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Sem Coudet, fonte de Galhardo 'seca', Inter sofre e tem desafio de buscar o que só três brasileiros conseguiram

Em um dos momentos de maior pressão nesta temporada, o Internacional entra em campo nesta quarta-feira (02) para tentar deixar para trás a fase turbulenta, em um duelo de camisas pesadas na América do Sul. Diante do Boca Juniors, às 21h30 (de Brasília), o Colorado abre a fase oitavas de final da Conmebol Libertadores, em duelo adiado após a morte de Diego Armando Maradona.

Diante do gigante argentino, a equipe precisará superar o principal problema vivido desde a saída de Eduardo Coudet: os poucos gols. O momento pouco efetivo do time no ataque passa diretamente pela seca de seu principal nome na temporada: Thiago Galhardo.

Destaque ofensivo sob o comando do treinador argentino, o atacante já soma 21 gols em 44 partidas pelo Colorado em 2020, e chegou à seleção brasileira. Mas desde que Coudet aceitou trocar o time de Porto Alegre pelo Celta de Vigo, Galhardo não marcou mais.

Já são cinco jogos sem gols ou assistências, além de dois pênaltis perdidos. O último no empate em 0 a 0 diante do Atlético-GO, que levou o Internacional à sexta partida sem vitórias pelo Campeonato Brasileiro de 2020, a segunda maior sequência desde 2016. Naquele ano, no entanto, a crise foi muito mais grave, e o time passou longos 14 jogos sem um triunfo sequer pela competição nacional.

“Existe uma mudança, e isto é claro para todos. E tem influência na maneira do time jogar. Isto é um fato. Mas queda de rendimento é de todo o grupo. Quando eu estava em um momento espetacular, todos ganharam juntos. E agora empatamos e perdemos todos juntos”, disse Galhardo na última segunda-feira.

“Tem uma frase que eu levo na minha vida que é a seguinte: 'Tudo passa'. Não sou tão bom quanto diziam, assim como não sou tão ruim como estão dizendo agora”.

Sob o comando de Abel Braga nas ultimas cinco partidas, no entanto, o Colorado tem mantido o padrão de pressão ofensiva visto com Coudet, com mais posse de bola do que seus rivais, e seguindo com um número de finalizações a gol acima de dez por jogo.

Considerando as últimas cinco partidas do Internacional com Eduardo Coudet, para a comparação com o mesmo período de Abel Braga, a equipe tem sofrido menos gols (5 contra 7), mas também tem balançado muito menos as redes rivais: marcou 8 na reta final do argentino, e apenas dois com a nova comissão técnica.

Mesmo antes de deixar o Internacional, Coudet já sofria com questionamentos sobre um momento de oscilação da equipe, que acumulava duas vitórias, dois empates e uma derrota em suas últimas cinco partidas.

Desde que o técnico argentino deixou o clube, já foram três derrotas, um empate e uma derrota. No único triunfo, a equipe ainda foi superada nos pênaltis pelo América-MG, que resultou na eliminação na Copa do Brasil. Além de dar adeus à competição mata-mata, o Colorado ainda deixou a liderança do Campeonato Brasileiro, e agora está na quarta colocação, cinco pontos atrás do líder Atlético-MG.

Se quiser seguir brigando pelo tri da América, o momento do Internacional precisará ser de virada.

Não bastasse superar sua oscilação na temporada, o Colorado ainda terá que passar por cima de um adversário que não costuma ser presa fácil para brasileiros. Em toda história da Libertadores, o Boca Juniors já encarou times do Brasil em 18 confrontos, e levou a melhor em 15 deles.

Das três que times do nosso país bateram os argentinos em fases eliminatórias, duas aconteceram em finais: o Santos, em 1963, e o Corinthians, em 2012. Além deles, apenas o Fluminense de Renato Gaúcho, em 2008, conseguiu a façanha de derrotar o time de Buenos Aires em duelos mata-mata pela maior competição de clubes da América.

O último brasileiro que encarou o Boca Juniors em fases eliminatórias foi o Athletico-PR, em 2019, que acabou superado perdendo os jogos no Brasil e na Argentina.