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Quem é o empresário que ficou dez anos brigado com Maradona e foi único do futebol em enterro

Com a mesma cabeleira branca, mas aparência muito mais envelhecida, Giuseppe Coppola, 72, desceu do carro e caminhou até a entrada do cemitério Jardín Bella Vista, na região metropolitana de Buenos Aires, na Argentina. Muitos se surpreenderam ao ver que a família havia concedido a ele o direito de ser a única figura ligada ao futebol presente no sepultamento de Diego Armando Maradona.

Quem permitiu a ida dele foi Claudia Villafañe, primeira esposa de Maradona e mãe de Dalma e Giannina, suas duas únicas filhas com o ex-jogador. A família deu a ela o “poder” e a difícil missão de selecionar quem poderia estar no último adeus. Tarefa complicada dado a idolatria e a ligação que o eterno camisa 10 conseguiu ao longo de seus 60 anos. Mas foi preciso para evitar confusão.

Entre as escolhas de Claudia estava o veto a Rocío Oliva, ex-namorada de Maradona acusada por ele, em 2014, de ter roubado diversos pertences seus, como joias, relógios etc., totalizando um prejuízo de 400 mil dólares.

Coppola também teve uma briga longa com Maradona anos atrás, quando o craque o acusou de tê-lo roubado durante a parceria de 18 anos. Eles ficaram afastados, inclusive os familiares. A reconciliação ocorreu apenas em 2015.

A relação entre eles começou 30 anos antes daquele evento, quando o jogador Carlos Randazzo os apresentou. Maradona estava no Napoli, da Itália, e fez apenas uma condição para Coppola virar seu empresário: ele não poderia agenciar outros nomes.

Assim foi de 1985 até 2003, período em que Coppola conseguiu melhorar contratos, firmar acordos publicitários e aumentar o círculo social do craque, promovendo encontros de Maradona com muitas personalidades, como o cubano Fidel Castro, o Papa João Paulo II, os músicos Elton John e Rod Steward, a atriz Catherine Deneuve e até o príncipe Charles da Inglaterra.

Mas a relação teve seus desgastes também. Afinal, Coppola esteve com Maradona no período em que o craque já era usuário de cocaína, vício que piorou após a conquista da Copa do Mundo de 1986, em um torneio que o camisa 10 esteve “limpo” e mostrou toda sua genialidade.

Coppola era mais do que um agente. Estava mais para amigo pessoal e membro do estafe permanente de Maradona. Tanto que foi membro extraoficial da seleção argentina campeã em 1986. Muitas paixões os aproximavam, sendo o Boca Juniors a maior de todas.

A fama de Maradona fez bem também para Coppola, que tornou-se uma personagem midiática e com fama, tendo-se relacionaco com diversas mulheres. Ninguém sabe ao certo o motivo, mas a amizade teve atritos e se desgastou. Houve momentos de separação e reconciliação, mas em 2003 chegou ao fim de forma traumática, com Maradona acusando Coppola de tê-lo roubado em contratos.

Alguns dizem que Coppola acabou afundando em uma depressão profunda. Mas antes disso já tinha uma vida complicada. Foi acusado de assassinar o amigo e empresário Leopoldo Armentano, em 1994, tendo ficado detido por três meses, mas o caso prescreveu em 2006. Também diziam que ele levou Maradona a cometer excessos com álcool, drogas e mulheres.

Seja como for, eles acabaram se reconciliando em 2015, quando o pai de Maradona morreu aos 87 anos. Voltaram a se falar. Neste ano, estiveram juntos em um jogo da Copa da Argentina.

A presença no sepultamento deixou Coppola muito emocionado. Ao ser procurado pelo diário “Olé”, ele mal conseguiu traduzir em palavras o que estava sentindo. Deu um breve depoimento e entrou no mesmo carro que o conduziu até o cemitério.

“Eu pude vir, despedir-me de um grande amor. Sou muito grato à família. Pude ver Dalma e Giannina, que poderão contar sempre comigo. Sou grato a Claudia. Fiquei arrepiado, foi um tremor terrível, superou qualquer sensação. Angústia, emoção. Era difícil acreditar no que estava vivenciando, era incrível o que se vivia no mundo inteiro. Me deixe, estou tocado ainda”, disse Coppola, emocionado.