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Eleição no Corinthians: Duílio fala em gestão sem Andrés, uso da bilheteria da Arena no futebol e 'mais pés no chão' que o Flamengo

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Eleição no Corinthians: Duílio condena Gobbi por 'time de m...' e diz que ex-presidente terá dificuldade para encarar o elenco

Eleição no Corinthians acontece neste sábado (28), no Parque São Jorge, e vai definir o mandatário nos próximos três anos

Vindo de uma família com presença dentro do Corinthians, Duílio quer ser o primeiro Monteiro Alves presidente do clube. Aos 45 anos, conta com o apoio de Andrés Sanchez, atual mandatário e criador do grupo que governou a agremiação a partir de 2007, para se eleger.

O cenário o coloca com favoritismo diante de Mario Gobbi, seu principal crítico, e Augusto Melo, mas há quem entenda que Duílio terá de superar decisões impopulares recentemente, além de cativar o associado, para vencer o pleito.

As principais críticas são por ter deixado o cargo em meio à campanha ruim do time no Campeonato Brasileiro (9º lugar, cinco pontos acima da zona de rebaixamento), a montagem do elenco, que corresponde a terceira maior folha salarial do Brasil, e mudanças técnicas.

Duílio, que concorre à eleição pelo grupo "Renovação e Transparência", participou de boa parte da execução do planejamento, inclusive da contratação e demissão de Tiago Nunes. Mas não estava mais no cargo quando Vagner Mancini chegou.

Em entrevista para esta série da ESPN Brasil sobre a eleição do Corinthians, o ex-diretor de futebol e agora candidato respondeu outra crítica dos concorrentes: uma possível influência de Andrés dentro de sua gestão.

“Ele foi o maior presidente da história do Corinthians, deu a sua contribuição. Ele não vai participar da próxima gestão, mas a minha gestão vai ser independente do Andrés”, disse, que respondeu também a declaração de "time de merda" dada por Mario Gobbi (leia abaixo).

Neto do ex-vice-presidente e também diretor de futebol Orlando Monteiro Alves e filho do ex-diretor de futebol Adilson Monteiro Alves, um dos responsáveis pela Democracia Corintiana, Duílio espera escrever um novo capítulo familiar no Corinthians.

A eleição presidencial terá votação restrita para os sócios do clube e ocorrerá no próximo sábado, no ginásio do Parque São Jorge, das 9h às 17h (de Brasília). Quem vencer assume em janeiro.

Veja a entrevista com Duílio Monteiro Alves

PILARES DA GESTÃO
O principal é o futebol e a briga por títulos, mas temos de mudar muita coisa em relação à administração. As últimas gestões mudaram o Corinthians de patamar. Tivemos o Ronaldo, a Arena, o CT do profissional e o CT das categorias de base, que será entregue neste ano. Mas precisamos cuidar também do clube social e [ter] uma administração mais moderna, compatível com o que existe de melhor hoje, até para que a gente possa usar o que tem de positivo dessas estruturas que eu citei, como os CTs e principalmente a NeoQuímica Arena.

PROPOSTA PARA O FUTEBOL
Com a última mudança do estatuto, essa vai ser a primeira eleição no fim do ano. Nas anteriores, o escolhido acabava assumindo em fevereiro com um elenco montado, treinador contratado e toda uma estrutura já feita pela gestão anterior. Infelizmente com a pandemia, a gente acabou tendo a eleição até um pouco cedo em termos de futebol. Então, é um assunto muito delicado para a gente tratar agora por estar no segundo turno do campeonato. Futebol é muito sensível. Tudo que se fala se cria algum problema interno por falar de profissionais.

