<
>

'Dossiê', videoconferência e ex-alvo do Flamengo em 'lista secreta': os bastidores de por que Palmeiras apostou em Abel Ferreira

Abel Ferreira completa neste sábado (5) um mês à frente do Palmeiras. Talvez nem o mais otimista dos palmeirenses esperasse um desempenho tão bom do novo treinador com tão pouco tempo de serviço.

Até o momento, o português soma nove partidas no Verdão, com apenas uma derrota, um empate e outros sete triunfos.

A equipe está nas quartas de final da Conmebol Libertadores, na semifinal da Copa do Brasil e na quinta colocação do Campeonato Brasileiro.

Com apenas um mês de clube, o português impressiona pelo conhecimento em relação ao elenco, ao clube e ao futebol brasileiro num todo, uma vez que estava no modesto PAOK, da Grécia, há um mês.

O ESPN.com.br apurou com fontes ligadas ao Palmeiras o porquê do nome escolhido vir de tão longe, como se deu a negociação e por que apostar em um português desconhecido para dirigir um dos elencos mais caros do futebol brasileiro.

Conforme antecipado pela reportagem, o 'plano A' do time paulista era Miguel Ángel Ramírez, comandante do Independiente del Valle, do Equador.

Após uma viagem da cúpula do futebol do Palmeiras para acertar a contratação, a negociação acabou naufragando por conta de uma diferença na data do início do trabalho, uma vez que Miguel Ángel aceitaria dirigir a equipe no início de 2021, prazo que o Palmeiras não quis esperar.

No 'processo seletivo' montado pelo clube paulista, dois requisitos eram fundamentais para que o nome do profissional fosse levado em conta: juventude e ter um histórico de trabalho com categorias de base.

Com isso, o Palmeiras chegou a cogitar nomes como Bruno Lage e Leonardo Jardim, este alvo do Flamengo ainda para a vaga de Jorge Jesus, no início do ano.

Porém, de acordo com apuração da reportagem, outro nome com o qual o clube conversou foi Gabriel Heinze. Porém, algumas exigências do argentino colocaram por terra toda e qualquer possibilidade de existir um acerto. Em uma reunião do departamento de futebol com o empresário Giuliano Bertolucci, levantou-se o nome de Abel Ferreira.

Até então no PAOK, o treinador havia trabalhado nas categorias de base do Sporting, feito um trabalho bastante seguro ao levar o modesto Braga para a Europa League e com a possibilidade de disputar a competição na temporada 2020/2021 com o clube grego, que havia sido eliminado ainda nos playoffs classificatórios para a fase de grupos da Uefa Champions League.

O Palmeiras então procurou Hugo Cajuda, representante de Abel Ferreira, que, segundo informações obtidas com fontes ligadas ao clube, foi peça-chave na negociação.

Foi por meio do empresário que o clube paulista realizou uma reunião por videoconferência com Abel Ferreira. O encontro aconteceu após a vitória por 3 a 0 da equipe em cima do Atlético-GO, em Goiânia, pelo Campeonato Brasileiro.

Na reunião, o Palmeiras tinha preparado uma espécie de 'dossiê' com todas as características do treinador. Porém, os fatores que mais surpreenderam e animaram o time paulista foi a seriedade e o profissionalismo mostrados por Abel Ferreira, que se dedicou a ouvir e a ter embasamento para discutir e conversar com os dirigentes do Palmeiras.

Enquanto isso, Hugo Cajuda foi quem ajudou o Palmeiras a negociar os pagamentos de multa com o PAOK, acertar os valores envolvendo Abel Ferreira e o clube paulista, além de convencer o treinador a aceitar a oferta do Verdão, uma vez que Abel Ferreira tinha o desejo de conduzir a equipe grega na Europa League.

Porém, o projeto do Palmeiras seduziu o português, que, em pouco menos de uma semana, resolveu as pendências que ainda tinha com o PAOK para vir ao Brasil e ser apresentado como novo comandante do clube paulista.

Justamente no dia em que completa um mês à frente do Palmeiras, Abel Ferreira tem um primeiro clássico pela frente, diante do Santos, na Vila Belmiro.