<
>

Rogério Ceni x São Paulo: Ídolo volta ao Morumbi 1.145 dias depois com títulos e vê ex-clube na fila

Rogério Ceni voltará ao Morumbi depois de 1.145 dias nesta quinta-feira. Provavelmente não do jeito que ele gostaria, talvez não como a maioria da torcida do São Paulo desejasse, mas sim como é possível no mundo real. Hoje técnico do Fortaleza, o ídolo enfrentará o Tricolor, em partida marcada para 19h15, com cobertura em Tempo Real do ESPN.com.br.

Será o terceiro embate entre Ceni e São Paulo. No ano passado, o time paulista levou a melhor duas vezes: vitórias por 1 x 0 no Castelão, gol de Hernanes, e 2 x 1 no Pacaembu, tentos de Pablo e Igor Gomes. Agora, novamente pelo Campeonato Brasileiro, haverá o primeiro confronto no Morumbi, palco em que o ex-goleiro liderou o clube a muitas glórias por duas décadas e não conseguiu vencer no início da trajetória como técnico.

E como chegam Ceni e São Paulo para esse confronto ainda estranho, para quem se acostumou a vê-los do mesmo lado? Se não teve tempo e a paciência da cartolagem para trabalhar no Morumbi, o técnico reencontra o ex-clube mais experiente, com três títulos na bagagem e números melhores, ainda que tenha passado rapidamente e sem nenhum sucesso pelo comando do Cruzeiro.

Já o São Paulo vive o mesmo problema que aflige o torcedor há uma década. Se por um lado nunca mais brigou contra o rebaixamento no Brasileirão, por outro viveu trocas incessantes de treinador, resultados desastrosos, problemas políticos e gastos excessivos que turbinam a dívida. E a fila que parece interminável, desde aquele dezembro de 2012, quando Ceni, ainda jogador, deixou Lucas Moura erguer o troféu da Copa Sul-Americana.

Veja abaixo um comparativo entre Ceni e São Paulo desde que o ídolo foi demitido pelo presidente Carlos Augusto Barros e Silva, o Leco, em 3 de julho de 2017.

Como técnico tricolor, Rogério teve números bastante irregulares: 49,5% de aproveitamento (14 vitórias, 13 empates e 10 derrotas). Acumulou eliminações no Campeonato Paulista (semifinal para o Corinthians), na Copa do Brasil (quarta fase para o Cruzeiro) e Sul-Americana (primeira rodada para o Defensa y Justicia), além de perder o emprego com o time na zona de rebaixamento do Brasileiro.

Rogério Ceni

Números pós-São Paulo:

  • 140 jogos

  • 75 vitórias

  • 27 empates

  • 38 derrotas

  • 53,5% de aproveitamento

  • 3 títulos

Quatro meses depois de deixar o São Paulo, Ceni foi anunciado pelo Fortaleza, que apostava na figura dele para o centenário do clube, em 2018. No primeiro ano, o técnico foi vice-campeão cearense, ao perder a final para o Ceará, mas depois se redimiu ao conquistar o título da Série B. A campanha positiva marcou o retorno do clube à elite do Campeonato Brasileiro, que havia disputado pela última vez em 2006.

Na segunda temporada à frente do Fortaleza, Ceni foi campeão cearense e faturou ainda a Copa do Nordeste. No fim do ano, ainda levaria o Tricolor de Aço à primeira competição internacional de sua história, a Copa Sul-Americana. Mas o trabalho no Ceará teve uma breve interrupção de menos de dois meses, quando Rogério aceitou o convite para assumir o Cruzeiro. A passagem durou pouco, acabou em desgaste com os principais jogadores e não ajudou o time celeste a evitar o rebaixamento.

Ceni renovou contrato com o Fortaleza para a temporada 2020, apesar de convites como o do Athletico-PR. Em um ano marcado pela mudança de calendário, o Fortaleza garantiu vaga na decisão do Campeonato Cearense e foi eliminado pelo Bahia na semifinal da Copa do Nordeste. Também caiu na 1ª fase da Sul-Americana em jogos duros contra o Independiente-ARG. No Brasileiro, estreou com derrota para o Athletico, em casa, e tenta a recuperação contra o São Paulo.

São Paulo

Números pós-Rogério Ceni:

  • 166 jogos

  • 69 vitórias

  • 50 empates

  • 47 derrotas

  • 51,6% de aproveitamento

  • Nenhum título

Demitir Rogério Ceni não trouxe, ao São Paulo e ao presidente Leco, o sonhado título para apagar os anos recentes de decepção. Desde que o ex-goleiro deixou o cargo, seis treinadores passaram pelo clube, com poucos resultados e apenas breves momentos positivos.

Dorival Júnior foi o sucessor de Ceni. Com reforços como Hernanes, Petros e Arboleda, livrou o São Paulo do rebaixamento no Brasileiro de 2017 e acabou demitido no ano seguinte, após derrota para o Palmeiras pelo Paulistão. Seu substituto, Diego Aguirre, foi quem se deu melhor: apesar das eliminações no Paulista, na Copa do Brasil e na Sul-Americana, fez do Tricolor o líder da Série A ao fim do primeiro turno.

Mas a queda de rendimento do time abreviou sua passagem, que acabou após empate por 1 a 1 com o Corinthians, na Arena do adversário. Raí, então, decidiu promover André Jardine, jovem que ganhou tudo na base, mas ficou manchado após cair para o Talleres, logo na segunda fase da Copa Libertadores, sem nem mesmo disputar a etapa dos grupos. Um trabalho que durou poucos meses foi novamente interrompido.

O ano de 2019 foi o maior de dança das cadeiras no clube. Após Jardine, o São Paulo foi dirigido por Vagner Mancini, Cuca e Fernando Diniz, que assumiu em setembro e segue no cargo até hoje. Neste período, o Tricolor perdeu a final do Paulista para o Corinthians, em sua maior chance de título desde então, foi o sexto colocado do Brasileiro, garantindo vaga direta na fase de grupos, e perdeu de forma vexatória para o Mirassol, há duas semanas, pelas quartas do estadual.