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Ex-São Paulo conta como é ser comandado por Rogério Ceni, técnico do Flamengo: Palestra curta, 'resenha' na concentração e ensinamentos nos treinos

Em quase quatro anos como técnico, Rogério Ceni terá contra o Racing-ARG, nesta terça-feira, um dos principais desafios da carreira. Para avançar às quartas de final da Conmebol Libertadores, o Flamengo precisa de um empate sem gols ou de uma vitória simples, já que ficou no 1 a 1 na Argentina no duelo de ida.

O jogo, que será realizado no Maracanã, terá transmissão ao vivo do FOX Sports e acompanhamento em tempo real, com vídeos de lances e gols, do ESPN.com.br.

Para entender como é trabalhar com Ceni, a reportagem conversou com Thomaz, atualmente no Operário-PR, que foi comandado pelo técnico no São Paulo, em 2017. O meia falou como foi a passagem de sete meses pelo treinador rubro-negro no clube do Morumbi em sua primeira experiência na função.

Os treinos

Rogério Ceni gosta de equipes que joguem um futebol mais ofensivo.

“Os treinos eram bem dinâmicos com muito trabalho de passe de aproximação e de jogo coletivo. Ele faz o time jogar e ter posse de bola. A gente tinha 70% de posse no São Paulo e gostava de ficar com a bola. Com a gente ele jogava no 4-3-3 e valorizava muito jogar para frente e fazer triangulações. Ele conquistou as coisas no Fortaleza com um time bem encaixadinho".

Para demonstrar o que desejava dos atletas, ele participava das atividades de dentro do campo, seja dando passes ou cruzamentos.

“Todos os treinos eram filmamos para passar depois na preleção o que tínhamos feito certo e errado. Ele explicava o que queríamos que fizéssemos. Por exemplo, se a gente errasse duas faltas laterais, o Rogério ia lá e mostrava como queria batendo na bola. E a precisão era impressionante!" contou Thomaz.

“Ele ensinava o jeito de bater na bola e a posição do pé. Isso que é o treinador, você já esteve do outro lado e ensinar é muito importante”.

Resenha na concentração

Nas horas vagas, Ceni gostava de "resenhar" com os comandados antes das partidas.

“Rogério se concentrava com a gente no CT e de noite contava alguma história da carreira dele ou da experiência e todo mundo parava para ouvir. Ele jogou muito tempo e conhece a linguagem do jogador e entende o que um jogador está sentindo. Ele conhece tudo o que um jogador pode passar".

"É muito fácil trabalhar com ele. Ele dava muitos conselhos e tentava passar a experiência dele para os mais jovens. Isso é importante para o jogador evoluir”.

Palestras curtas

"As palestras dele antes dos jogos eram como deveriam ser: não eram longas. Passou dos 20 minutos, o jogador não presta muita atenção. Ele era bem objetivo".

Durante os jogos, Ceni não é um treinador que fica quieto ou parado no banco de reservas.

"Estava sempre disposto a ajudar todo mundo. Na beira do campo era bem participativo, gritava... Ele cobrava quando precisava, mas também sabia incentivar”.

Thomaz acredita que o ex-treinador tem tudo para ser vitorioso na Gávea.

“O problema é que sofria muita pressão qualquer jogo que perdia ou empatava a cobrança era muito grande porque não conquistava títulos. O Rogério é um cara vencedor e o Flamengo mostrou no último ano que é assim. Acho que vai dar muito certo esse trabalho, agregando a característica dos jogadores com o que Rogério gosta, o Flamengo tem tudo para fazer um grande ano”.