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Inácio, Jesus e agora Jesualdo: saída de técnico do Santos encerra ciclo de portugueses no Brasil

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Jesus, sobre passagem pelo Flamengo: 'Quando cheguei do outro lado do Atlântico, ninguém acreditava em mim; mas quando saí, choraram' (1:57)

Há quem diga que JJ foi o maior treinador do Rubro-Negro, conquistando o Campeonato Brasileiro, a Libertadores, Recopa do Brasil e o Campeonato Carioca em pouco mais de um ano. (1:57)

O futebol brasileiro terminou 2019 impactado com o sucesso de Jorge Jesus e abriu 2020 tentando repetir o feito do Flamengo, com a chegada de mais dois portugueses. Mas hoje, com poucos meses completos de temporada, não sobrou mais nenhum por aqui.

A saída de Jesualdo Ferreira, demitido pelo Santos, encerrou a época de portugueses no Brasil. Antes dele, deixaram o país também Augusto Inácio, que estava no Avaí, e também Jorge Jesus, único, é verdade, a ir embora por vontade própria.

Enquanto o Mister, dias depois de conquistar o quinto título, quis trocar o Flamengo para voltar ao Benfica, os compatriotas foram retirados de seus cargos pelos clubes após resultados considerados insatisfatórios.

A passagem mais curta foi de Inácio, anunciado em 18 de dezembro pelo Avaí e demitido em 14 de fevereiro. O técnico de 64 anos perdeu o emprego após sete partidas apenas: duas vitórias, um empate e quatro derrotas, aproveitamento de 33%. A gota d'água foi a eliminação na primeira fase da Copa do Brasil para a Ferroviária.

O segundo a sair foi Jesus, pouco depois de completar um ano de Flamengo, em 17 de julho. Mas, ao contrário dos conterrâneos, o Mister foi embora por cima, levando na bagagem os títulos do Campeonato Brasileiro, da Copa Libertadores, do Campeonato Carioca e mais a Recopa Sul-Americana e a Supercopa do Brasil.

Quem se despediu por último foi Jesualdo Ferreira. Contratado em 23 de dezembro para substituir Jorge Sampaoli, o português foi treinador do Santos por 226 dias, número certamente elevado por causa da pandemia de COVID-19, que interrompeu o futebol brasileiro em quatro meses. Foram 15 partidas, com seis vitórias, quatro empates e cinco derrotas, a última para a Ponte Preta, na eliminação do Campeonato Paulista. O aproveitamento foi de 48,9% dos pontos.

O insucesso de Jesualdo Ferreira e Augusto Inácio só corrobora o que Jorge Jesus disse ao saber da chegada dos compatriotas ao Brasil. Entre a falsa modéstia e o alerta, o Mister avisou que nenhum dos escolhidos era igual a ele. No fim, estava certo.

"Em pouco tempo entraram mais dois portugueses no Brasil e agora há que tentar demonstrar aquilo que somos, os melhores treinadores do mundo. Agora pensam que todos os portugueses são iguais a Jesus. Acham que todos têm a mesma metodologia de treino. Não é verdade", disse o treinador, em entrevista ao jornal português Record, em 23 de dezembro.