<
>

Palmeiras x Delfín: Exatamente um ano mais novo que o clube, goleador se arrisca no Tik Tok e assinou com ajuda de rede de restaurantes

O Delfín Sporting Club adversário do Palmeiras nesta quarta (25), pelas oitavas da Conmebol Libertadores, no Equador, tem como seu principal jogador Carlos Garcés - e não apenas do time atual, mas também de sua história.

Garcés nasceu em 1º de março de 1990, em Manta. Exatamente um ano depois que o próprio Delfín foi fundado, na mesma cidade em que o jogador veio ao mundo.

Praticamente da mesma idade, clube e jogador têm histórias que se entrelaçam.

Com 72 gols e 36 assistências desde 2017, Carlos é o goleador máximo da história da agremiação, fundada pela junção dos antigos Clube 9 de Octubre e Clube Social Delfin.

Clube e jogador “começaram juntos”. Foi nas categorias do Delfín que o quase-literalmente-não-menos-jovem Garcés começou sua carreira.

Depois do início conjunto, porém, cada um seguiu seu rumo. O atacante se transferiu para o Manta FC, também de sua cidade, em 2005, ainda na base. E demoraria 12 anos para se reencontrar com seu local de origem.

Graças a uma rede de franquias de restaurantes chamada “La Esquina de Ales”.

Peregrinação

Carlos atuou por sete times diferentes como profissional. Além de Delfín e Manta, foi jogador de duas “LDU” - de Quito e de Portoviejo -, além de ter jogado por Deportivo Cuenca, Deportivo Quito e Atlante do México.

No México, o jogador - que nunca fizera mais de 42 jogos por um mesmo clube - deslanchou. Atuou em 60 jogos e fez 27 gols, ajudando o clube a retornar para a primeira divisão.

Foi em 2017, quando rumores de um interesse do Peñarol surgiram, que José Delgado, presidente do clube, decidiu repatriar o jogador.

Além de Delfín, Delgado também preside a cadeia de franquias “La Esquina de Ales”.

E foi com dinheiro e influência do empresário que o clube obteve um orçamento que não apenas o devolveu à primeira divisão, em 2016, mas permitiu também que 16 jogadores, entre eles Garcés, chegassem ao clube em 2017.

Como dono maior rede de restaurantes do Equador, José Delgado “convenceu” alguns parceiros de seus estabelecimentos a se unirem ao projeto da agremiação.

Desse modo, empresas de refrigerantes, fornecedores de frutos do mar e produtos agropecuários, companhias de transporte de alimentos, etc, passaram a estampar o uniforme da equipe.

Em 2017, o “Manabita”, como é conhecido, foi vice-campeão equatoriano. No ano seguinte, foi quarto. Até que, em 2019, ficou com o troféu.

Laços

Não foram apenas os dólares (norte-americanos), moeda corrente no país, que seduziram Garcés.

Esposa, família e amigos ajudaram o presidente José Delgado a convencer Garcés a voltar para casa.

Com Vanesa Cobeña, sua mulher, Carlos está desde 2009 e, há oito meses, teve uma filha.

O casal posta muito de suas vidas no Instagram. Durante a paralisação do futebol por causa da pandemia, a dupla se arriscou nas coreografias que fazem sucesso no Tik Tok.

Além da satisfação pessoal, voltar ao seu país proporcionou a Garcés ser convocado pela primeira vez para a seleção do Equador, em 2017.

No ano passado, ele fez parte do grupo que veio ao Brasil para a Copa América. E na última rodada das eliminatórias, foi chamado para o jogo contra a Colômbia, em 17 de novembro.

Classificação

O Equador tem uma história relativamente prolífica na Libertadores. Barcelona e Independiente del Valle já fizeram finais, e a LDU bateu o então Fluminense do técnico Renato Gaúcho na final de 2008.

O Delfin, no entanto, tem só duas participações no torneio. Na primeira, em 2019, ficou na fase de grupos. Nesta segunda, duela com o Palmeiras para chegar às quartas.

Se passar, será um grande feito para um time que já conseguiu neste ano vencer o tradicional Olimpia, vazar a defesa do Santos e bater o Defensa y Justicia da Argentina - além de se classificar para as oitavas.

Algo notável para um clube que tem quase a mesma idade de alguns de seus jogadores.