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Grêmio: Zoeira com o maior rival, invencibilidade no Gre-Nal e 'igualdade' com o Fla: a entrevista exclusiva de Matheus Henrique

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'Flamengo e Palmeiras têm grandes elencos, mas Grêmio bate de frente', afirma Matheus Henrique (1:57)

Volante do Grêmio conversou com a repórter Bibiana Bolson (1:57)

Onze meses após a emoção de ter sido convocado pela primeira vez e estreado no time principal da seleção brasileira, com direito a conselhos e elogios do técnico Tite, Matheus Henrique se tornará o jogador mais valioso do elenco do Grêmio (cerca de 18 milhões de euros). Isso, claro, após a saída de Everton Cebolinha.

Aos 22 anos, o volante é hoje também uma espécie de "referência" dos "guris" que chegam ao time principal. Afinal, as principais experiências aconteceram muito cedo para Matheusinho. Em entrevista exclusiva à ESPN Brasil, o jogador falou sobre a invencibilidade gremista contra o maior rival, a amizade com companheiros de equipe e os sonhos no clube gaúcho.

"A gente sabe da qualidade da equipe do Internacional, sabe do trabalho que está sendo feito com o Coudet, mas também sabe do nosso trabalho. Aqui, lugar com dois clubes, sempre tende mais para um lado. Aí já começaram a falar da nossa equipe. Só que o Renato, o que ele pede para gente, é que nas entrevistas a gente não provoque, 'vocês têm que chegar dentro de campo e jogar bola'. Ele fala 'o Inter pode ganhar da gente, ou a gente deles, mas dentro do campo. Ninguém ganha fora de campo'. E é isso que a gente sempre procura fazer num clássico, em todos os jogos. A gente sabe que se entra focado é difícil ganhar da gente também", comenta.

O Grêmio venceu o Internacional por 2 a 0 na final do 2º turno do Gauchão e já acumula três vitórias e apenas um empate em 2020 contra o maior rival. No total, já são nove clássicos sem saber o que é um revés.

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Volante do Grêmio conversou com a repórter Bibiana Bolson

"A gente sabe que se perdesse o jogo seriam eles que iam levantar um título dentro da nossa casa, ia ter festa, ia ter zoeira, a gente tem que levar na esportiva, não pode levar para o lado errado. Até para não levar a mensagem de violência para a torcida, mas eu compartilhei ali o minuto de silêncio, o vídeo do Douglas brincando, falando ali. Tenho amizade com o Fuchs e com o Nonato, outros apenas conheço. O Guerrero tinha os mesmos empresários, então já jantamos juntos, mas os mais próximos são o Bruno e o Nonato. Deixando bem claro, é só na esportiva mesmo", destaca sobre as brincadeiras pós-partida.

Uma das referências do clube gaúcho, Matheus é o número 7 do Grêmio. Um número de respeito no clube. E com a saída de Everton, o jogador passar a ser ainda mais importante no elenco.

"Ele (Everton) nem ia jogar esse jogo, foi uma coisa que até para gente foi surpresa. O Renato tinha treinado nosso time sem ele no dia anterior. E aí o Renato falou na coletiva sobre a história que ele foi no quarto do Renato pedir para jogar, que poderia ser o último jogo dele. Então isso nos motivou mais ainda, porque a gente jogou aquele jogo por ele também. Falamos: 'Você vai sair daqui, e se for sair daqui, vai sair com mais um título e mais uma vitória', fala.

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Volante do Grêmio conversou com a repórter Bibiana Bolson

"Até o Maicon se emocionou falando dele, chorou. É um cara que quem conhece sabe, sabe da humildade dele, sabe o quanto ele merece. Ele pode ter certeza que é um grupo que vai sentir muita falta dele, mas por outro lado vai estar na torcida sempre. É um jogador, uma pessoa, que merece tudo que está acontecendo na vida dele", adiciona Matheus.

Com a saída do "Cebolinha", o caminho se abre para jogadores como Pepê e outros jovens da base do clube. Matheus Henrique sabe bem o que é percorrer essa trilha.

"Eu, Pepê, o Jean (Pyerre), a gente passou por tudo isso. De ser destaque na base, de subir para o profissional. E aí a gente sabe que tem todo o processo, porque é difícil, a gente sabe que é complicado. Tem toda a lapidação, ainda mais que o professor, ele e o Alexandre fazem isso muito bem com os mais novos".

Isaque é outro jovem que começa a ter chances no Grêmio. E a história do garoto com Matheus Henrique é antiga. E das boas.

"A gente se enfrentou em janeiro de 2017. Eu estava no São Caetano, ele estava no São Bento. A gente jogou uma Copa São Paulo de Futebol Junior. Caímos no mesmo grupo. Aí eu ia voltar para o Grêmio, para base sub-23, quando estou no aeroporto, vou entrando dentro do avião, eu olhei e lá estava ele. Pensei 'conheço ele, joguei contra ele', mas não tinha certeza. Aí a gente desceu em Porto Alegre, o pessoal estava no aeroporto e fomos para o alojamento. Acabou que ficamos no mesmo quarto. Desde lá nos conhecemos, já construímos essa amizade. É um grande irmão que eu tenho desde a base. O que aconteceu no Grenal é fruto do trabalho dele, recebeu elogios do Renato. Eu concentro com ele. Ele é mais tímido, quando ele subiu para o profissional, ele falou 'vamos eu e você no quarto, vai que eu fique com um cara que não tenha muita resenha'", brinca.

O volante não esconde o desejo de atuar na Europa, mas sabe o momento certo para isso acontecer.

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Matheus Henrique fala do sonho de jogar na Europa e usa Cebolinha como exemplo: 'Consequência do trabalho'

Volante do Grêmio conversou com a repórter Bibiana Bolson

"A gente escuta, a gente vê na internet, ainda mais a gente, que está sempre ali nas redes sociais, olhando sites, a gente vê muita coisa. Mas não adianta eu ficar com isso na cabeça. O pessoal aqui no Grêmio sabe. Eu procuro sempre fazer o meu melhor no Grêmio. Foi assim na base, foi assim que eu subi para o profissional, foi assim que consegui ser titular da equipe e chegar a Seleção Brasileira. Eu vou sempre continuar fazendo isso, porque fazendo um bom trabalho, as coisas acontecem naturalmente. São consequências, assim como está acontecendo com o Cebola".

Matheus sabe que a dificuldades dos campeonatos é real, mas vê o Grêmio forte na disputa.

"Em determinado momento, o Grêmio era a única equipe do Brasil viva em todas competições. No nosso papo aqui não tem preferência, todo jogo, todo campeonato importa, o Renato é muito competitivo. Ele fala e ele transmite isso. Foi assim que ele conseguiu todos esses títulos, quando ele retornou aqui ao Grêmio. A gente sabe que Flamengo, Palmeiras, têm esse potencial financeiro. Eles têm elencos de grandes jogadores, renomeados no futebol brasileiro, mas nosso elenco posso dizer que bate de frente. Ano passado a gente eliminou o Palmeiras e perdemos para o Flamengo, então acredito que não estamos distantes, vamos entrar de igual para igual.

Perguntado sobre o sonho no Grêmio, Matheusinho é enfático: "Ganhar um título de expressão. Ser campeão brasileiro, da Copa Libertadores, da Copa do Brasil".

O torcedor gremista também espera que Matheus Henrique realize seu sonho.