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Dunga elogia Jesus no Flamengo, mas dispara contra estrangeiros: 'Muitos foram criados, não deveriam estar aqui'

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Dunga: 'A vida me deu muito, então é uma forma de retribuir um pouco para a vida' (0:57)

Capitão do tetra fala que tudo começou na Itália e ele deu continuidade no Brasil, com projetos para crianças, famílias e idosos (0:57)

Dunga não poupou elogios ao trabalho de Jorge Jesus no Flamengo, enaltecendo as qualidades do português, vencedor de cinco dos sete títulos que disputou, mas isso não significa que ele seja favorável à “invasão” de estrangeiros no futebol brasileiro.

“Eu acho que os melhores vêm para acrescentar. Mas têm muitos aí que eu vou te falar. Muitos foram criados. Não deveriam estar aqui. Eu acredito em percentual. Vieram dez treinadores estrangeiros. Quantos deram certo? E quem deu certo a gente já sabia como era. Deu certo porque o cara é bom. Pega o currículo dele e tu vê que ele sempre foi bom. Agora outros…”, disse Dunga, em entrevista ao Uol, publicada nesta segunda-feira (3).

Atualmente, há quatro estrangeiros trabalhando na elite do futebol brasileiro. O português Jesualdo Ferreira no Santos, o espanhol Domènec Torrent no Flamengo e os argentinos Eduardo Coudet no Internacional e Jorge Sampaoli no Atlético-MG.

Jesus ficou no Flamengo de junho do ano passado até julho deste ano, quando aceitou uma proposta para voltar a treinar o Benfica. Se despediu com 58 jogos e um currículo vitorioso, com cinco títulos em período recorde no país.

“Porra, o cara é bom! As ideias dele são ótimas. Teve uma frase dele que vi que pouca gente explorou. Muitos aqui dizem que temos que poupar jogadores para não se desgastarem e tal. Só que o Jorge Jesus falou que tem que poupar o cara no treino e não o jogo. Está certíssimo. E aqui no Brasil nós poupamos o jogador na partida e não no treino, onde é maior o risco do cara se machucar. Os treinos são mais intensos, no sentido de o jogador participar mais da jogada. No jogo ele não participa tanto”, avaliou Dunga.

Ao opinar sobre os melhores clubes do mundo, Dunga disse que não tem como fugir de Bayern de Munique, Barcelona, Real Madrid, Liverpool e Manchester City porque lá “estão os melhores jogadores do mundo”. No Brasil, mencionou apenas um time.

“O Flamengo pegou os três atacantes mais rápidos do futebol brasileiro e pegou dois caras experientes e fechou o time. O Flamengo contratou jogadores para montar o time a dedo. Outros saem para comprar sem critério. E acho também que estamos com pouca qualidade no Brasil, já que não estamos mais conseguindo formar jogadores aqui. Ele tem que ter cinco ou seis anos de maturação no futebol brasileiro, para poder chegar ao ápice e sair. Mas nós vendemos esses jogadores muito cedo. Hoje um jogador com 18 anos vai embora”, disse.

Com uma carreira marcante como volante de Internacional, Corinthians e Fiorentina, Dunga está na história como o capitão do título mundial de 1994. Já a passagem como técnico da seleção brasileira divide opiniões. Foi bem em 2010 e não tão bem em 2015/16.

Até por isso, ele afirma que o ciclo na seleção já foi encerrado e não fala em voltar a trabalhar com futebol. Assim como evita avaliar Tite, gaúcho como ele e seu sucessor no cargo.

“Não é questão de defender ou não [a quantidade de Tite]. Quem está lá no comando é quem tem o poder de decisão. Ele é o melhor nome para a seleção na Copa de 2022? É questão de confiança. O presidente da CBF tem que ter confiança no treinador. Se tiver, é ele e pronto. Agora, tu vais ter sempre bons treinadores para trabalhar na seleção brasileira. Mas uma coisa é o que tu pensas, outra é colocar em prática. Mas eu não sou o presidente da CBF”, disse Dunga.

O ex-treinador voltou aos holofotes da mídia há cerca de dois meses, em uma reportagem especial da ESPN Brasil, na qual foi revelado o trabalho voluntário que o gaúcho faz.

Além de arrecadar mantimentos e roupas para pessoas necessitadas, ele e um grupo de amigos (como o ex-jogador Tinga) distribuem cobertores e marmitas para moradores de rua em Porto Alegre. Uma faceta pouco ou nada conhecida do capitão da Copa de 1994.

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Dunga fala de amigos do futebol - e fora dele - que ajudam nos projetos sociais em Porto Alegre

'Tem o Tinga, o D'Alessandro, o pessoal do Grêmio e do Inter, o Rafinha do Flamengo...'