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Palmeiras investiu R$ 55 milhões em revelações do Goiás desde 2016 e não colheu quase nada; veja o destino dos atacantes

Palmeiras e Goiás fecham o sábado (21) do Campeonato Brasileiro, no Serra Dourada, às 21h. Cor de camisa à parte - com leve variação de tom -, os dois 'Verdões' têm em comum também histórias que se cruzam nos últimos anos.

O Palmeiras apostou alto em revelações do Goiás desde a assinatura do acordo com a Crefisa, sua patrocinadora máster de 2015 para cá. Para ser mais preciso, R$ 55,16 milhões pela cotação de hoje (8,7 milhões de euros).

Pagou 3 milhões de euros por Erik, em 2016, e 5,7 milhões de euros por Carlos Eduardo, em 2019. Revelado pelo Goiás, Carlos tinha sido vendido ao Pyramids do Egito por 5,2 milhões de Euros na temporada anterior.

Ambos foram escolhas do então diretor Alexandre Mattos, hoje no Atlético-MG. Carlos Eduardo foi também contratado com concordância da comissão técnica de Felipão.

E nenhum dos dois chegou nem sequer perto do que se imaginava que eles pudessem render com a camisa do Palmeiras - muito embora, mesmo decepcionando, Erik tenha ido bem melhor que Carlos Eduardo.

2 gols no Top 10

Na campanha de 2016, Erik acabou tendo participação decisiva em jogos-chave da conquista do eneacampeonato palmeirense.

Naquela temporada, sob comando do técnico Cuca, Erik apareceu em 16 partidas e anotou três vezes. O gol mais marcante foi contra o Internacional, em Porto Alegre, na vitória por 1 a 0, em junho.

Os paulistas não batiam os colorados no Beira-Rio havia 19 anos. Naquela temporada, os clubes viviam situações opostas. O Verdão acabou conquistando o título; o Inter, rebaixado.

Erik marcou também na vitória por 3 a 1 sobre o Sport, na Ilha do Retiro, em julho. Time com o melhor desempenho em casa no ano, o Palmeiras passou a ser também o melhor forasteiro a partir desta partida, rumando para o título.

Os dois gols entraram na lista do canal oficial do clube no Youtube entre os dez mais importantes da conquista.

Mas o jogador não deixou saudade. Foi do Allianz Parque para o Atlético-MG, de lá para o Botafogo e hoje joga por empréstimo no Yokohama Marinos, no Japão. Em todos, teve mais sucesso que no Palmeiras.

No Japão, é campeão nacional e ídolo da torcida. Algo bem difernete em relação ao que viveu na Barra Funda.

Pelos corredores da Academia de Futebol, um membro da comissão técnica costumava dizer que Erik não jogava futebol, ele “sofria futebol”, em alusão à dificuldade dele de se encaixar no time, apesar dos gols importantes.

Gol no São Paulo - e só

Em 2017, um ano sem títulos, o Palmeiras teve a comemorar as atuações de Keno. O ponta vindo do Santa Cruz jogou demais e caiu nas graças da torcida.

Por isso, quando o vendeu para o Pyramids em 2018, o clube decidiu pagar caro pelo seu substituto para a temporada seguinte. Que, por coincidência, veio a ser também um jogador do clube egípcio, mas revelado pelo Goiás.

Olhando hoje, é difícil entender como o Palmeiras imaginou que fazia um grande negócio.

Carlos Eduardo era reserva de Keno. E, pelo valor que foi contratado, tinha que chegar por aqui resolvendo - algo que não tinha conseguido fazer nem no Egito.

Mas Mattos selou a cara transferência de mais de R$ 25 milhões, que teria ainda requintes tragicômicos, sabendo hoje o que o futuro reservava.

Pois entre Bruno Henrique, que brilhara no Santos, e o ex-jogador do Goiás, sumido no norte da África, o Palestra optou por Carlos Eduardo.

O ponta fez um mísero gol pelo Palmeiras nas 19 partida de que participou. Foi num clássico contra o São Paulo, no Pacaembu, pela fase de grupos do Campeonato Paulista. O que não pagou os mais de R$ 25 milhões que o Alviverde desembolsou por ele.

Hoje, ele está emprestado ao Athletico-PR, onde, se não é um primor, rende mais do que no Palestra. Mas não é titular e soma 4 gols em 29 jogos.

Curiosamente, em Curitiba, quando entra em campo, Carlos Eduardo atua por onde jogava Rony, que veio do Furacão para a Academia - e também ainda não convenceu.

Era para serem mais

Por pouco, o Palmeiras não teve mais dois atacantes de lado de campo revelados pelo Goiás para chamar de seus em anos recentes.

Conforme mencionado acima, Bruno Henrique, que viera do Wolfsburg para o Santos em 2017, esteve perto do Palmeiras em 2019.

A opção por Carlos Eduardo foi um presente para o Flamengo, que ganhou Conmebol Libertadores e Brasileiro apostando muito no talento do jogador, que custou aos cariocas quase o mesmo pago pelo então atleta do Pyramids (R$ 33 milhões).

O outro foi Michael, revelação do Goiás e do campeonato na campanha de 2019. Ávido por dar uma resposta ao seu torcedor, após o decepcionante fim de temporada, o Verdão tentou investir no atacante.

Mas o Flamengo ganhou a queda de braço - que ainda teve o Corinthians na disputa - e incorporou o ponta ao seu elenco: 80% por R$ 34,5 milhões. Com trocadilho, além de sua estatura, também é bem baixo o desempenho do jogador na Gávea até agora.

A julgar apenas pelo desempenho de Michael no clube carioca, nesta o Verdão se deu bem. Nada que o futuro não possa vir a desmentir, porém.