Champions League: Quem é a Atalanta, 'patinho feio' da Itália que pode eliminar o PSG de Neymar

O Ajax foi a maior sensação da temporada passada da Champions League, quando eliminou Real Madrid e Juventus no mata-mata e só caiu na semifinal, diante do Tottenham. Mas a alcunha de 'azarões' parece meio forçada para os holandeses, que já levantaram a taça em quatro oportunidades e foram campeões da Eredivisie cinco vezes nos últimos dez anos (sem contar a primeira colocação na tabela da última temporada, cancelada pela pandemia).

O mesmo não pode ser dito da Atalanta, que enfrenta o Paris Saint-Germain pelas quartas de final nesta quarta-feira (12), às 16h, em Lisboa. Será o primeiro jogo do novo formato da Champions, que terá a fase final disputada em uma sede única, por conta da pandemia de COVID-19 que bagunçou o calendário esportivo mundial.

Em sua primeira participação na competição, a Atalanta é a maior surpresa. Classificou-se em segundo lugar no Grupo C (atrás do Manchester City) e passou em seguida pelo Valencia, nas oitavas de final, com muito mérito: 8 a 4 no placar agregado.

O sucesso recente é visto também nas tabelas do Campeonato Italiano. A terceira colocação, conquistada nas últimas duas temporadas, é a melhor do time na história da competição. Muito do desempenho é pela força ofensiva de um time que anotou 98 gols na Serie A, fora os 16 da Champions e mais um na Copa Itália.

Os destaques são os colombianos Duván Zapata e Luis Muriel, que dividem a artilharia da equipe com 18 gols cada, e também o argentino Papu Gómez, responsável por 16 assistências.

Alicerce dessa equipe, o treinador Gian Piero Gasperini chegou justamente em 2016, após nove anos sem que o clube terminasse entre os dez melhores da elite (com direito a um rebaixamento). Coube a ele mudar a cara da Atalanta, que passou a incomodar os clubes mais tradicionais do país.

Dias antes da equipe de Bérgamo conquistar sua vaga nas quartas da Champions, em março, o presidente da Juventus, Andrea Agnelli, questionou a presença da Atalanta nesta fase da competição, até propondo que a Roma deveria estar ocupando esse lugar.

"Respeito muito o que a Atalanta está fazendo, mas eles não têm história internacional nenhuma. Tiveram uma boa temporada e, de repente, ganham acesso direto à maior competição europeia de clubes? Acham isso correto?", discursou o cartola.

Fato é que, alguns meses depois, a equipe "sem história internacional" é a única representante da Itália na competição, já que a Juventus caiu nas oitavas de final para o Lyon, eliminada pelo critério do gol fora de casa.

Trajetória na Champions 2019/20

Antes de encarar o PSG, a Atalanta foi do inferno ao céu nesta estreia em Champions League.

A trajetória começou em setembro de 2019, com derrota por 4 a 0 para o Dinamo Zagreb, visto como o mais fraco do Grupo C. Na sequência, mais duas derrotas: 2 a 1 para o Shakhtar Donetsk e, outra goleada, 5 a 1 para o City.

Mas quando a eliminação parecia certa, tudo mudou no returno. O empate por 1 a 1 com o Manchester City teve gosto de vitória - que, de fato, aconteceria ao bater o Dínamo por 2 a 0 e o Shakhtar por 4 a 1.

A moral só subiu de verdade quando o time pegou o Valencia, classificado com a melhor campanha de sua chave, nas oitavas de final. A Atalanta abriu o mata-mata com goleada por 4 a 1, na Itália. Na volta, outra vitória sobre os espanhóis, dessa vez por 4 a 3.

A crítica à Atalanta é que o caminho foi fácil até aqui. Por tudo isso, uma vitória sobre o PSG de Neymar e companhia parece até improvável. Mas, como disse Agnelli, a Atalanta 'tomou o lugar' de gigantes da Itália. Por que, então, não tomar o de alguns da Europa também?