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Antony, antes de encarar Liverpool na Champions: 'Sair da favela tem desvantagens, mas também pontos positivos'

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Antony recusaria até a camisa 10 para seguir com o número 39: 'Tenho até uma tatuagem' (1:12)

'A minha família gosta muito desse número', disse o atacante do Ajax (1:12)

Os dias 27 de outubro e 3 de novembro ficarão memorizados para sempre na mente de Antony, 20. Foram as datas em que ele fez, por enquanto, seus únicos jogos pela Champions League defendendo o Ajax. Agora ele pode ter uma nova data para não se esquecer jamais: 1º de dezembro de 2020.

Nesta terça-feira, o jovem relevado pelo São Paulo deve estar em campo contra o Liverpool, um dos maiores campeões do torneio, no estádio Anfield, e talvez como titular.

Em entrevista ao “The Guardian”, Antony revelou como foi realizar o sonho da família de jogar um dos principais torneios de futebol do mundo e o que espera do Liverpool.

“É uma partida muito importante. Sabemos o quão grande é o Liverpool, mas também sabemos das nossas qualidades e jogamos para vencer. Temos que jogar no nível em que atuamos recentemente. Sempre sonhei em jogar na Champions League e sinto-me muito realizado. Principalmente contra jogadores como Alisson, Roberto Firmino, Fabinho e outros. É uma honra”, disse Antony.

O mais marcante da entrevista, contudo, foi a recordação do jovem sobre seus primeiros anos de vida, em Osasco. Lembrou que os primeiros calçados que usou foram “emprestados” pela mãe da loja de sapatos onde ela trabalhava. Eles não tinham dinheiro para comprar.

“Vir da favela tem desvantagens, mas também pontos positivos. O lado difícil é que você está sempre exposto a coisas ruins - drogas, armas e assim por diante. O lado bom é que dentro da comunidade existe essa humildade. Ninguém se considera maior ou mais importante”, disse.

“O que eu vivi lá foi ver coisas que machucam as pessoas: famílias perdendo filhos, maridos, esposas. Sofri quando a polícia invadiu minha casa para ver se tinha alguma coisa lá. Eu morava no meio da favela, perto de onde a droga era vendida quase na frente da nossa casa. São coisas que você vê e choca. Mas sempre tive a força da minha família, uma família muito devotada a Deus, que sempre me mostrou o caminho certo a seguir”, disse o atacante.

Antony deixou o São Paulo neste ano por 15,7 milhões de euros, a terceira transferência mais cara da história do clube do Morumbi. Já soma 11 jogos, cinco gols e três assistências.