Na última quinta-feira, o Cruzeiro anunciou a chegada de Luiz Felipe Scolari como novo técnico da equipe.
Será a 2ª passagem de Felipão pela Toca da Raposa, já que ele comandou a equipe celeste pela 1ª vez entre 2000 e 2001.
A história começa em junho de 2000, quando o Palmeiras perdeu a final da Conmebol Libertadores para o Boca Juniors. Felipão anunciou sua saída do Verdão em seguida.
Na sequência, Scolari acertou por dois anos e meio com o Cruzeiro, que havia sido campeão da Copa do Brasil em cima do São Paulo sob o comando de Marco Aurélio, que saiu logo depois.
Tinha início a era o "Scolarismo" em Belo Horizonte. No entanto, ela seria breve...
O INÍCIO
A 1ª competição disputada pela Raposa após contratar Felipão foi a Copa dos Campeões, hoje extinta.
No entanto, a equipe mineira foi comandada por um treinador interino no torneio (Alexandre Barroso).
O Cruzeiro foi eliminado ainda na 1ª fase do mata-mata, justamente pelo Palmeiras, ex-time de Scolari.
Curiosamente, o Verdão (que seria campeão sobre o Sport) foi comandado na competição por Flávio Murtosa, o eterno escudeiro de Felipão.
Assim, Luiz Felipe Scolari só assumiu o clube celeste de vez na Copa João Havelange, que foi o nome do Campeonato Brasileiro naquele ano.
O bigodudo começou sua trajetória com uma derrota por 2 a 0 para o Athletico-PR.
No entanto, apesar do tropeço inicial, o ótimo time do Cruzeiro reagiu na sequência e terminou a 1ª fase na liderança do Módulo Azul, com 45 pontos em 24 partidas.
Sua equipe tinha vários ótimos jogadores, com destaque para o lateral-esquerdo Sorín, o meia Geovanni e o atacante Oséas.
O 1º CONVITE PARA A SELEÇÃO
Em outubro de 2000, com a Raposa "voando" na Copa João Havelange, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, convidou Felipão para assumir o comando da seleção brasileira no lugar de Vanderlei Luxemburgo, que havia sido demitido em setembro.
No entanto, Scolari negou, dizendo que não encerraria seu recém-assinado vínculo com os mineiros.
"Ele me disse, literalmente: tenho contrato de dois anos e meio com você e não sou de romper compromissos", disse, à epoca, o então presidente cruzeirense, Zezé Perrella.
Felipão seguiu, então, sua campanha na Copa João Havelange.
Nas oitavas de final, a Raposa passou fácil pelo Malutrom-PR. Depois, fez duas partidas complicadas, mas eliminou o Internacional nas quartas.
Na semi, o adversário foi o timaço do Vasco, que tinha nomes como Juninho Pernambucano, Juninho Paulista, Euller, Pedrinho e Romário.
Na 1ª partida, empate por 2 a 2 em São Januário. Já no duelo de volta, os vascaínos, que terminariam campeões sobre o São Caetano, avançaram com um triunfo por 3 a 1 em pleno Mineirão.
Vale lembrar que, ao mesmo tempo em que disputava a Copa João Havelange, o Cruzeiro atuou simultaneamente na Copa Mercosul.
A equipe mineira classificou-se em 2º lugar de seu grupo na 1ª fase, e, nas quartas-de-final, foi eliminada pelo Palmeiras mais uma vez, assim como já havia ocorrido na Copa dos Campeões.
O ÚNICO TÍTULO
Em 2001, Luiz Felipe Scolari conquistou seu único título pela Raposa.
Ele veio na Copa Sul-Minas, hoje extinta, com duas vitórias tranquilas sobre o Coritiba nas finais.
A taça, aliás, foi conquistada de forma invicta.
No Campeonato Mineiro, porém, a campanha foi decepcionante.
Após se classificar sem problemas na 1ª fase, o Cruzeiro tropeçou muito na 2ª fase e terminou apenas no 4º lugar. Com isso, a grande final foi disputada entre Atlético-MG e América-MG, com o Coelho se sagrando campeão.
E na Libertadores, que era o grande objetivo do 1º semestre, um velho rival acabou encerrando o sonho cruzeirense...
Na fase de grupos, o desempenho foi excelente: cinco vitórias e um empate. E, nas oitavas, os mineiros avançaram tranquilos, com 6 a 2 no agregado sobre o El Nacional, do Equador.
Nas quartas, todavia, veio novo encontro com o Palmeiras, que terminou novamente em lágrimas celestes.
Após dois jogaços (empates por 3 a 3 e 2 a 2), o bom time da Raposa acabou caindo nos pênaltis para o Verdão de "São" Marcos e Lopes "Tigrão", que cairia depois na semifinal para o Boca Juniors.
A SAÍDA PARA A SELEÇÃO
A eliminação para o Palmeiras acabaria sendo o último jogo de Luiz Felipe Scolari pelo Cruzeiro.
Em junho de 2001, a CBF demitiu o técnico Emerson Leão ainda no aeroporto de Narita, no Japão, após o Brasil ser eliminado na Copa das Confederações.
Veio novamente o convite de Ricardo Teixeira para assumir a seleção, e, desta vez, o bigodudo disse sim.
A história termina como todos sabem: Felipão levantando a taça da Copa do Mundo de 2002 na Coreia do Sul e Japão, após vencer a Alemanha por 2 a 0 na final.
OS NÚMEROS DE FELIPÃO
2000: 38 jogos, 18 vitórias, 13 empates e 7 derrotas (58,77% de aproveitamento)
2001: 37 jogos, 22 vitórias, 10 empates e 5 derrotas (68,47% de aproveitamento)
