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Carrasco do City, Vardy foi operário, começou na 8ª divisão e adotou 'dieta maluca' para infernizar rivais

Jamie Vardy está longe de ser um jogador de classe, técnica refinada ou habilidade indiscutível. Não, isso não é com ele. Mas, se o assunto é eficiência, vai ser difícil encontrar alguém que consiga competir com o camisa 9 do Leicester City. Pergunte a Pep Guardiola se ele concorda...

O artilheiro inglês destroçou o Manchester City no domingo (27), ao anotar um hat-trick e abrir caminho para a goleada por 5 a 2 sobre um dos melhores times da história recente da Inglaterra. Uma trajetória incrível se pensarmos que Vardy, já com cinco gols na temporada, passou por uma vida nada convencional entre jogadores da elite.

O começo foi na oitava divisão da Inglaterra. Isso mesmo, oitava, pelo modestíssimo Stocksbridge Park Steels. Era lá que Vardy ganhava uma ajuda de custo de aproximadamente 30 libras (equivalente a R$ 213 hoje em dia) e dividia atenções com outro emprego: o de operário na indústria Sheffield, que fabricava fibras de carbono para fins medicinais.

Nessa época, por volta de 2007, Vardy enfrentava um adversário mais duro: a depressão, que chegou a fazê-lo pensar em se matar. O atacante se curou e iniciou uma ascensão fantástica no mundo da bola.

Saiu do Stocksbridge em 2010 para jogar o Halifax Town. Após 27 gols, transferiu-se para o Fleetwood Town, da quinta divisão inglesa, e marcou outros 31 tentos, que despertaram interesse do Leicester. O clube decidiu arriscar e pagou 1 milhão de libras (R$ 7,1 milhões atualmente) pelo exótico atacante.

A partir daí, sua vida mudou. Vardy chegou ao Leicester ainda na Championship, o equivalente à segunda divisão, e ajudou o time a subir à Premier League. O auge foi em 2015-16, quando, ao lado de nomes como Kanté e Mahrez, liderou o clube ao inédito e surpreendente título inglês, na maior temporada da história da equipe.

Vida nova, mas que não deixou para trás alguns hábitos que carrega até hoje. Já falamos aqui que Vardy não é um atleta convencional, e parte disso vem da sua alimentação. Em setembro de 2016, o atacante chegou a declarar que sua receita para correr tanto em campo é simples: três latas de energético, um expresso duplo e mais um omelete de presunto e queijo.

"Três Red Bulls, um expresso duplo e um omelete de queijo e presunto é o que me faz correr como um maluco em campo", admitiu Vardy, em sua autobiografia.

Isso inegavelmente funciona para Vardy. O artilheiro gosta de marcar gols no chamado Big 6, o grupo dos seis maiores clubes da Inglaterra no momento. São 37 gols contra Arsenal (dez), City (oito), Liverpool (sete), Tottenham (cinco), Manchester United (quatro) e Chelsea (três). E isso sem fazer exercício...

"A última vez que levantei um peso? Provavelmente uma lata de Red Bull no outro dia. Não vou à academia. Se fosse, provavelmente ficaria mais lento. Não levanto pesos. Cada jogador é diferente, e se outra pessoa tentasse o meu método, talvez não desse resultado", declarou Vardy, o artilheiro estranho, mas para lá de eficiente.