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Champions League: Como DVD tirou Felipe da 4ª divisão para ser destaque no Atlético de Madrid

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Felipe comemora convocação para amistosos de novembro do Brasil e relembra que ficou 'um pouquinho nervoso comigo mesmo' (0:51)

Zagueiro do Atlético de Madrid fez parte do elenco que enfrentou Argentina e Coreia do Sul (0:51)

Marcelo Veiga não esquece o dia em que ganhou das mãos do amigo Samuel Gomes o DVD do zagueiro Felipe, do União Mogi, que disputava a quarta divisão do Campeonato Paulista em 2010. Apesar de ter recebido várias indicações que não tinham dado certo anteriormente, o técnico foi assisti-lo em um momento de folga.

E não se arrependeu.

“Me chamou atenção a altura e, principalmente, a velocidade dele. Eu pensei: ‘Esse moleque é rápido e ganha todas pelo alto’. Vai ser muito útil porque eu jogo com três zagueiros no Bragantino’”, contou o treinador ao ESPN.com.br.

No domingo seguinte, por volta das 10h, foi até o acanhado estádio em Mogi da Cruzes para acompanhar uma partida do jovem.

“Fui sem ninguém da diretoria deles saber. Comprei meu ingresso e fiquei na arquibancada vendo o jogo dele. Lembro que o estádio estava quase vazio. Eles ganharam o jogo e gostei do que vi”.

“No próprio domingo à noite eu liguei para o Samuel: ‘Sabe o menino que você indicou? Então, vou ver se ele se encaixa aqui, mas pode trazê-lo amanhã. De todos os jogadores que ele me trouxe nestes anos, o Felipe foi o único que aprovei (risos)”.

Veiga mal poderia imaginar que o jovem seria, uma década depois, considerado um dos melhores zagueiros do mundo.

Contratado no ano passado por 20 milhões de euros pelo Atlético de Madrid, Felipe virou titular absoluto e um dos pilares da defesa do técnico Diego Simeone.

Com atuações seguras, ele entrou na seleção de LaLiga logo em sua temporada de estreia e fez a torcida colchonera não sentir saudades do ídolo Godín.

Hoje, ele é uma das armas da equipe espanhola no duelo contra o RB Leipzig, ás 16h (de Brasília), válido pelas quartas de final da Champions League.

Carreira maluca

Fica difícil imaginar que, até os 19 anos, Felipe não tinha conseguido fazer categoria de base e tinha praticamente abandonado o futebol.

Trabalhando como entregador de cogumelos em restaurantes e buffets com os sogros, ele mudou de vida quando foi chamado para atuar pelo time de uma empresa de tratores que fez parceria com o União Mogi, clube que disputava a quarta divisão paulista.

Após ser descoberto e levado ao Bragantino, que passava por uma reformulação no elenco para a Série B do Brasileiro, ele virou titular imediatamente.

“O Felipe não teve base, mas nós tínhamos uma formação defensiva muito boa com três zagueiros. Ele era o homem da caça e se adaptou muito fácil por ser o mais rápido”, contou.

Veiga precisou lapidar alguns aspectos do zagueiro no meio de uma maratona de jogos.

“Sou muito chato nos treinos e nos detalhes. Ele tinha uma marcação muito forte e chegava junto. Com ele, jogo e treino era mesma coisa, rabiscava mesmo. Eu às vezes pedia para ele ir com mais calma para não levar cartão (risos)”, recordou.

Fora das quatro linhas, Felipe tinha um comportamento exemplar.

“Era um cara muito sério, tímido, na dele. No dia a dia não era de bagunça nem dava trabalho. Era um cara de família”.

Mudança para o Corinthians

Com a ascensão fulminante, Felipe chamou atenção de vários clubes grandes de São Paulo.

“Lembro que ouvi papos de que o Santos e o Palmeiras se interessaram por ele, mas o Marquinho Chedid [presidente do Bragantino] tinha uma relação mais próxima com o Corinthians”.

“Disse ao Mauro, que era observador do Corinthians, que o Felipe teve uma evolução muito grande no Bragantino, mas que no Corinthians a evolução seria ainda maior. Eu falei: ‘Pode levar de olho fechado’. E não deu outra”.

Felipe chegou ao Corinthians e foi campeão de vários títulos – incluindo Mundial e Recopa Sul-Americana -, mas ficou quase três anos como reserva.

Em 2015, Felipe ganhou a chance com Tite e virou um dos pilares do time que venceu o Brasileiro. No meio do ano seguinte, foi negociado com o Porto.

Em três temporadas em Portugal, o brasileiro foi campeão da Liga Portuguesa e fez campanhas de destaque na Champions League.

“Teve uma época que ele estava par ir ao Real Madrid e o pessoal da Espanha me ligou. Fiz varias matérias para o Marca. Me parece que não deu certo por questão de valores”.

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No meio da temporada ele foi contratado pelo Atlético de Madrid. Virou titular e passou a se destacar.

“É um dos melhores zagueiros da Europa. É um absurdo, você descobre um cara na ‘Bezinha’ e hoje ele é top. Eu não descobri o Felipe, só dei uma oportunidade e ele fez por merecer e se destacou”.