<
>

Veja quem é o técnico sensação da Chape que recusou Cruzeiro, devora futebol e tem aproveitamento de campeão na Série B

Se a briga pela primeira posição na Série A está disputada ponto a ponto, na Série B ela tem está nas mesmas mãos há algum tempo.

Líder desde a 17ª rodada, após um sonoro 5 a 0 frente a Ponte Preta, a Chapecoense enfrenta nesta terça-feira (24) um dos favoritos ao título antes da competição iniciar: o Cruzeiro.

A história das duas equipes na segunda divisão em 2020 poderia ter sido diferente, não fosse uma decisão tomada por Umberto Louzer justamente no dia em que virou líder da Série B.

Procurado pela diretoria celeste para assumir a equipe após a saída de Ney Franco, o treinador recuou o convite, e permaneceu no Verdão do Oeste.

Desde então, a Chapecoense embalou uma sequência importante na competição. Em 22 rodadas da Série B, a equipe já acumula 13 vitórias, oito empates de apenas uma derrota, com um aproveitamento de 71% dos pontos disputados.

O único revés aconteceu na sexta jornada, quando os catarinenses foram superados pelo Cuiabá por 2 a 1, fora de casa. Quando pisar na Arena Condá, Umberto Louzer mandará a campo uma equipe que terá a missão de defender 16 rodadas de invencibilidade.

O cenário, entretanto, não foi sempre positivo. Anunciado pela Chapecoense em 17 de fevereiro, o treinador de apenas 40 anos assumiu um time que ocupava naquele dia a lanterna do Campeonato Catarinense, que gerou a queda de Hemerson Maria.

Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, Louzer revelou como foi chegar ao Verdão do Oeste naquela situação, e qual foi sua 'primeira medida' com o elenco.

“Primeiro movimento foi tocar na parte emocional dos atletas, para que pudessem resgatar confiança. Ninguém desaprende da noite para o dia. Nós, da comissão, fomos assistir aos jogos, ver o que o Hemerson vinha fazendo, infelizmente os resultados não estavam acontecendo. Então nós procuramos ver o que tinha de positivo, impusemos nossas ideias, tivemos semanas abertas, que nos possibilita a trabalhar. Convencemos os atletas que poderíamos fazer o trabalho”, disse.

“Nós somos felizes por aqui por termos um grupo engajado. Os atletas se dedicam, não temos problema. O treino bom nos dá qualidade e intensidade. Tomamos cuidado para que tenhamos sempre um crescimento de qualidade e tático também. Se você não treina sempre, fica complicado de cobrar no dia da partida. Então temos feito isso. Por isso temos uma equipe muito equilibrada. Nossos adversários têm nos estudado muito, nós estamos estudando muito. Então vamos em busca de mais equilíbrio em campo”.

Com uma campanha de retomada, a Chapecoense conseguiu garantir uma vaga para as quartas de final apenas na última rodada, ficando com a pior campanha entre os times que foram ao mata-mata.

O desempenho, entretanto, já demonstrava o que estaria por vir na Série B. Diante de rivais, o time de Chapecó eliminou nas quartas o Avaí, dono da melhor campanha na classificação, e depois o Criciúma.

Na grande final, o Verdão do Oeste acabou com uma invencibilidade de 17 partidas do Brusque como mandante e venceu por 1 a 0, após já ter feito 2 a 0 na Arena Condá, confirmando o título.

O Catarinense de 2020 foi o segundo título estadual de Umberto Louzer. Após iniciar sua carreira como auxiliar em 2016, no Paulista, de Jundiaí, o técnico assumiu logo em 2018 o comando do Guarani. Na equipe de Campinas, faturou a Série A2 do Campeonato Paulista.

Antes de chegar à Chapecoense em 2020, Louzer ainda teve passagens por Vila Nova e Coritiba.

“Acompanho muito futebol, brasileiro, mundial. Temos nossas análises, assistimos partidas de nossos adversários, para que possamos ter os mixes de referências. Converso demais com meus auxiliares para fazer novas variações, novas formas de trabalho. Que time faz cada coisa, por que fazem. Fazer um estudo macro sobre novas ideias e para sempre estarmos fazendo diferentes ajustes na equipe”.

Duelo na Arena Condá terá 'contexto especial'

Em outubro deste ano, na zona de rebaixamento da Série B do Campeonato Brasileiro e afundado na pior crise financeira de sua história, o Cruzeiro buscava um novo treinador para iniciar um novo projeto com o sonho de retornar à elite do futebol nacional.

Após demitir Ney Franco, a Raposa sondou o mercado e se interessou por Umberto Louzer. Porém, mesmo com o assédio de um gigante, o treinador manteve a posição de seguir na Chapecoense, não abriu mão do contrato e recusou o convite do Cruzeiro para o novo projeto.

"Confesso que como qualquer profissional, quando um Cruzeiro demonstra interesse em seu trabalho, mexe com a gente. Mas, eu tenho comigo, foi assim no Guarani e no Coritiba quando tive outras sondagens, estou iniciando minha carreira e é um perfil meu cumprir meus contratos. Meu pensamento é de dar sequência a algo que eu criei aqui. No Guarani fui sondado, tive ofertas. Na Chapecoense, além do Cruzeiro, tive outras ofertas, mas recusei. Por acreditar nessa ideia de cumprir ciclos, eu quis permanecer no clube.".

No dia 9 de novembro, Louzer acertou a extensão do contrato até o final de 2021 com a Chapecoense.