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Internacional x América: Estudioso, Lisca quer surpreender Inter em Porto Alegre com lições da NBA

A fama de “doido” o precede. Mas o jeito despachado, na verdade, esconde uma faceta pouco conhecida que até poderia render a ele o menos sonoro apelido de Lisca Estudioso.

O técnico do América-MG, que enfrenta o Internacional em Porto Alegre, nesta quarta-feira (21h30), pelas quartas de final da Copa do Brasil, é um devorador de literatura esportiva.

Entre os livros que ele devora, não estão apenas os de futebol. O treinador é fã de basquete, esporte que praticou na juventude.

“Eu jogava pelo Grêmio Náutico União, um clube tradicional aqui de Porto Alegre”, contou ele ao ESPN.com.br na terça-feira, na concentração do seu time para o jogo da noite de quarta, na capital gaúcha.

Entre os autores preferidos de Lisca está o técnico multicampeão Phil Jackson, que marcou época por nada menos que o Chicago Bulls de Michael Jordan e o Los Angeles Lakers de Kobe Bryant. Na soma, Jackson conquistou 11 títulos da NBA pelos dois clubes.

“Eu comecei a ter contato com os livros de esporte em 1996", conta. “Meu pai os trazia da Argentina, que tem uma tradição de ter traduções de literatura esportiva”.

O primeiro foi “Futebol - 120 Jogos de Ataque e Defesa”, do autor alemão, Rolf Mayer. Foi em 1999 que ele ganhou de Ademir Calovi, então coordenador pedagógico da base do Internacional, o primeiro livro do técnico Phil Jackson, e virou fã dele e de seus métodos.

“Ei li alguns livros dele, até chegar a Onze Anéis, e vi a série 'The Last Dance', que é muito boa. Do 5º capítulo em diante, está tudo nos livros dele”, diz Lisca sobre a produção da ESPN Films.

A minissérie repassa a carreira de Michael Jordan - considerado por muitos o maior jogador de basquete da história - e sua última temporada pelos Bulls (assim como a de Jackson), que culmina na sexta conquista da franquia e outro tricampeonato para atleta e técnico.

A equipe tricampeã na temporada 1997-98, inclusive, é a favorita de Lisca.

Triângulos ofensivos

Mas é possível trazer para o futebol algo da filosofia de Jackson?

Lisca jura que sim.

“Eu tento traduzir os triângulos flutuantes ofensivos para o futebol”, disse ele, sobre um sistema de jogo aperfeiçoado pelo técnico norte-americano, desenvolvido ainda nos anos 1940

A filosofia da estratégia tem como sua base os movimentos de ultrapassagem de jogadores no para geração de superioridade numérica e aumento no número de opções de passe em setores da quadra.

“Eu gosto desse tipo de movimentação porque trabalha bem a abertura de jogo e o preenchimento dos espaços, mas também permite que o talento individual apareça”, afirma Lisca.

Faz sentido quando nos lembramos de que foi dentro dessa filosofia que Kobe Bryant e Michael Jordan ganharam a maioria dos seus títulos na liga norte-americana.

Os triângulos, embora dependam de um tipo específico de movimentação, demandam dos atletas tomadas rápidas de decisão e, por isso, níveis altos de atenção e autonomia.

Outro ponto apreciado por Lisca no jogo de Jackson tem a ver com a importância da defesa e da marcação.

“Suas equipes marcavam muito, com saídas para o ataque com uma transição muito forte”, explica Lisca.

Aplicar a filosofia de Jackson com sucesso é o que o América-MG precisa para levar um bom resultado na bagagem para o Independência, onde decide uma vaga na semifinal, na próxima semana.