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Presidente do Cruzeiro revela tamanho da dívida e diz como usou Ferguson para convencer Felipão

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Alex Ferguson como exemplo e projeto longo: presidente do Cruzeiro detalha negociação para contratar Felipão (3:50)

No Aqui com Benja, Sérgio Santos Rodrigues fala dos bastidores que levaram Scolari à Raposa (3:50)

O Cruzeiro foi o assunto principal do programa "Aqui com Benja" desta semana e com dois convidados: o presidente Sérgio Santos Rodrigues e o executivo José Carlos Brunoro. Ambos falaram muito do processo de reestruturação pela qual passa o clube, do desafio de encarar a Série B pela primeira vez na história, da chegada do técnico Luiz Felipe Scolari e também dos problemas financeiros.

A equipe mineira é uma das principais devedoras do futebol brasileiro atual, por conta de problemas acumulados de administrações passadas e que custaram até seis pontos ao Cruzeiro na classificação do Campeonato Brasileiro. Sérgio Santos Rodrigues revelou o tamanho da dívida e novamente atacou os seus antecessores no comando do futebol celeste.

"O balanço relata um déficit de 942 milhões de reais. Claro que não é certo e a gente tem que trabalhar para consertar, mas infelizmente é a realidade do futebol brasileiro. Se você pegar o do Botafogo, do Internacional, do próprio Atlético-MG, Vasco, Santos e Corinthians, a gente vê muitos chegando nesse número. É um problema geral do futebol brasileiro", disse o cartola, que admitiu que chegou a colocar dinheiro do próprio bolso.

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"Sim, mas não uma quantia muito significativa. Precisei fazer para ajudar a pagar o salário de quem recebia até dois salários mínimos. Coloquei o dinheiro, fiz o contrato certinho, e depois o clube pagou, quando teve condições. O que eu boto do bolso é de dia a dia, nem se compara ao que os nossos patrocinadores e apoiadores fazem. O ideal é que a gente não precise fazer isso", afirmou o presidente, que atacou os cartolas anteriores.

"Hoje, você pode dizer com certeza que havia uma organização criminosa no Cruzeiro. (...) A gente fez uma auditoria no clube e tivemos profissionais no Cruzeiro que em 2018 recebeu 68 salários. (...) A cara de pau de fazer de forma tão lavada. O ex-presidente deu cargo para o filho dele com um salário alto. O ex-vice colocou um cunhado dele como assessor que ganhava mais do que um juiz ganha. A polícia traçou o caminho e esse dinheiro está alocado no Ipatinga, que é um clube que o Itair Machado já foi dirigente, e o Ipatinga foi e pagou uma dívida em que o Itair era solidário".

Mesmo com graves problemas financeiros, o Cruzeiro decidiu fazer um investimento e contratou um "peso pesado" para dirigir seu time em campo. Pentacampeão mundial pela seleção brasileira, fora dezenas de títulos por clubes, Luiz Felipe Scolari foi anunciado há pouco mais de uma semana como principal nome esportivo do projeto celeste. Mas como foi possível convencer alguém como Felipão a assumir um time na vice-lanterna da Série B?

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"O trabalho do Deivid e do Brunoro foi fundamental para que isso desse certo. A gente mostrou para o Felipão que tem um projeto maior para ele, citei muito a ele a história do Ferguson quando chegou no Manchester United. Ele disse que para ele só serviria contrato longo, e eu disse que para mim também", revelou Rodrigues, que teve o pensamento completado por Brunoro.

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"O Felipão é um cara que quer ser vencedor, mas quando falamos com ele, avisamos que é um contrato de três anos, subindo ou não. O que convenceu mesmo o Felipão foi, primeiro, uma coisa inédita no Brasil, um treinador treinar um clube por três anos. O Felipão nesse momento não precisa de dinheiro, mas o grande convencimento foi a gente chegar na Série A daqui há um ano, ou dois, ou três, e ser um Cruzeiro novo e com chances de ganhar título. O que ele está motivado, você não faz ideia. Não está nem um pouco se importando em jogar pela Série B", revelou o executivo.