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Santos: Após demissão, Jesualdo fala em 'pouca coragem' do presidente alvinegro José Carlos Peres

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O técnico Jesualdo Ferreira se manifestou pela primeira vez desde que foi demitido do Santos.

Em sua coluna no jornal de Lisboa O Jogo, o português criticou a postura do presidente José Carlos Peres e avaliou as dificuldades que enfrentou em seu trabalho no clube da Vila Belmiro.

O ex-comandante do Peixe também aproveitou para exaltar os torcedores e o ex-diretor de futebol William Thomas.

Jesualdo caracterizou sua demissão como uma “medida fácil e de pouca coragem do presidente do Santos”. O treinador apontou que o trabalho vinha sendo bem feito, ainda que enfrentasse dificuldades.

“Após quatro meses de paralisação, regressamos ao trabalho e os problemas do clube aumentaram e prejudicaram o rendimento de todos. As expulsões em todos os jogos quando já estávamos em vantagem, a rescisão de contrato de jogadores e o sentimento de insatisfação indiciavam o desequilíbrio emocional que reinava na equipe. Quatro jogos seguidos jogando com 10, nunca tinha vivido nada assim, e derrota e um empate quando já ganhávamos os jogos, foram interpretados pela direção do clube como a necessidade de mudar, não o rumo que o clube levava, mas sim o treinador”, afirmou Jesualdo.

Apesar das críticas, o português fez uma avaliação positiva de sua passagem pelo Santos, destacando a grandeza do clube e a importância dos torcedores.

“Quando recebi o convite para ser treinador do Santos senti orgulho, é o clube do Pelé disse para mim, não pensei, aceitei e parti para uma das mais difíceis tarefas da minha vida pessoal e profissional”, disse o técnico.

“Os adeptos do Santos, torcedores no Brasil, são realmente excepcionais, e a eles quero deixar um abraço e um muito obrigado. Foi um prazer treinar o Santos”, completou.

Quem também recebeu os agradecimentos de Jesualdo foi William Thomas. O ex-diretor de futebol decidiu deixar o Peixe por não concordar com a demissão do treinador.

“William Thomas, um nome, uma grande pessoa de muito caráter, uma personalidade. Pediu a demissão por não concordar com a minha saída. Na minha carreira nunca conheci ninguém como ele, tão capaz e competente. O clube perdeu a pessoa que podia gerir todo o processo desportivo e comercial de uma marca tão poderosa como o Santos”, concluiu.

Confira a íntegra coluna de Jesualdo Ferreira publicada no jornal O Jogo:

“1 Quando recebi o convite para ser treinador do Santos senti orgulho, é o clube do Pelé disse para mim, não pensei, aceitei e parti para uma das mais difíceis tarefas da minha vida pessoal e profissional. Sempre gostei de grandes desafios, tive muitos na minha carreira, venci muitos mais do que perdi, felizmente. Com 10 dias de treino, começou a competição sem parar no Paulistão e Libertadores. Ganhámos a série do Campeonato Paulista e a equipa é líder do grupo na Libertadores com dois jogos e seis pontos. A equipa começava a dar sinais de equilíbrio e de entendimento de processos. No último jogo antes da pandemia contra o fortíssimo S. Paulo ganhávamos ao intervalo, mas já tínhamos uma expulsão… Após quatro meses de paragem, regressámos ao trabalho e os problemas do clube aumentaram e prejudicaram o rendimento de todos. As expulsões em todos os jogos quando já estávamos em vantagem, a rescisão de contrato de jogadores e o sentimento de insatisfação indiciavam o desequilíbrio emocional que reinava na equipa. Quatro jogos seguidos a jogar com 10, nunca tinha vivido nada assim, e derrota e um empate quando já ganhávamos os jogos, foram interpretados pela direção do clube como a necessidade de mudar, não o rumo que o clube levava, mas sim o treinador. Medida muito fácil de tomar, no caso, de pouca coragem do presidente. Tenho a consciência tranquila no trabalho que realizámos, que foi muito bom, tal como muitos reconheceram. Os adeptos do Santos, torcedores no Brasil, são realmente excecionais, e a eles quero deixar um abraço e um muito obrigado. Foi um prazer treinar o Santos.

2 Importa esclarecer e lembrar alguns mais esquecidos, que o meu trabalho no Santos foi para além de treinar e dirigir a equipa profissional. Em conjunto com o William Thomas uniformizámos os processos de treino e avaliação de jogadores de sub-20 e equipa B. Assim, o António Oliveira e o Daniel Gonçalves passaram a dirigir também, a partir de fevereiro, o trabalho com os jogadores mais novos. A passagem de Alex, Palha, Ivonei, Ceará, Reinier e Marcos Leonardo para a equipa profissional foi gradual no tempo, onde encontraram Kaio e Sandry do ano transato. Estava prevista já a entrada de Alanzinho, Lucas Lourenço e Matheus Moraes. A integração destes jogadores não foi difícil, com processos idênticos a informação e a prática são mais facilmente apropriados. Com o calendário de muitos jogos todos eles iriam ser utilizados e talvez um ou mais viessem a ser jogadores de futuro. O projecto estava em marcha! Sem dinheiro e sem poder inscrever jogadores, só havia um caminho: desenvolver o talento que existe com trabalho competente. O outro caminho seria desistir, mas isso não faz parte do meu ADN.

3 William Thomas, um nome, uma grande pessoa de muito carácter, uma personalidade. Pediu a demissão por não concordar com a minha saída. Na minha carreira nunca conheci ninguém como ele, tão capaz e competente. O clube perdeu a pessoa que podia gerir todo o processo desportivo e comercial de uma marca tão poderosa como o Santos.

Obrigado pelo apoio.”