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Barcelona: por que Griezmann pode ser 'o cara' contra a Real Sociedad nesta quarta

Se Antoine Griezmann provar ser um jogador de destaque nas semifinais e na final da Supercopa da Espanha esta semana, nenhum de nós poderá dizer que foi inesperado. Seus gols e assistências nas últimas duas partidas parecem ter resgatado sua temporada e, talvez, até mesmo seu futuro no Barcelona.

Sim, é verdade: as duas assistências para Lionel Messi fizeram Griezmann parecer Luis Suárez, não aquele jogador que parecia que simplesmente nunca daria certo ao lado do argentino.

Griezmann também fez um belíssimo gol contra o Granada no último sábado, recebendo o passe de Dembelé e encontrando uma janela minúscula para bater o goleiro Rui Silva. Foi obsceno – em um bom sentido.

No entanto, fomos avisados (de maneira ainda mais incisiva) de que Griezmann provavelmente fará seu ex-clube, a Real Sociedad, sofrer em Córdoba, nesta terça-feira - a bola rola para a semifinal da Supercopa da Espanha às 17h (de Brasília), com transmissão da ESPN Brasil e ESPN App. Depois disso, é provável que o francês ajude o Barcelona a conquistar o título em cima de Real Madrid ou Athletic Bilbao. Tenha paciência, eu vou explicar.

Veja, Griezmann adora semifinais - como Paul McCartney gosta de um piano, Hollywood gosta de uma saga e Popeye gostava de espinafre. Griezmann tem o grande hábito de produzir em semifinais e ajudar (bastante) o seu time a sair vitorioso.

Francamente, deveríamos ter esperado que os últimos dias fossem produzir sinais de que ele estava se preparando para algo especial. Vou elaborar.

Griezmann jogou e/ou venceu as semifinais da Eurocopa sub-19, da Copa do Mundo de sub-20, da Eurocopa, da Copa do Mundo, da Champions League, da Liga Europa, da Copa do Rei e da Supercopa da Espanha. E o fato é que quase sempre ele entrega. Seu histórico é impressionante. A nível profissional, começa com a eliminação da Croácia na semifinal da Euro sub-19 (então venceu a final contra a Espanha) em 2010 e termina com um gol na derrota do Barcelona por 3 a 2 na Supercopa para o Atlético de Madrid, na Arábia Saudita, na temporada passada.

Neste intervalo, Griezmann anotou os dois gols na vitória por 2 a 0 sobre a Alemanha na semifinal da Euro 2016; deu a assistência para Umtiti marcar o gol que eliminou a Bélgica da Copa do Mundo; deu uma assistência a Diego Costa para que o Atleti eliminasse o Arsenal Liga Europa de 2018 (Griezmann marcou dois gols na final); marcou o gol decisivo fora de casa em Munique que significava que o Atleti de Diego Simeone, e não o Bayern de Munique de Pep Guardiola, passaria para o jogo contra o Real Madrid na final da Champions League de 2016; marcou na vitória por 2 a 1 sobre o Real Madrid na semifinal da Champions League de 2017; marcou pelo Atleti na derrota em casa por 2 a 1 para o Barcelona na semifinal da Copa do Rei de 2017 e deu uma assistência a Kevin Gameiro na partida de volta.

E quando se trata de decisões, embora ele ainda sinta a dor daquele pênalti perdido na final da Champions de 2016 contra o Real, ele fez um gol na final da Copa do Mundo de 2018, fez outros dois na final da Liga Europa de 2018 e deu uma assistência para Mario Mandzukic marcar o gol da vitória na Supercopa da Espanha contra o Real em 2014, quando ainda atuava pelo time de Simeone.

Estamos falando de números incríveis que vão além de enfatizar seu talento, eles gritam “jogador de jogo grande”.

Então, dada essa imunidade anterior a pressões, o que diabos há de errado com ele desde que foi para o Barcelona em 2019?

Quando o encontrei e entrevistei no meio de sua primeira temporada no Barcelona, ele levantou alguns assuntos muito importantes. Primeiro, que esperava demorar muito para se estabelecer, algo que não tinha vergonha de admitir.

"Sou muito tímido e não costumo falar com os outros por causa da minha timidez", disse ele. “Não sou o tipo de pessoa que começa uma conversa porque sou muito tímido. Isso vai melhorar com o tempo. Notei uma mudança no meu segundo ano no Atlético. Eu disse: 'Este é o jogador que eu quero ser!'

"Quando jogo futebol, quando estou em campo, faço o que é natural para mim. Não penso muito. Por exemplo, se não estou bem na minha vida pessoal, isso reflete no campo”.

Na entrevista que eu mencionei, ele também deixou claro que estava tentando se adaptar ao estilo que cansou de ver (e enfrentar) quando não era jogador do Barcelona. Messi, Xavi, Iniesta, Busquets, Neymar, David Villa, Dani Alves... são muitos os nomes.

"Eu não saí do Atlético para vencer mais títulos", disse Griezmann. "Vim para o Barcelona para aprender um novo estilo de jogo, uma nova filosofia. Tratava-se de aprender em um clube que enxerga o futebol de uma forma diferente".

Infelizmente para ele, quando chegou a Camp Nou, essa era já tinha acabado.

Não apenas o time estava em declínio notável, como o próprio conceito de futebol com posse de posição, o ideal de Johan Cruyff, difícil de jogar contra e brutal de aprender, havia sido abandonado. Griezmann era como um jovem ansioso procurando aprender física nuclear em uma faculdade que acabara de passar por uma reformulação conturbada no curso.

Griezmann carrega o terrível fardo de ser um dos caras legais do futebol. Talvez um pequeno Peter Pan em alguns aspectos, muito tímido para um homem de 29 anos, mas inquestionavelmente cheio de habilidade, um jogador talentoso e alguém que está desesperadamente procurando respostas para: A) como reproduzir sua melhor fase no Barça e B) a melhor forma de fazer sua parceria com Messi funcionar.

O trabalho de cobertura, o desarme, a pressão, a diligência defensiva que ele havia aplicado no Atleti eram todos como sal em uma ferida aberta quando as outras coisas não davam certo. O valor de cada coisa extra que ele faz em campo estava desaparecendo em meio aos questionamentos: "Onde estão os gols e assistências pelos quais você foi comprado?" E agora? Bom, agora, a presença de Griezmann no ataque do Barcelona é essencial.

E no melhor momento do francês com a camisa do clube catalão, chegamos a uma semana de semifinal.

Ele tem um histórico respeitável de gols contra seu ex-clube, mas ninguém na equipe de Koeman pode ter dúvidas de que, se jogarem como jogaram por longos períodos nos meses anteriores, a Real Sociedad tem a capacidade de ter uma boa atuação, mandando para o espaço toda a esperança do Barcelona.

Quanto aos outros dois rivais, se Griezmann produzir e evoluir, ele teve boas atuações contra os rivais de seus times nos últimos anos. Athletic e Real são dois dos três adversários contra os quais ele aparece com mais frequência, marcando 16 gols em 20 vitórias, 20 derrotas e 13 empates.

Fato é que teremos duas semifinais fascinantes, uma possível final totalmente basca, uma possível final contra o Real Madrid ou a primeira revanche de um time do Barcelona contra uma equipe treinada por Marcelino García, que marcaria o primeiro encontro do Barcelona com o algoz da Copa do Rei de 2019.

Esta promete ser uma semana especial do futebol espanhol. Não perca, sob hipótese alguma.