<
>

Casagrande, 'chocado', revela revolta e chora ao falar de Maradona: 'É a minha morte também'

Casagrande não segurou a emoção ao falar de Maradona. Também dependente químico, como era o argentino que morreu nesta quarta-feira (25), aos 60 anos, na Argentina, o ex-jogador de 57 anos revelou revolta com a situação do ex-colega, chorou ao vivo e fez até uma espécie de desabafo.

"Não tenho vergonha de dizer que sou igual àqueles caídos na Cracolândia [local na região central de São Paulo onde muitos dependentes químicos convivem], que são humilhados, parte da decoração terrível de São Paulo. Eu tenho sobrevivido, mas sou um dependente químico. E a morte de Maradona é a minha morte também", disse o ex-atleta no programa Redação SporTV, do canal SporTV.

Casagrande jogou no Ascoli, da Itália, entre 1987 e 1991, período em que Maradona defendia o Napoli, do mesmo país - El Pibe atuou pelo clube de 1984 a 1991.

"Cara, assim, eu estou bem chocado, não só pelo Maradona, mas pelo [jornalista Fernando] Vanucci ontem. Está muito difícil, né, este ano, esta semana. Eu joguei na mesma época que o Maradona na Itália, joguei com o irmão dele no Ascoli, tive bastante contato com ele. Sempre me tratou muito bem, sempre tratou minha família muito bem", relembrou o atualmente comentarista de futebol da TV Globo, em participação no programa Jornal Hoje, da mesma emissora.

Na sequência, Casagrande revelou revolta com as pessoas mais próximas de Maradona. E em certo momento, a voz embargou.

"E eu sempre tive esta preocupação com este problema da dependência química dele, que é a mesma que eu tenho, o mesmo problema que eu tenho, eu me tratei."

"E eu sempre fiquei revoltado com quem estava ao redor dele, porque quem está ao redor da pessoa está vendo o que está acontecendo, está vendo ele ir para o fundo do poço, está vendo que ele está destruindo a vida dele, e ninguém faz alguma coisa para evitar isto que aconteceu hoje?"

O ex-atacante de Corinthians, São Paulo, Flamengo e Torino seguiu, tentou ao menos: "Cara, eu fico chocado pela perda de um grande jogador, por um cara que eu conheci e gostava muito, e por um dependente químico, eu sofro muito quando morre um dependente químico, pra mim é muito duro... [voz embargada]."

Maradona não resistiu a uma parada cardiorrespiratória sofrida na casa da filha dele, no bairro Vila Nova, na zona metropolitana de Buenos Aires. Várias ambulâncias foram ao local com profissionais para tentar reanimá-lo, mas não foi possível.