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Premier League: Liverpool e United são certeza de sucesso na briga pelo título, mas o Manchester City é o time a ser observado

O Manchester United se tornou líder da Premier League nesta terça-feira. Com a vitória por 1 a 0 contra o Burnley em Turf Moor, a equipe de Ole Gunnar Solskjaer vai entrar no confronto de domingo, contra o Liverpool, em Anfield, com os atuais campeões querendo retomar a ponta da tabela. Estaria a maior rivalidade da Inglaterra de volta?

Os dois maiores e mais bem-sucedidos clubes da Premier League – dois rivais que somam 39 títulos entre si - finalmente lutando, frente a frente, pelo título inglês. Desde que a Premier League começou em 1992-93, United e Liverpool não têm sido competitivos ao mesmo tempo, então uma verdadeira corrida pelo título entre os dois seria um evento raro.

Mas espere um pouco. Por mais atraente que seja imaginar United e Liverpool brigando pescoço a pescoço pelos próximos meses, a fase atual sugere que o time a ficar de olho na segunda metade da temporada é, na verdade, o Manchester City. Enquanto todos os olhos estão começando a se concentrar nos grandes rivais, é a equipe de Pep Guardiola que está na melhor fase, e com um detalhe: eles seguem abaixo do radar.

Toda a conversa tem sido sobre o United chegar ao topo – talvez por causa do fator novidade, considerando que o United não é campeão desde 2013. Mas se o City vencer seus dois jogos a menos em relação ao Liverpool, também vai superar a equipe de Jurgen Klopp. Se os resultados forem positivos nesta rodada, o City pode até estar no topo da tabela já no domingo e a história mostra que, quando o City chega ao topo, ele tende a permanecer ali mesmo.

Há menos de dois meses, depois de perder por 2 a 0 para o Tottenham Hotspur em 21 de novembro, o City estava na 11ª posição da tabela, com apenas três vitórias em seus primeiros oito jogos. Depois de somar 12 pontos de 24 possíveis, o clube fez seu pior início de temporada em 12 anos. Os gols haviam parado de sair, com apenas 10 marcados em oito jogos, enquanto problemas defensivos fizeram com que o time de Guardiola registrasse um saldo de gols negativo, com 11 sofridos naquela altura da competição.

Sete semanas depois, no entanto, foram 14 gols nos sete jogos seguintes e apenas dois sofridos. O City agora tem a melhor defesa da Premier League e, embora nove equipes tenham marcado mais do que os Citizens, o ataque está voltando ao normal - o City fez cinco nos últimos dois jogos de Premier League - então parece que as peças estão começando a se encaixar.

Mudanças sutis foram grandes fatores no retorno do City à boa fase. John Stones, um jogador cuja carreira no City parecia estar chegando ao fim após duas temporadas difíceis, foi titular em seis dos sete jogos do campeonato desde a derrota contra o Tottenham, e formou uma parceria extremamente promissora com o português Rúben Dias. Stones e Dias deram ao City solidez e consistência na retaguarda e, assim, também deram à equipe a plataforma para atacar com a confiança de que a defesa está bem cuidada.

Alguns dos jogadores de Guardiola, incluindo Raheem Sterling e Kevin De Bruyne, tiveram menos de duas semanas de descanso ao fim da temporada passadas devido a compromissos com suas seleções em meados de agosto. Foi uma história semelhante no United, com Marcus Rashford, outro jogador de alto nível que não teve muito tempo de descanso, e o time de Solskjaer também começou devagar.

Enquanto equipes como Liverpool e Tottenham se beneficiaram de longos períodos de descanso entre as temporadas, City e United tiveram que se recuperar fisicamente, o que pode explicar os altos e baixos nos primeiros desempenhos e resultados. O City perdeu por 5 a 2 em casa para o Leicester, enquanto o United foi derrotado por 6 a 1 pelo Tottenham em Old Trafford.

A vitória por 3 a 1 da semana passada contra o Chelsea foi um exemplo da fluidez recém-descoberta do City. Com De Bruyne jogando de falso 9, o Chelsea foi dizimado por um time que não tinha atacantes, devido aos contínuos problemas físicos de Aguero. O contrato do argentino termina no meio deste ano, mas o City agora começa a mostrar sinais de que pode prosperar sem o seu camisa 10, já que as opções variam de Kevin De Bruyne, Sterling, Gabriel Jesus a Phil Foden e Riyad Mahrez.

A ameaça ofensiva que o City posta está em contraste direto com o Liverpool. A vitória por 7 a 0 para cima do Crystal Palace em 19 de dezembro parecia ser um aviso para o resto da liga, mas provou ser um fracasso, com os jogadores de Klopp marcando apenas um gol nos três jogos seguintes contra West Brom, Newcastle United e Southampton.

O Liverpool venceu cinco, empatou cinco e perdeu dois dos últimos 12 jogos em todas as competições. Apenas quatro vezes nessa série o time conseguiu marcar mais de uma vez em um jogo e é esse fracasso em encontrar um segundo gol que está ameaçando as esperanças do Liverpool do bicampeonato. Sim, estamos falando de um time que sofreu uma série de problemas com lesões de jogadores importantes, como Virgil van Dijk, Joe Gomez e Thiago Alcântara. A perda de Diogo Jota devido a uma lesão no joelho também afetou o ataque dos Reds. Mas também há uma sensação de cansaço, mental e físico, com o time do Liverpool. As próximas rodadas também jogam a favor do City. O time de Guardiola enfrenta Brighton e Crystal Palace em casa esta semana antes de uma partida que tem tudo para ser difícil contra o Aston Villa em 20 de janeiro. Mas o City espera vencer os jogos contra West Brom, Sheffield United e Burnley antes de viajar para Anfield em 6 de fevereiro.

A essa altura, o City provavelmente estará no topo da tabela, a julgar pela sequência de jogos que Liverpool e United terão. O Liverpool enfrenta o United e o Tottenham, além de ter que ir para Londres e enfrentar o West Ham antes de pegar o City, enquanto o United joga em Anfield, contra o Arsenal fora e contra o Everton nesse mesmo período.

O United está certamente em melhor posição para conquistar o título do que em qualquer momento da era pós-Ferguson, e possíveis vitórias consecutivas em Turf Moor e Anfield esta semana confirmarão seu status como verdadeiro candidato ao título. Mas tudo aponta para que o City seja a equipe que todos têm de vencer, apesar de Liverpool e United estarem ganhando os holofotes por enquanto.