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Eleição no Corinthians: Duílio promete recuperar finanças e diz que terá mais pés no chão que Flamengo

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AVALIAÇÃO DO FUTEBOL
É claro que não vive um bom momento nesses últimos meses. Não estou satisfeito. Como ninguém lá dentro. O potencial do time é muito melhor do que tem sido feito em termos de resultado. Mas entendo também que agora com a chegada do Mancini o time está ganhando uma cara, está começando a ficar mais organizado. Chegaram também outros jogadores, como Cazares, Otero, Jemerson. Temos um bom elenco, um bom grupo. Em termos de gestão de futebol, até por tudo isso que coloquei, é claro que a gente precisa de mudanças. Temos algumas coisas para mexer, em alguns setores do clube inteiro e também do futebol, que não é diferente. Por eu ter conhecimento do futebol, somando todas as passagens, são aproximadamente seis anos e oito títulos. Muita gente julga hoje pelo momento do futebol, mas tem de separar.

“TIME DE MERDA”
Nessa live, Mario Gobbi colocou que não entende de futebol, que a palavra dentro do futebol nunca é do presidente e quem define as contratações não é o presidente. Eu discordo totalmente. Claro que qualquer jogador contratado pelo Corinthians, quando eu estive na direção de futebol, foram pedidos do treinador e aprovados pelo treinador. Só que a decisão final é do presidente. Quando ganha, o presidente é enaltecido, quando perde ele leva a culpa. Isso faz parte do futebol. A gente se preocupa muito com um ex-presidente colocar isso, sendo que se ele for eleito ele vai ter que estar no CT daqui 40 dias conversando com seus atletas, com seu time. É um patrimônio do Corinthians, os atletas que aqui estão. Então, é uma situação muito ruim para o clube e me preocupa como o ex-presidente Mario Gobbi, se for eleito, vai olhar na cara dos jogadores, do ‘time de merda’, como ele colocou, tendo lá profissionais que foram campeões do mundo na gestão dele.

AVALIAÇÃO DO ELENCO
Em relação a elenco, sei que o futebol é imediatista, sei que quando os resultados não veem nada presta, infelizmente. O Corinthians tem um bom grupo de jogadores, um bom elenco e um bom time, mas não encaixou. A gente vê uma melhora. Se colocar no papel, temos oito jogadores de seleção e que jogariam em muitos times do Brasil. Vou escalar uma defesa que o Corinthians tem condições de colocar em campo: Cássio, Fagner, Gil, Jemerson e Fabio Santos. Aí você tem Cazares, Otero, Luan, Jô, Cantillo. São jogadores de qualidade.

ESTILO DE GESTÃO
Sou mais jovem que os outros candidatos. Tenho experiência, história e DNA corintiano. Me tornei sócio antes do meu nascimento ser registrado. Meu avô foi diretor de futebol no título de 1977. Meu pai foi um dos idealizadores da Democracia Corinthiana nos anos 80. Eu fui diretor cultural em 2009/2010. Também tenho uma história dentro do clube social. E no futebol tive muito sucesso. Sou uma pessoa de conversa. Minha criação foi baseada na democracia, em escutar todos os lados, em tomar as melhores decisões para o grupo. Estou com Andrés há anos. Estive ao lado do Mario Gobbi e do Roberto de Andrade. Então, eu sei o que o Corinthians precisa. Uma delas é união interna. O que vemos hoje é muita gente pensando em si próprio. O Corinthians está muito dividido. Nesse momento precisa de um presidente que una o clube.

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Eleição no Corinthians: Duílio fala em usar metade da bilheteria da Arena para investir em time forte

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DÍVIDA E ARENA
Temos dívida alta, mas temos muitas formas de trazer novas receitas. O marketing é uma área que estamos trabalhando em relação ao que vem sendo feito. Por exemplo, essa parte de novas mídias, streaming, mídias sociais. É uma receita muito grande que nenhum clube brasileiro explora da melhor forma possível. Em relação a dívida, temos de renegociar alguns vencimentos, alongar outros. E, o principal, o presidente Andrés fechou o naming rights da Arena. São R$ 300 milhões em 20 anos, ou seja, R$ 15 milhões por ano. Vai nos ajudar muito. Existe um acordo que já vem sendo discutido há muito tempo com a Caixa Econômica e nos próximos dias devemos ter novidades, com 50% da receita do estádio [liberada para uso]. Isso vai nos ajudar a equalizar as dívidas, manter um time forte, com responsabilidade e transparência.

