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Jogadora espanhola explica por que se negou a homenagear Maradona: 'Não posso defender isso'

Paula Dapena, jogadora do Viajes EntreRías Fútbol Femenino, causou grande repercussão depois que no último sábado se recusou a participar do minuto de silêncio a Diego Armando Maradona durante um amistoso contra o Deportivo Abanca. Enquanto as atletas das duas equipes ficaram perfiladas, ela sentou-se e virou-se de costas.

“Comecei a jogar futebol com cinco anos de idade, como qualquer futebolista tenho minhas referências. Tenho 24 anos, conheço o futebol de Maradona, Ronaldinho, Zidane e de muitos outros que se aposentaram. Todos têm suas habilidades e trajetórias”, afirmou em entrevista ao jornal El Confidencial.

“Tenho meus próprios ideais, creio que para ser jogador e bom esportista tem que ter valores acima do seu futebol”, disse Dapena. “Outro dia foi 25 de novembro, 25N, se luta pela eliminação da violência machista. Nesse mesmo dia morreu Maradona e vejo muita hipocrisia de gente que luta contra essa violência, mas ao mesmo defende um agressor como ele era. Há vídeos dele batendo em sua parceira, imagens com duas crianças nuas a seu lado”.

Em 2014, um vídeo de uma suposta agressão de Maradona em Rocío Oliva, sua então namorada, correu o mundo. Ela chegou a prestar queixas, mas não foi adiante com o caso. No meio deste ano, em entrevista ao programa Intrusos, da TV argentina, Oliva disse que Maradona "nunca foi violento" com ela.

Como relatou o jornal El País recentemente, em Cuba, onde ele morou entre 2000 e 2005, o ex-jogador foi fotografado abraçando mulheres nuas que aparentavam ser menores de idade.

“Obviamente, como feminista, não posso defender isso”, declarou a atleta. “Sou muito fã de Zidane, mas se sai agora que é um agressor, eu te digo, Zidane já não existe para mim. Ainda que tenha feito muito pelo futebol. Tem que dar exemplo de outra maneira”.