase disse adeus ao Santos. O volante tinha negociação encaminhada com o Kashima Antlers, do Japão, que pagariam 1,6 milhão de dólares por 50% dos direitos econômicos do jogador já na reta final de 2020.

Com a iminência de deixar o cargo, Orlando Rollo paralisou as conversas para que a venda pudesse ser concretizada por Andrés Rueda, fato que incomodou os japoneses. Frustrado com o desfecho da negociação, o meio-campista chegou a se posicionar, e cobrou 'respeito e consideração'.

“Entristece-me demais a falta de respeito com a qual venho sendo tratado não pela entidade, mas pelas pessoas responsáveis pelo Santos. Sigo meu trabalho de cabeça erguida, em busca da tão sonhada final da Libertadores, mas peço àqueles que representam os interesses do Santos respeito e consideração por tudo que já fiz com esta camisa”.

Sanchez fora de combate

Outro momento dramático para o Santos na Libertadores foi a grave lesão de Carlos Sánchez. O uruguaio rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo na vitória da equipe por 3 a 2 fora de casa, diante do Olímpia (PAR), ainda pela fase de grupos.

O meio-campista de 35 anos passou por cirurgia no mês de outubro, perdendo a reta final da temporada do Peixe.

Cuca afastado com COVID

Um dos momentos de maior tensão vivido pelo Santos no decorrer da temporada foi quando Cuca esteve internado por conta da COVID-19. O treinador precisou ficar sob cuidados no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, permanecendo quatro dias na unidade semi-intensiva. A situação ficou mais delicada pelo quadro de cardiopatia do treinador.

O treinador esteve de fora da vitória por 2 a 1 do Santos sobre a LDU, em Quito, no Equador, pelas oitavas de final da Libertadores. O comandante testou positivo para o vírus em 7 de novembro, e só retornou às atividades no clube no dia 25 do mesmo mês.

Surto de COVID no CT

O técnico Cuca não foi o único caso de COVID-19 no clube. Muito pelo contrário. No elenco, 11 jogadores testaram positivo para o vírus em novembro: Ângelo, Vladimir, João Paulo, Lucas Veríssimo, Madson, Diego Pituca, Jobson, Jean Mota, Alison, Sandry e Alex.

Além dos atletas, a contaminação ainda passou por Arzul (preparador de goleiros), Jorge Andrade (gerente de futebol), Guilherme Faggioni (médico), Cuquinha (auxiliar) e Eudes Pedro (auxiliar).

Mas não foi apenas o elenco que disputava a Libertadores que sofreu com o vírus no CT Rei Pelé. A equipe feminina do Peixe teve 22 infectados, sendo 17 atletas e cinco membros da comissão técnica.

Caso Robinho

Outro ruído que mexeu com os bastidores do Santos no decorrer da Libertadores foi a contratação de Robinho. O clube chegou a anunciar o retorno do atacante no dia 10 de outubro, mas voltou atrás e suspendeu o vínculo após a forte pressão externa, que gerou inclusive a perda de patrocínios.

Após confirmar o acerto com o jogador, o Peixe passou a ser pressionado por conta do processo que o atacante de 36 anos enfrenta na Itália, por violência sexual. Em dezembro, a Corte de Apelação de Milão confirmou a condenação. O caso agora passa para a Corte de Cassação da Itália. Caso seja mantida a decisão, o brasileiro será de fato considerado culpado na justiça do país.

"Com muita tristeza no coração, venho falar para vocês que tomei a decisão junto do presidente de suspender meu contrato neste momento conturbado da minha vida. Meu objetivo sempre foi ajudar o Santos Futebol Clube. Se de alguma forma estou atrapalhando, é melhor que eu saia e foque nas minhas coisas pessoais. Para os torcedores do Peixão e aqueles que gostam de mim, vou provar minha inocência", disse o jogador no comunicado sobre a suspensão do contrato com o Santos.