Nota da redação: a entrevista foi gravada em 20 de novembro. Em 27 de novembro, o Corinthians encaminhou acordo com a Caixa Econômica Federal para o pagamento da Arena. O valor reconhecido da dívida é de R$ 569 milhões, que a partir de agora terá as parcelas anuais e não mais mensais, começando em 2022 até 2040. Assim, a diretoria poderá usar a receita de bilheteria.

IGUALAR OU SUPERAR O FLAMENGO
Foi feito um bom trabalho pelo Flamengo lá atrás, mas o Corinthians está se organizando para fazer uma gestão muito moderna e profissional. Estamos com conversando com uma das quatro maiores empresas de auditoria do mundo. Em relação ao Flamengo, foi feito um bom trabalho, mas vamos esperar os números desse ano também. Com a pandemia, toda a dificuldade mundial, o Corinthians fechou no meio do ano com um pequeno superavit. E a gente está vendo clubes com R$ 150, R$ 180 milhões de deficit. Foi feito um bom trabalho no Flamengo, mas também não é bem assim. O futuro vai mostrar. Temos de ter os pés no chão até mais do que eles estão tendo. Essa é nossa proposta.

PAPEL DE ANDRÉS SANCHEZ
Ele foi o maior presidente do Corinthians, deu a sua contribuição e voltou para resolver o problema da Arena e tornar a dívida da Arena pagável. Conseguiu. Vai terminar com chave de ouro, com um acordo com a Caixa. Ele não vai participar da próxima gestão, mas quero deixar claro que a participação dele nos anos de Mario Gobbi e Roberto de Andrade não foi bem como se fala. O ex-presidente Gobbi, pela forma como ele fala, ele ganhou tudo e o Andrés só deixou as dívidas. Não é assim. A minha gestão vai ser independente do Andrés. Esse tipo de briga não vai existir. Andrés é dos meus grandes amigos. Vai estar sempre a disposição, mas não vai ter participação na gestão.

HERANÇA DEMOCRACIA CORINTHIANA
Foi a participação do esporte na redemocratização do nosso país. Não era normal você ver o diretor deixar os jogadores participarem das decisões do dia a dia. Posso te garantir que hoje o clube é assim. As coisas são decididas em conjunto, temos um ambiente ótimo. Todos compram a mesma ideia. Pretendo manter, assim como pretendo ouvir o torcedor comum. Sou muito aberto ao dialogo e pretendo colocar isso em prática no conselho deliberativo, no Cori e no conselho fiscal. Ter uma relação mais de conversa, mais aberta e mais participativa. Entendo que não é o momento de voltar um ex-presidente que já teve a oportunidade de fazer as coisas e não fez.

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Eleição no Corinthians: Duílio nega influência de Andrés e diz qual será o papel do atual presidente

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POSICIONAMENTO CONTRA RACISMO, HOMOFOBIA E ESTUPRO
Tolerância zero com esses temas. No mundo de hoje não cabe mais. Hoje o torcedor está muito bem informado e ele tem voz através das redes sociais. Então, a gente vê torcedores contratando jogadores ou não deixando as contratações acontecerem, derrubando treinador ou trazendo treinador. Hoje o torcedor é muito bem informado. Todos têm voz. Eles estão envolvidos e participam da vida do atleta, do dirigente, do clube. Isso é uma mudança e temos de estar prontos para isso para fazer uma boa gestão. E isso não cabe jamais. Corinthians é o time do povo. Corinthians é um time democrático. Corinthians tem esse DNA de lutar pela sociedade. De lutar pelas suas causas. De colocar sua marca em prol do bem da população. Isso jamais vai ser aceito por mim ou pelo Corinthians.